De volta para casa depois de quase um ano viajando pelos principais picos do planeta, a paranaense Michaela Fregonese conta como decidiu largar a vida de surfista profissional no Brasil para realizar o sonho da busca pela onda perfeita.

 

 

?Tudo começou em fevereiro de 2005. Fui para Fernando de Noronha com a intenção de passar um mês treinando e voltar para disputar o SuperSurf em Florianópolis.

 

Mas minha amiga e fotógrafa Lika Maia chegou do Hawaii dizendo: ?Michaela, você tem que ir pro Hawaii, vai rolar o primeiro campeonato de surf feminino em Pipeline?.

 

Ela já sabia da minha paixão por Pipe. Só não sabia que meu pai me proibira de ir para lá. Mas, como diz o ditado ?o que tiver que ser, será?, comecei a dar aulas de surf em Noronha e rapidinho levantei o dinheiro da passagem.

 

Cheguei no Hawaii na noite de 11 de março de 2005 e na manhã seguinte já estava na água, disputando a bateria. Acabei surfando o Backdoor de Pipeline praticamente sozinha, já que as meninas não iam muito para a direita.

 

Fui passando as baterias e cheguei na semifinal. Então peguei um tubo alucinante para o Backdoor e tive a prancha partida no meio. Nisso, o jet-ski veio na minha direção e peguei uma carona, só que era proibido e fui desclassificada.

 

Decidi trabalhar para pagar as despesas e quando vi percebi que tinha dinheiro suficiente para realizar um sonho antigo: conhecer a Indonésia. Na hora pensei: ?Posso ir para lá, curtir, treinar e voltar para o SuperSurf?.

 

Chegando lá foi amor à primeira vista. Senti uma identificação enorme com o astral do lugar, as pessoas generosas e sempre sorrindo, sem falar nas ondas, poder pegar tubos todos os dias.

 

Surfei Uluwatu muito perfeito, Padang-Padang, fiz trips para Desert Point, em Lombok, e Scar Reef, onde ganhei algumas cicatrizes no corpo, e Lakai Peak, em Sumbawa, mas o lugar mais incrível para mim foi ilhas Mentawai.

 

Dias antes de conhecer esse lugar, me dei conta que estava confusa e tinha que tomar uma decisão. Eu estava surfando ondas perfeitas, vivendo uma vida de sonho e não queria mais ir embora, mas também não queria abandonar o SuperSurf no Brasil.

 

Decidi então pedir que Deus me desse um sinal, mostrando qual o melhor caminho. Na seqüência pintou a oportunidade de conhecer as Mentawai por exatos 30 dias, a bordo de um barco alucinante chamado Carpe Diem (expressão em Latim que significa ?aproveite o dia?).

 

Lá eu surfei as melhores e mais perfeitas ondas da minha vida, como Lance?s Lefts e Rights, Rag?s Lefts e Rights, Rifles, em Playgrounds, a melhor e mais perfeita onda que já surfei, Macaronis, Thunders, e muitas outras, já que Mentawai é um conjunto de ilhas recheadas de direitas e esquerdas quase sempre com vento terral.

 

Só podia ser esse o sinal de Deus para eu saber o que realmente devia fazer da minha vida. Quando voltei para Bali surfei várias ondas diferentes, como Sanur, Airport Rights, Keramas, Cangu, entre outras, e definitivamente não queria ir embora nunca mais.

 

Infelizmente depois dos últimos atentados em Bali, em outubro passado, minha família ficou muito preocupada e pediu que eu voltasse para o Hawaii, onde fiquei até o dia 22 de dezembro morando em Rock Point.

 

Lá eu surfava praticamente todos os picos, como Pipeline, Off The Wall, Sunset, Waimea entre outros. Mas já fazia exatos 11 meses que não via minha família e chegou a hora de voltar pra casa ? mas já pensando em voltar para o Hawaii o mais rápido possível.

 

As pessoas da minha família são as que mais amo e as únicas que realmente me ajudaram a investir e evoluir no surf, pois nunca tive um patrocinador que acreditasse no meu potencial.

 

Sempre tive que fazer tudo sozinha e não me arrependo das minhas escolhas. Aprendi que para viajar o mundo em busca de ondas perfeitas, basta acreditar nos sonhos e ir atrás deles.?

 

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