Entre os últimos dias 17 a 22 de novembro, os surfistas da costa Leste australiana vibraram com um excelente swell vindo do quadrante Nordeste, com uma leve brisa de Oeste, que é terral em quase toda costa.
Estas condições são perfeitas para as praias de NSW, inclusive as Northern Beaches de Sydney, que apresentaram linhas e mais linhas perfeitas para o delírio de todos.
Já faziam mais de dois meses que ondas de qualidade não quebravam por esses lados e a ansiedade marcava a feição de cada surfista da região. Era comum ouvir dos brasileiros que moram por aqui, que sentiam saudades da constância e qualidade dos swells do Sudeste brasileiro.
Na sexta-feira, dia 21 de novembro, seria o melhor dia do swell, apontado como o pico do mesmo e com melhores condições de vento.
Eu e minha mulher acordamos bem cedo para checar as condições do mar, pois estávamos ansiosos para fazer fotos de qualidade. Para nossa felicidade São Pedro nos presenteou com um lindo dia de sol e após checar algumas câmeras de praias, disponíveis em sites locais, decidimos ir até North Narrabeen, pois tínhamos certeza de que lá seria um dos melhores picos da região.
North Narrabeen é reconhecido como um dos picos onde rolam as melhores esquerdas das Northern Beaches de Sydney, mas também é reconhecida pelo crowd mais chato e agressivo da região, principalmente se você é brasileiro e chega com muita sede ao pote.
O pico é frequentado por lendas do surf e por grandes nomes do surf atual australiano, por isso toda humildade e respeito é pouco para ter sucesso em surfar estas ondas.
Nesse dia não foi diferente, chegamos em torno das sete horas da manhã no pico, o qual estava realmente perfeito, quebrando ondas de 1 a 1,5 metros, mas com um crowd considerável. Cerca de 40 cabeças dividiam o line-up e muitas rabeadas eram vistas entre os locais do pico.
Montamos o equipamento fotográfico e iniciamos nosso trabalho, mas como eu também sou filho de Deus e estava ansiososo para fazer uma queda, Mônica assumiu o controle das lentes e eu fui pra água.
Logo que entrei percebi que a maioria dos surfistas dividiam a mesma onda em um pico mais à direita, onde a onda estava abrindo longas paredes para manobras e tubos. Eu me posicionei mais à esquerda, perto do point break do pico, onde bodyboards alucinados se jogavam em lindos tubos, pois a onda sugava toda a água na bancada de pedra, criando salões translúcidos de felicidade.
A onda neste pico era mais longa, porém mais difícil de conectar todas as seções, pela rapidez com que quebrava até o inside. Graças a uma dádiva divina, minha primeira onda foi uma dessas da série, longa, rápida e cristalina.
Não estava com o melhor equipamento para o dia, surfando com uma 5″11”, mas consegui fazer a onda toda sempre direcionando a prancha para a próxima seção. Consegui pegar umas seisondas e fui para a praia, após meu leash arrebentar em uma das bombas da série.
Conseguimos boas fotos, mas infelizmente depois 1 hora de surf de qualidade tivemos que ir para nossos afazeres diários da rotina australiana… Hard work! Graças a Deus, depois de um começo de dia como esse a vida se torna muito mais fácil!









