Circuito brasileiro

Galvão herda título de Jihad

 

Renato Galvão é campeão do circuito brasileiro 2007. Foto arquivo: Daniel Smorigo.

Por unanimidade, o conselho executivo da Associação Brasileira de Surf Profissional (Abrasp) decidiu que o paranaense Jihad Khodr será punido com a perda da premiação e dos pontos da última etapa do circuito brasileiro de surf profissional 2007.

 

Com a punição, o título passa ao paulista Renato Galvão, que ficou com a vice-liderança do ranking e foi beneficiado pela ausência Jihad Khodr no exame antidoping realizado na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (RJ).

 

Além da perda dos pontos e da premiação, Jihad fica proibido de disputar qualquer evento da Abrasp ou Confederação Brasileira de Surf (CBS) pelo período de 360 dias.

 

A decisão saiu nesta sexta-feira, às 20 horas, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (RJ), depois de três horas de muito debate.

Jihad recebe punição pela ausência no exame antidoping. Foto: Aleko Stergiou.

Participaram da votação Wilson Nora, Renan Rocha, Guilherme Herdy, Briggite Mayer, Tadeu Pereira e Jojó de Olivença, bem como os dirigentes da Associação Nordestina e das federações de Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo, todos membros do conselho executivo da Abrasp.

 

“Todos os argumentos foram ouvidos e analisados. Houve votos e a decisão foi unânime. Depois da defesa ser ouvida por todos os presentes, as regras foram revistas também. Eu e o Pedro Falcão (diretor técnico da Abrasp) não votamos. Estamos aqui para representar a entidade”, diz Marcelo Andrade, diretor executivo da Associação Brasileira.
 
Pedro Muller, presidente da entidade, segue a mesma linha. “O conselho tomou a decisão por unanimidade. Todas as decisões foram tomadas da maneira mais neutra possível, sem pensar em favorecer o lado pessoal de qualquer atleta”.

 

Durante o julgamento, que foi fechado à imprensa, o paranaense Rodrigo Tusca (manager de Jihad) apresentou a defesa do atleta. Tusca teria dito que o exame antidoping aconteceu de forma irregular, não seguindo o livro de regras do Ministério do Esporte.

 

O livro determina que o atleta e seu representante devem receber um comunicado oficial assim que ocorrer o sorteio do exame, o que não aconteceu, segundo o manager.

 

Assim que terminou de alegar a defesa, Tusca deixou o julgamento e revelou à imprensa que, em caso de derrota, recorreria da decisão na segunda-feira, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou na Justiça Comum.

 

“É indiscutível, pois quem acusa não sabe que o próprio regulamento não foi cumprido da maneira correta no dia da prova. Iremos recorrer da decisão na justiça”, fala Tusca.

 

A polêmica começou justamente na Barra da Tijuca, palco da quinta e última etapa do circuito brasileiro de surf 2007, disputada em outubro.

 

Depois de comemorar o segundo título brasileiro consecutivo, Jihad foi sorteado para fazer o exame antidoping juntamente com a paraibana

Diana Cristina.

 

Vale ressaltar que o exame começou a ser realizado no circuito brasileiro de 2005. Na última etapa da temporada, a Abrasp sorteia um semifinalista cada categoria – masculino e feminino.

 

Porém, Jihad e seu manager Rodrigo Tusca optaram por não comparecer ao exame porque o atleta tomava medicamentos antidepressivos e eles não haviam comunicado à Abrasp com antecedência. 

 

Depois de conversar com alguns especialistas no assunto, Tusca pensou que a ausência no exame renderia uma punição de apenas três meses em eventos da Abrasp e de R$ 1 mil em dinheiro.

 

Ao saberem que o título estava ameaçado, Jihad e seu manager Rodrigo Tusca enviaram uma carta à entidade alegando o motivo pelo qual o paranaense evitou o antidoping na Barra da Tijuca.

 

Jihad contou que sofre de transtorno bipolar, doença caracterizada pela alternância de humor; ora ocorrem episódios de euforia, ora de depressão, com períodos intercalados de normalidade.

 

Na carta, citou também que faz um tratamento a base de remédios antidepressivos receitados por seu psiquiatra. Porém, não possuía uma Isenção para Uso Terapêutico (IUT) devidamente registrada e aprovada pela Abrasp, Confederação Brasileira de Surf (CBS), International Surfing Association (ISA) ou Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

 

Confira mais informações em nossas próximas reportagens.

 

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