Por Luciano Meneghello / SupClub
A cidade de Santos, SP, recebeu neste sábado uma das maiores provas de Canoas Havaianas do mundo, a “Volta a Ilha de Santo Amaro”, que completou este ano sua 12a edição. Ao todo, 13 equipes de OC6 (canoas para seis remadores) participaram do desafio, com representantes de Brasília, Santa Catarina, Espírito Santos, Rio de janeiro e São Paulo.
Às 9h30 as equipes se reuniram na Praia da Aparecida para ouvir as palavras do idealizador e organizador do evento, Fábio Paiva, e, em seguida, foi feita uma roda de oração, onde todas as equipes deram as mãos e pediram proteção, coragem e força para os desafios que iriam enfrentar. E não foi brincadeira. A Volta a Ilha de Santo Amaro é uma prova que separa os homens das crianças. 75 Km de remada enfrentando as mais diferentes condicões de clima, correntes e ondulações.
As águas calmas da baia de Santos enganam os menos avisados e as equipes partiram em rítimo forte até a altura da Ponta Negra da Ilha de Santo Amaro (que abriga a cidade de Guarujá e o distrito de Vicente de Carvalho). Lá a coisa começava a mudar e os ventos frontais e a ondulação de mar aberto atingiam sem dó todas as embarcações.
A equipe de Brasília foi a primeira a sofrer com a intempérie naquela região e virou a canoa. Um árduo trabalho foi realizado para, primeiro, virar o barco e, em seguida, retirar toda a água de dentro e ainda controlar a movimentação da embarcação em meio às correntes para que ela não atingisse o costão cada vez mais próximo. Havia muitos barcos de apoio, mas qualquer ajuda externa desclassificaria a equipe que, felizmente, conseguiu reverter a situação e seguir em frente.
Depois, foi a vez da mais tradicional equipe da prova, os “Brucutus” de Bertioga, sofrer um terrível revés. A parte traseira da canoa começou a se soltar e eles ficaram à deriva, lutando para que a embarcação não se separasse de vez e afundasse. Foi um trabalho pesado, onde muitos certamente teriam jogado a toalha. Os Brucutus, no entanto, conseguiram, no improviso, arrumar a canoa que, no entanto, transformou-se numa OC4 e seguiram adiante.
Após remarem por horas (e milhas) contra as águas agitadas do Guarujá, as equipes alcançavam o canal de Bertioga de onde seguiriam em direção ao canal do Porto de Santos. As águas plácidas do estuário oferecem um alívio a quem já remou praticamente metade percurso lutando contra o mar revolto. No entanto, se a maré estiver contrária, o desgaste da remada será grande. Sincronia total e ritmo são fundamentais. Um compasso errado aqui literalmente atrapalha o soneto e, se bobear, a canoa pode até ser empurrada para trás pelas águas do rio que seguem em direção frenética ao encontro com o mar.
Após quase 7 horas de prova, equipe Smiles Mauna Loa, de Niterói, foi a primeira a despontar na saída do canal do Porto de Santos em direcão à Praia da Aparecida, no Canal 6. Os flumineneses foram os grandes campeões, com o tempo de 6h52, seguidos pela Vitória VA’A, com o tempo de 6h58 e, na terceira colocação, os remadores do Paddleclub Ilhabela (7h03), ultrapassados pela equipe do Espírito Santo nos quilômetros finais. Canoeiros do Paranoa, de Brasília, ficou com a primeira colocação da categoria mista (7h22) e Mauna Loa, de Niterói, venceu na master com o tempo de 8h19.
As disputas foram acirradas e os remadores deram tudo de si. Isso fica claro na hora da chegada, quando são as equipes adversárias as primeiras a receber quem chega. Fortes abraços, muito choro, alegria e emoção à flor da pele. É impossível não se contagiar.
Todas as equipes, ao chegarem, foram recepcionadas com muito Aloha e quando a equipe dos Brucutus de Bertioga surgiu no horizonte, numa honrosa 11ª colocação, a festa foi grande, assim como foi a celebração no momento da chegada da equipe de masters Raglan /Vitshop /HD, de Santos, que encerrou o desafio.
Como disse Fábio Paiva durante a premiação, essa é uma prova em que o competidor se pergunta a todo momento “O quê eu estou fazendo aqui?”, porém, ao encostar sua canoa na areia, receber a vibração do público e os abraços de seus companheiros, só um pensamento vem a sua mente: “Ano que vem estarei aqui, de novo!”.
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