#As finais mais emocionantes de todos os tempos estão acontecendo em Sunset, no Hawaii. Devido ao cancelamento das etapas européias, temos nove surfistas com chances de ser campeões e onze meninas também na briga, incluindo as brasileiras Maria Tita Tavares e Jaqueline Silva.
Este provavelmente será o campeonato de maior pressão psicológica dos últimos anos. A cada bateria, haverá uma decisão. Os organizadores esperam melhores condições possíveis para ser cenário desta decisão inédita do nosso esporte.
Nos anos anteriores, o formato do circuito com oito ou dez provas, formadas por pernas de dois três eventos seguidos, permitiam a alguns surfistas embalar e ganhar duas ou três etapas, conseguindo pontos suficientes para administrar sua posição no ranking.
Durante vários anos os títulos foram decididos antes de o tour chegar ao Hawaii. Os dois últimos títulos mundiais foram decididos no Rio, dois momentos históricos: a coroação de Occhilupo, campeão aos 32 anos. No ano passado, deu Sunny Garcia. Depois de 15 anos no circuito, finalmente o havaiano se tornou número 1 do mundo.
Coincidentemente, os dois estão com grandes chances de ser campeões novamente. Apesar de o líder ser o americano C.J. Hobgood, os ex-campeões mundiais são mais experientes, estão muito próximos no ranking e qualquer deslize pode ser fatal. Depois de muitos anos, vamos ter baterias homem-a-homem em Sunset, o que certamente vai mudar as táticas dentro da água.
A famosa intimidação havaiana não vai funcionar. Dois caras no outside em Sunset é muito pouco. As séries costumam ter seis, oito ou 10 ondas. Todos vão ter mais chances de escolher as melhores e decisivas ondas para ter uma boa pontuação.
Por ironia do destino, chegamos à última etapa e só as nossas meninas têm chances de ser campeãs. Nossos garotos podem, no máximo, melhorar suas posições no ranking e se salvar da degola.
O cancelamento das provas européias afetou demais a performance de nossos atletas no ranking. Os brasileiros, sempre destaque nas ondas do verão europeu, vão ficar só assistindo os americanos, australianos e havaianos brigarem por mais um título mundial.
Tudo pode acontecer, acho até que pode dar uma zebra. Mas, vamos torcer por nossas meninas e esperar que no próximo ano nossos meninos possam disputar o tão sonhado título mundial profissional.