Sufoco foi assistir Flamengo X Portuguesa no último domingo. O resto é mole…

 

Quem me dera ter conexão de internet a cabo, ou uma linha super veloz, para poder acompanhar o Fórum das matérias assiduamente como determinados leitores.

 

Acontece que o parco pagamento de R$ 8 mil que recebo do saite me sobra apenas para as duas garrafas de Romenee Conti que degusto, com sofreguidão, na minha caverninha cibernética, acompanhado somente dos meus dois cães leais, Chris & Joe.

 

Percebi, com pesar, que robusta parte das mensagens sentavam a mamona na coluna. Pois aqui estou para concordar.

 

Não me fiz claro, como quase sempre, na última paródia. Deveria ter usado, mais adequadamente, um trecho de Mário de Andrade e só:

 

“Enfim, precisa-se de brasileiros, brasileiros verdadeiros, com vergonha na cara, capazes de mandar uma banana com força na peitaria e olho de pretume melando”. Isso foi dito em 1926!

 

Passados 76 anos, ainda precisamos deles. Calma, não vou começar tudo de novo…

Na água, meus ídolos, pasmem!, são Curren e Michael Peterson, passando pelo Valdir e Picuruta e parando quase uma década no Dane Kealoha e Larry Bertleman.

 

Surpresos? Escuto um coro no fundo:

– Abog, Abog, Abog, Abog…

 

Quando peguei o ônibus para Saquarema uns vinte anos atrás para ver de perto os grandes ídolos nacionais que eu só conhecia de Visual Esportivo, nem fazia idéia de quanto o Picuruta andava na frente dos outros.

 

Na final, contra Daniel Friedmann, outro da lista acima, Picareta surfou com uma prancha emprestada da equipe Cristal Grafitti, Beto Santos, 6’7”, se não me engano (me engano, graças a Deus, com freqüência) e destruiu as esquerdas enormes de Itaúna naquele final de semana.

 

Sentadinho no Arpoador, admirava-me com o surfe fenomenal do gordinho Bud LLamas e com o dinamismo do Greg Day, arrasando com Cheyne Horan, favorito ao título.

 

Chegando em casa, corria à casa de um amigo para me deleitar, pela milésima vez, com o vídeo do “Free ride”. Corta pra 1992 – Havaí.

 

Assustado depois de receber um telefonema do Bocão, me sacaneando, dizendo que Waimea ia quebrar com 25 pés no dia seguinte e que meu patrocinador, Roberto Valério, queria umas fotos minhas dropando as bombas.

 

Tentei negociar dizendo, “não tenho prancha…”, “acabei de chegar…”, mas o Boca insistia:

 

– Não tem problema, eu tenho duas 9′ 6”… Caio junto contigo, pra você ir se acostumando…

 

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Sem dormir direito, acordei às 4 da madruga e fui checar o Mar. Ufa! Que 20 pés que nada. Só de raiva entrei na primeira surf-shop e comprei o Momentum, um vídeo novo de diretor desconhecido chamado Taylor Steele. A diferença começava com a trilha: Bad Religion, Nofx, Pennywise…

 

Aquilo era o som que a gente, garotada de vinte e poucos anos, escutava dia e noite e, principalmente, antes de ir surfar. E pro delírio da rapaziada, o vídeo começava com uma onda incrível do Curren no Backdoor. Me explica como que o Slater volta daquele aéreo?

 

O impacto daquilo foi tão grande que o Bad Religion teve que vir ao Brasil. Apanhei o cata-corno na rodoviária e lá fui eu para Curitiba, capital do novo-hardcore do Brasil.

 

Duas horas pogando sem parar e ainda consegui sair com minha camisa autografada pelos 5 integrantes da banda. Abog?

 

Ninguém escapa da patrulha Abog, seja quem for. Não existe discurso anti-pôrra nenhuma. Não há preconceito. Repito, não há preconceito. Onde enxergar preconceito, aplique humor que funciona. Teve uma mocinha que até achou que eu tinha, por algum motivo, mangado do pobre Xanadu, que entrou como mera alegoria no texto.

 

Tente de novo, desta vez com um sorriso maroto no canto da boca. Um internauta mais exaltado exigiu minha renúncia, como se político fosse, ao cargo de calunista do saite (neste momento é recomendado o uso do humor para melhor compreensão do trocadilho).

 

Sempre que minhas opiniões – que nem bunda: cada um tem uma – se distanciam do leitor banal, a horda apressa-se em enviar mensagens de repulsa. Diante delas me resigno.

 

Sim, surfistas, não sou o dono da razão. Nunca fui nem tutor, nem padrinho da dita cuja. Mas, pera lá! Dizer que a nova geração brasileira não sabe dar aéreo feito os gringos é burrice, cegueira, ou excessiva distância da praia mais próxima.

 

Pode escolher, Ozzy, Ratboy, Kerr e Cormican. Chamem Trekinho, Raoni, Léo e Pigmeu.

 

Façamos uma aposta: quem voar mais alto e completar ganha. Ou melhor, quem for mais criativo e progressivo leva. Seriam três baterias, uma em Maresias meio metro, uma outra no Matadeiro dois contos e uma terceira em São Conrado metro e meio.

 

Valendo tubos, o time estrangeiro não dá nem pro começo… Alguém aí conhece o Heitor Pereira? E o Thiago Bianchini? Mineirinho??

 

Acorda turminha! Como dizia o anúncio da Mormaii, os gringos não são mais nossos ídolos. Igual no Flamengo: craque a gente faz em casa…

 

E muito respeito com os nossos representantes nos 45, porque pra se qualificar tem que ter muito sangue quente nas veias. Mole é ficar em casa fazendo foto na praia mais perto. Duro é sair pelo mundo rodando de cara e tomando rabeada.

Hoje é dia de comemoração: Léo Neves foi campeão brasileiro profissional e nos cinco primeiros do ranking, finalmente houve mudança. Pode ser um sinal…

 

Enquanto vou digitando meu texto, uma bela série entra aqui na Guarda do Embaú, onde me hospedo, confortavelmente, na casa dum irmão que gentilmente ofereceu-me para passar o feriado.

 

No dia 22, dia dos goiabas, embarco para o arquipélago havaiano módi cobrir o Pipe Masters, cobrir o World Cup, cobrir o Eddie e cobrir de porrada o Kimo, que mexeu com um parceiro meu.

 

A maré esvazia e Mar sobe, hora de ir pra água. Deixo aqui embaixo o espaço pros amiguinhos completarem a calúnia…

 

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