No foco

Fotografia de surf

Flávio Vidigal fotografa Guga Arruda na série. Foto: Zé Roberto.

Nada mais legal quando nos deparamos com uma foto que nos causa uma sensação.

 

A cabeça voa e você se imagina ali naquele momento, recordando o passado ou ainda te motivando a colocar o pé na estrada atrás daquela onda perfeita.

 

Talvez o mercado não entenda como é importante a foto de surf e o que ela representa como instrumento de marketing. Se entende, está faltando valorizar o trabalho.

 

O Brasil é o país do futebol, mas é o surf que tem várias revistas especializadas e dezenas de outras publicações, sites, enfim um enorme campo para a difusão da fotografia de surf.

 

Flávio Vidigal clica o mito Gerry Lopez em Pipe para a revista Inside. Foto: Arquivo Pessoal.

A primeira geração de fotógrafos profissionais como Fedoca, no Rio, e Klaus Mitteldorf, em São Paulo, surgiu com a criação da Brasil Surf, a primeira revista de surf brasileira.

 

Já com ares mais bem profissionais surge a Visual Esportivo, do falecido fotógrafo Nilton Barbosa.

 

Num terceiro momento, junto com a explosão do mercado das surfwear e a criação do circuito brasileiro de surf, foram lançadas Fluir, Inside e Hardcore, culminando com uma expansão do mercado para novos fotógrafos. Alberto Sodré, o ?Cação?, era o grande nome da época. Sua sensibilidade era do tamanho da sua simpatia e impressionava sua habilidade para fotos aquáticas. Porém, um grande número de nomes deu expressão a este momento, como Sebastian Rojas, Rick Werneck, Marcelo Cozzare, Bruno Alves, Basílio Ruy e vários outros com quem tive a oportunidade de conviver.

 

David Husadel na capa da revista francesa Trip Surf, foto de Vidigal. Foto: Arquivo Pessoal.

Havia um maior reconhecimento do trabalho, mas o tempo passou e a época que esperávamos os cromos serem revelados depois de uma viagem ficou para trás.

 

Hoje, câmeras com auto-foco, imagem digital e programas de manipulação de imagem nos fascinam e nos colocam numa outra realidade com a possibilidade de alteração do momento original.

 

Nada disso tira a importância da foto, mas o leque abriu e várias pessoas se lançaram ao mercado.
 
Durante o último Hang Loose, em Fernando de Noronha, o line up revelava dezenas de fotógrafos buscando o melhor ângulo e, dentro d?agua, um verdadeiro crowd.

 

Por outro lado, me empolgam as novas visões de uma galera que vem querendo mostrar as coisas sob uma ótica diferente e inovadora.

 

A utilização de um flash dentro d?agua, possibilitando fotos em momentos de fim de tarde, por lentes postadas na areia, é uma dessas idéias novas que têm obtido bons resultados.

 

Hoje podemos fazer caixas-estanque aqui no Brasil com qualidade tão boa quanto a que comprávamos lá fora e isso impulsionou ainda mais a fotografia de surf.

 

Aos fotógrafos que querem se aventurar pelo mundo em busca de uma vida plena de emoções é preciso colocar várias coisas na balança.

 

O custo do investimento e o retorno possível com a venda das fotos deve ser alvo de pesquisa para que não se derrube ainda mais o preço de mercado.

 

O campo da fotografia não se resume ao surf, mas este pode ser um excelente campo de testes.

 

Muitos fotógrafos não evoluem em seus trabalhos e permanecem fazendo o arroz com feijão. A arte ajuda a abrir a cabeça para novas tendências. É o desafio para a evolução da fotografia de surf.

 

A tecnologia é importante, mas a criatividade pessoal é que vai tornar seu trabalho diferente e muitas vezes levá-lo a um nicho de mercado pouco explorado.

 

Mas o que é uma boa foto? Luz, foco, ângulo, momento? Aproveite e dê sua opinião! O resto é trabalho duro e água na lente!!!

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