
Surfista desde 1986, o paraibano Ayrton Almeida, 34, o PB, mora em Recife desde os 10 anos e ganhou o apelido dos amigos pernambucanos. Atualmente PB está sem patrocínio e conta somente com apoio da fábrica de blocos Teccel e da marca de acessórios Pro Lite.
Mas a falta de um maior reconhecimento não o impede de ser um dos caras mais atirados nos outer reefs de Pernambuco, e nos picos de Fernando de Noronha, Pipe, Waimea, Maverik’s, Phantoms…
Quantas vezes você já veio para o Hawaii e quanto tempo geralmente fica por aqui?
Essa é minha oitava temporada, vim pela primeira vez em janeiro de 1997, fiquei dois meses. Voltei em novembro e de lá para cá tenho ficado pelo menos quatro meses por temporada.
Como faz para se manter nas ilhas por tanto tempo?
Algumas das vezes eu vim com patrocínio, outras eu fiz dinheiro com compra e venda de pranchas, alugando carros, já tive até uma pousada durante três temporadas.
Qual foi a sua melhor sessão de surf no arquipélago?
Foram tantas que é difícil lembrar uma especial, desde Waimea com mais duas pessoas e ondas de mais de 20 pés e vento, ou Pipe clássico com 200 caras com 10′ a 15′, até Backyards, que eu surfei ontem no final de tarde e tinha altos tubos de até 5 pés.

Como você descreve o North Shore?
O melhor lugar do mundo para quem gosta de grandes ondas e tubos em água quente e que tem dinheiro e paciência para conseguir pegar boas ondas devido à grande quantidade de surfistas que moram e freqüentam as ilhas.
Já teve alguma situação de medo ou risco de vida?
Muitas vezes eu senti medo, faz parte. O medo faz a pessoa distinguir o possível do impossível, sem nos fazer passar situações indesejadas. Uma das situações mais difíceis que passei no Hawaii rolou em Waimea. Tava bem grande, 20 pés ou mais. Quebrei a prancha e não consegui sair do mar. Foi necessário um jet-ski para fazer o resgate, pois a correnteza tava muito forte e eu, mesmo nadando muito, já tava atrás da esquerda. Se não houvesse o jet para me ajudar seria realmente difícil sair daquela situação.

Você não tem um histórico muito conhecido no tow-in. Tem desejo de praticar o esporte?
Quero muito, mas é um esporte caro. Já está difícil praticar o surf, pois no momento estou sem patrocínio. O tow-in tem uma cobertura da mídia muito boa e tem um dinheiro sendo canalizado para a modalidade que eu não vejo para o surfe de remada. Assim que aparecer o patrocinador eu vou me dedicar e acredito que não terei grandes dificuldades para me adaptar.
Como faz para saciar a sede de ondas grandes no Brasil?
Penso na próxima temporada havaiana…
O que achou desta temporada?
Começou péssima, com muito vento e chuva e sem grandes ondas. Janeiro e fevereiro tiveram as melhores ondas, e março também teve muita chuva e vento. Abril tá sendo bem legal, bons ventos, apesar de ter dado só dois swells acima de 12 pés.

Quais as principais características de um verdadeiro big rider?
Gostar do que está fazendo, ter talento para o surf e fé em Deus.
O que é mais perigoso: surfar Jaws 30 pés na remada ou surfar na praia de Boa Viagem?
Bem, eu nunca surfei Jaws, mas pelo que eu sei é muito difícil surfar lá na remada acima dos 20 pés. Para falar a verdade, eu nunca ouvi falar de alguém que surfou Jaws na remada nessas condições. Em Boa Viagem, é arriscado dar de cara com um tubarão. Mas, se der sorte de não encontrar com ele, ainda vai ter de correr da polícia, já que o surfe está proibido por lá. Então, como eu não sou doido, não surfo em nem um dos dois.
Agora, falando sério, como você está vendo o surf em Pernambuco? Há risco de os tubarões irem para outras áreas?

O surf em Pernambuco deu uma grande estagnada por causa dos ataques, pois a nova geração ficou sem seus picos de treino na frente de casa. Para surfar é preciso pegar a estrada e passar uma hora no carro. E não são todos que têm essa possibilidade. Quanto aos tubarões, eles estão em todos os mares. O problema do Recife se deu devido à mudança no ecossistema com a criação de um novo porto em Suape. Para sua construção foram aterrados vários manguezais que supriam de alimentos os pequenos peixes. Sem peixes pequenos não há mais comida para os grandes. No litoral sul, depois de Suape, até hoje, graças a Deus, não há notícias de ataque. As coisas por lá estão equilibradas.
Planos para o futuro?
Surfar muito e tentar conseguir um novo patrocinador para ajudar a continuar evoluindo, viajar bastante e fazer tow-in.
Para entrar em contato com o surfista envie mensagem para [email protected] .
Confira galeria de fotos com os melhores momentos de Ayrton PB no Hawaii.
