Gaúchos protestam contra as redes que matam

#Com o objetivo de concientizar a galera para a falta de sinalização de redes em áreas de pesca no litoral do Rio Grande do Sul, os surfistas de Porto Alegre convocam a galera para um protesto nesta terça-feira (05/08) às 14 horas, em frente à Assemblei Legislativa, segundo mensagem enviada pelo fotógrafo e surfista Miguel Noronha.

O evento estava marcado anteriormente para esta segunda-feira, mas em virtude da mobilização dos gaúchos em torno da manifestação o protesto foi adiado para esta terça-feira.

Esta será a segunda manifestação por causa da morte de surfistas em redes no litoral gaúcho. Em 2000, o protesto reuniu cerca de 20 surfistas. Desta vez são esperados centenas de surfistas, pois todos estão expostos às redes.

Na tarde do último sábado (27/07), o estudante de Educação Física Pablo Belmonte Mello, 23 anos, morreu enquanto surfava em Tramandaí, litoral norte de Porto Alegre. Segundo notícia publicada no site do jornal gaúcho Zero Hora, o surfista acabou morrendo afogado após ficar preso em uma rede de pesca, colocada em área ilegal.

A tragédia revoltou a comunidade local, amigos e familiares da vítima, que exigem punição aos responsáveis. Pablo tinha ido surfar com o irmão mais novo Lucas e mais dois amigos, por volta das 17 horas, junto à guarita 57, próximo ao Balneário de Oásis.

Após algum tempo, com uma forte corrente de sul, resolveram sair da água, momento em que deram falta de Pablo. O corpo foi encontrado cerca de duas horas depois, na guarita 65, com arranhões no rosto e nos braços.

Nos raros locais em que existe a delimitação com placas e estacas, a falta de fiscalização dá brecha à pesca em qualquer ponto. Em Tramandaí, apenas um fiscal vigia mais de oito quilômetros de orla, cuidando desde poluição sonora até construções irregulares.

Para Helio de Camillis, presidente da Plataforma de Pesca de Tramandaí, as mortes estão diretamente associadas à falta de fiscalização pelos municípios. ?Desde que acompanho este problema, já são 24 mortos no mar por falta de entendimento entre pescadores e surfistas?, reclama Camillis.

Os amigos descrevem Pablo como um surfista cuidadoso. Conforme Felipe Ribeiro, 19 anos, o amigo tinha bom preparo físico, era praticante de ioga e jiu-jitsu e adepto de comida natural.

O que diz a lei

A Lei Estadual 8.676/88 trata da demarcação de áreas para pesca, banho e surf:

– Todos os municípios banhados por mar, lagoas ou rios com praias devem demarcar os locais destinados à pesca, aos esportes e ao lazer.
– A demarcação deve ser feita por balizas, placas e dizeres visíveis e permanentes.
– A fiscalização das áreas cabe às prefeituras, em colaboração com os órgãos estaduais competentes.

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