
As primeiras chuvas e ventos do furacão Katrina começaram a atingir na noite de domingo a cidade de Nova Orleans, sul dos Estados Unidos, de onde saíram milhares de pessoas para evitar os efeitos daquele que deve ser um dos furacões mais destrutivos da história.
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Os poucos moradores que resistem a abandonar a cidade, que em sua maior parte está abaixo do nível do mar, assinalaram que as primeiras chuvas começaram a cair ao anoitecer e desde então os ventos se intensificaram.
Também há informações sobre tornados em algumas áreas no momento em que a tempestade em direção à cidade com ventos de mais de 200 km/h.
Fontes do Centro Nacional de Furacões indicaram que o furacão, que se debilitou levemente embora se mantenha na categoria 5, a mais destrutiva na escala Saffir-Simpson, chegará à costa ao amanhecer de segunda-feira (por volta das 9h de Brasília) e algumas horas depois sobre a cidade.
Segundo os especialistas, trata-se de um forte furacão que pode arrasar a região metropolitana de Nova Orleans, estado da Louisiana, com uma ameaça que se estende aos estados vizinhos do Mississippi e Alabama, assim como o extremo noroeste da península da Flórida.
“Não há dúvidas que a cidade vai receber o impacto desta tempestade”, manifestou Walter Maestri, diretor de Controle de Emergências de Nova Orleans.
“Tivemos muita sorte com outros furacões. Não acho que a tenhamos agora”, disse em entrevista para a rede de televisão CNN.
O furacão “é capaz de causar danos catastróficos”, declarou em Miami o diretor do Centro Nacional de Furacões (CNH), Max Mayfield.
Ele acrescentou que o grau de destruição pode ser superior ao desastre causado em 1992 pelo furacão Andrew, que arrasou um setor do sul da Flórida, matou pelo menos 43 pessoas.
Mayfield deu poucas esperanças que a força do furacão se reduza nas próximas horas.
“Sem dúvida existe uma possibilidade que se debilite um pouco antes de chegar à costa. No entanto, infelizmente é tão grande e tão poderoso que (esse possível enfraquecimento) não teria importância”, afirmou.
O prefeito Ray Nagin advertiu que o furacão poderia causar ondas de mais de 10 metros de altura, as quais arrasariam as barrreiras levantadas como defesa da cidade que em grande parte está abaixo do nível do mar.
“Gostaria de ter melhores notícias para os senhores, mas estamos diante da tempestade que todos temíamos. Esta é uma ameaça que nunca tínhamos enfrentado antes”, declarou o prefeito.
A tempestade obrigou hoje as empresas petrolíferas a evacuar e fechar as plataformas de extração no Golfo do México que estão na trajetória do furacão.
Essas plataformas fornecem cerca de 25% do petróleo e o gás natural que os EUA consomem e a medida causou um aumento dos já altos preços do petróleo para mais de US$ 70 por barril nos mercados da Austrália.
Fontes da cidade disseram que a usina nuclear de Waterford, cerca de 30 quilômetros ao oeste de Nova Orleans, foi fechada como medida de precaução.
Antes que a região sentisse o impacto da tempestade, o presidente George W. Bush declarou hoje o estado de emergência para os estados da Louisiana, Mississippi e Alabama, assim como área de desastre à Flórida, onde Katrina fez sentir seu impacto no fim de semana passado, matando pelo menos sete pessoas.
As declarações de emergência permitem que os estados utilizem fundos federais para ajudar os danificados.
O Katrina é o quarto furacão categoria 5, a mais destrutiva da escala Saffir-Simpson, que faz impacto no território continental dos EUA desde que existem registros deste tipo de tempestades.
O primeiro deles ocorreu em 1º de setembro de 1935, quando essas tempestades não recebiam nome e se abateu sobre o extremo sul da Flórida produzindo enormes danos, principalmente no setor de los Cayos. Esse furacão causou 423 vítimas mortais.
A mesma região dos estados da Louisiana, Alabama e Mississipi, ameaçada hoje pelo Katrina, foi arrasada em 17 de agosto de 1969 pelo furacão Camille, que é considerado até agora a pior tempestade que açoitou o território continental dos EUA.
Com ventos de mais de 300 km/h, Camille se abateu sobre a costa do Golfo próxima ao rio Mississipi.
Uma extensa área foi destruída e, embora não se saiba exatamente quantos mortos deixou, calcula-se que foram mais de 250, e entre 50 e 70 pessoas nunca foram encontradas.
O outro furacão categoria 5 foi o Andrew, que em 1992 devastou uma extensa área do sul de Miami, na península da Flórida. O Andrew matou pelo menos 43 pessoas e ocasionou danos superiores a US$ 31 milhões.
Fonte: EFE.