Redes do Sul

FGS batalha regulamentação

Governadora Yeda Crusius em audiência com a FGS, Federação Gaúcha de Surf. Foto: Arquivo pessoal.

“Este é um instrumento do esporte da vida, vamos preservá-la”. Com esta bela frase a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, selou nossa audiência no Palácio Piratini, abrindo as portas do Governo para a vergonha gaúcha.

 

O estado é o único no mundo onde 45 jovens surfistas morreram estupidamente nos últimos 24 anos no litoral, ou será “lixoral”? Nem as vítimas de ataques de tubarão, tsunami e outras calamidades pelo mundo afora, não ceifaram tantos amantes das ondas como aqui em nosso estado. 

 

Trago este assunto polêmico para uma reflexão. Quem são os verdadeiros culpados? Os pescadores profissionais e amadores, que abandonam aquelas armadilhas humanas a bel prazer?

 

Os prefeitos, o IBAMA, o Ministério Público Estadual, o Federal, a brigada militar, a federação e associações de surf, o ministério da pesca, a FEPAM, os deputados estaduais, os deputados federais e senadores da bancada gaúcha no Congresso, o secretário de segurança ou o governador do estado? Os meios de comunicação? O segmento surf? Quem? Quem assumirá estas tragédias?

 

Hoje temos filhos esportistas e pais esportistas. Mário Xavier, última vítima, afogado num acessório de rede de pesca em Mariluz, Imbé (RS), tinha 45 anos e 2 filhos adolescentes, que assistiram a morte do pai, no  dia 27 de dezembro de 2005, em plena temporada de verão.

 

Quando resgatado pelos salva-vidas tarde demais, os jornais, tvs, rádios e toda comunidade comentaram, mas na prática, continuamos na terra de ninguém.

 

Comentário de alguns furões: “ué, mas não era mais para existir aquele artefato, na temporada sagrada de lazer, que vai de 15 de dezembro até 15 de março!” Temporada de férias e descanso? Dentro de uma zona urbana e balneário? Repleto de veranistas, banhistas, surfistas, bodyboarders, nadadores e agora kitesurfistas?

 

Afirmo categoricamente, todos são culpados! Todos tem uma parcela de culpa, por omissão, por descaso, por irresponsabilidade, onde a morte de um cidadão surfista virou banalidade. Ninguém comenta mais nada depois de 30 dias do fato.

 

Nós surfistas devemos fazer um “mea culpa”, por não participarmos das reuniões quando convocados, pois fazemos parte da sociedade civil organizada, ou não? Ou Só queremos que o pai, que o político, que o governo e que o Presidente da República resolvam? Sentados em nossas pranchas no outside, em momentos mágicos, esperando o swell!

 

Hoje tudo mudou, temos que correr atrás de nossos direitos e protestar, pois votamos, compramos produtos e pagamos impostos.

 

Se existir pressão de um grupo organizado com um político liderando, com propostas claras e objetivas, temos grandes chances de solução. O pescador profissional e amador, possui colônia, associação, sindicato, federação e ministério em Brasília. Elege seus líderes no parlamento e cria normas e regras que irão beneficiar toda a categoria.

 

Nós surfistas, passados 21 anos depois da legalização do esporte surf pela ABRASA, da qual fiz parte da fundação e diretoria, que era apenas diversão e não fazia parte do sistema de desporto brasileiro  até 1987, hoje nada mudou, em relação ao equipamento e suas regras de utilização.

 

Temos regras definidas para as competições via CBS, mas e o Free surfer? E o leigo que adquire o produto em uma surf shop da esquina? Cadê?

 

Veja bem, a prancha de surf e os acessórios não possuem um selo do INMETRO, garantias de 3 meses ou 1 ano, assistência técnica autorizada, telefone de 0800 para SAC, cartilha de utilização, regras de uso, praias permitidas e seguras por região e cuidados para o leigo, como aulas de natação, aulas de escolas de surf credenciadas no Brasil, etc.

 

Não existe o preenchimento de um cadastro na hora da compra, com nome, RG, CPF, endereço, dados mínimos, para termos um cadastro estadual e nacional dos praticantes amadores, que são a grande legião no Brasil.

 

Com estes dados reais teremos como pressionar qualquer governante. Fora isso, continuaremos sendo as vítimas da ignorância e o sistema nos taxará sempre como mercado informal.

 

Portanto chega de surfista avestruz!

 

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