Parecia que ia levar muito tempo para pegar, mas a febre do stand up paddle ou sup como é mais conhecido, realmente veio para ficar.
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Aliando a facilidade e plasticidade do longboard a uma tradição secular do esporte, a geração moderna de praticantes desta modalidade garantem que o surf com auxílio do remo não tem nada de monótono, lento ou qualquer outro adjetivo que o classifique pejorativamente, muito pelo contrário, vem se mostrando inovador com um repertório variado de manobras velozes e modernas.
Aqui no Brasil, uma das primeiras disputas oficiais aconteceu no final do ano passado, durante a etapa final do Petrobras Longboard Classic, em condições pesadas na praia da Macumba, Rio de Janeiro (RJ).
Personagem notável, vice-campeão nessa disputa, o longboarder profissional carioca Jaime Rocha se dedica desde a chegada da modalidade aqui no Brasil e impressionou todos durante o evento, em uma bateria acirrada contra a lenda viva do longboard nacional Picuruta Salazar.
Batemos um papo com Jaime durante uma session de treinos na Barra da Tijuca, que você confere junto com uma galeria irada de fotos clicadas por Gugah Mariano.
Jaime conte um pouco da sua história no esporte, como começou? Quando começou a surfar de longboard? Quais suas principais conquistas como atleta?
Comecei a surfar de pranchinha com uns 12 anos e de longboard há uns 6 anos, com auxílio do profissional Luigi Coutinho e Alexandre da escolinha da Cyclone. Eu surfava de pranchinha e às vezes pegava os longboards deles para surfar.
Acabei fazendo um longboard com o shaper Daniel Friedmann para mim. Gostei tanto que deixei a pranchinha de lado. Em um mês de longboard competi no campeonato do ASBT no Barramares e fiquei em segundo lugar.
Isso me deu maior motivação para treinar mais e me dedicar ao longboard. Daniel Friedmann me deu um apoio e me incentivou a continuar com o longboard. Minhas principais conquistas foram: vice-campeão do Circuito ASBT 2004, campeão brasileiro amador 2005, campeão do Circuito Petrobras Longboard Classic 2005,
campeão da etapa da Bahia 2005, campeão da etapa da macumba 2007 e vice-campeão do Circuito de Cabo Frio 2007.
Como e quando surgiu a idéia de surfar de sup (stand up paddle)? Quem te incentivou e quem são suas referências nessa modalidade?
Eu sempre via dois coroas, Carlos Augusto e Julio Tedesco, surfando de stand up em frente de casa, no Posto 3 da Barra da Tijuca. Um dia o Carlos me emprestou o sup dele, consegui pegar umas ondas e me amarrei no brinquedo novo.
O Daniel Friedmann tinha um stand up 9″8′ e eu pedi emprestado para ele, pois queria um para mim. Fiquei surfando quase um mês e no Petrobras Longboard Classic, em novembro do ano passado, rolou uma bateria de sup.
Como o Daniel era o diretor do evento me chamou para competir e eu acabei indo. A bateria era eu, Picuruta Salazar e mais dois caras de são Paulo. Acabei pegando altas ondas na bateria e quando eu saí da água todos vieram falar comigo, dizendo que eu tinha surfado muito bem e tal.
Fiquei em segundo lugar, atrás do Picuruta e ganhei um bloco de sup. Então o Daniel Friedmann fez um sup para mim, um 9″4′ com o bico bem redondo. Ficou muito bom, tanto para o radical quanto para o clássico. E de lá para cá só tenho surfando de stand up.
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Os mestres para mim são os caras que me colocaram no sup: Carlos Augusto e o Julio Tedesco. Eles surfam muito bem e se jogam em mares grandes.
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Picuruta Salazar e Carlos Bahia também estão quebrando de stand up e estão mostrando que este esporte pode ser muito radical como clássico também, além de permitir que se surfe em qualquer tipo de mar: grande, pequeno onda cheia, e buraco. O havaiano Bonga Perkins também está quebrando no stand up.
Quais são seus planos surfando de sup? Competições e viagens por exemplo.
Pretendo continuar treinando cada vez mais de sup para aprimorar algumas manobras. Campeonato, infelizmente ainda não têm muitos de sup, deve rolar no Petrobras Longboard Classic nas duas etapas, no Espírito Santo e na Macumba, além do Ecorodovias em Santos. Eu pretendo competir em todas.
Estou com planos de fazer algumas surf trips. Quero ir nesse ano para o Peru e no final do ano estou vendo se vou para o Hawaii.
Quais as principais diferenças que você nota entre o surf de sup e o de longboard? Como isso pode interferir durante a competição?
A principal diferença entre o long e o sup é a dimensão das pranchas, pois o sup é bem maior que um longboard em comprimento, largura e espessura. O sup tem ajuda do remo, o que interfere muito na hora de fazer as manobras, pois todas as manobras exigem que se coloque o remo na água.
Com o tempo e treino acaba sendo muito parecido com o surf de long, porém no longboard ainda dá para ser muito mais radical do que no stand up. O sup proporciona um surf mais clássico e de linha, são poucos que estão partindo para um lado mais radical.
E fora que para surfar de stand up é necessário que tenha uma vala mais definida para se entrar, pois se não fica muito difícil e demorado para ir ao outside. Em competição ainda faltam os atletas e juízes definirem algumas regras, tanto técnicas como no tamanho e largura de prancha, critério utilizado no julgamento, etc.
No Hawaii, por exemplo, a prancha deve ter no mínimo de 10 pés e as regras privilegiam o atleta que consegue um equilíbrio entre o clássico e o radical.
Existe alguma preparação específica, tanto técnica como física, para o sup? Quem te orienta nesta jornada?
Um tipo de preparação que eu uso bastante no stand up é remar até as ilhas em frente da Barra da Tijuca. Além de ser um passeio muito bonito, também é um ótimo treino, que dura uns 20 minutos.
Tem também o Monkey Board, uma tábua de madeira com um rolo embaixo, que trabalha muito o equilíbrio e concentração.
Eu tenho trocado muitas idéias com o Carlos Bahia e o Picuruta sobre manobras e surfo direto com o Carlos e o Julio. Eles sempre ficam de olho no meu surf, manobra e estilo. Sempre me dão umas dicas boas para eu melhorar tanto na parte clássica como na radical.
Também converso muito com meu shaper Daniel Friedmann sobre tipo de prancha, sempre evoluindo e com equipamento de primeira.
Às vezes percebo dentro d?água outros surfistas reclamando um pouco de longboarders especialmente em dias pequenos ou de poucas ondas. Como a galera no Rio tem encarado a presença do sup no meio do crowd?
Essas reclamações de pranchinhas com os longboard sempre teve, pois com um longboard o cara tem muito mais remada. Com o stand up acontece a mesma coisa, só que agora os longboards estão reclamando do sup.
No Rio, o número de stand ups está crescendo a cada dia mais e tem gente que nunca surfou na vida indo direto para o sup. Acho maneiro, pois assim o esporte cresce e tem mais divulgação. Mas o pessoal que está surfando de sup tem que ter consciência e tomar muito cuidado com os outros surfistas, pois tem muita gente surfando de sup sem noção nenhuma e com isso pode machucar alguém. Tem que saber também liberar as ondas para as pessoas que estão ali treinando ou apenas se divertindo.
Acho que tem como todos surfarem na mesma vala sem stress, sem briga. Basta que um respeite o outro, pois pois tem onda para stand up, longboard e pranchinha. A praia é grande!
Jaime Rocha tem 27 anos e conta com patrocínio do shaper Daniel Friedman. Apoio: Uniti.


