O australiano Mick Fanning conquistou o segundo título mundial de sua carreira no último mês de dezembro no Billabong Pipeline Masters, etapa final do ASP World Tour 2009 realizad no North Shore de Oahu, Hawaii, em ondas perfeitas de até 3 metros.
A briga pelo título foi uma corrida entre dois amigos de infância e o único homem que podia arrancar a liderança de suas mãos era seu compatriota Joel Parkinson.
A entrevista abaixo foi concedida por Mick Fanning no dia da conquista para a Red Bull, uma das empresas patrocinadoras do atleta.
Como se sente com a conquista do segundo título mundial?
Muito emocionado. Ganhei o primeiro título em 2007, mas nunca tinha parado para imaginar como seria ganhá-lo pela segunda vez. Pensei que estaria mais preparado, mas me enganei. Até então o momento estava incrível e favorável a Joel Parkinson na corrida pelo título, mas quando vi tudo indo pelos ares, ao mesmo tempo fique bem chateado.
Acabou sendo uma pressão psicológica muito grande. Tentei manter a postura e foco naquele momento. Nos últimos dois meses de 2009, as etapas foram realmente sangrentas para mim, uma batalha em seguida da outra. Não conseguia acreditar que tudo tinha acabado e o troféu estava em minhas mãos.
Como foi estar em Pipeline, Hawaii, com Joel Parkinson vendo o sonho dele desabar e teu segundo título mundial virar realidade?
(Nota da redação: Joel precisava ir para a semifinal do Billabong Pipeline Masters para brigar pelo título mundial, mas foi derrotado pelo havaiano convidado Gavin Gillette no terceiro round, o que deu o título de campeão mundial de 2009 a Mick Fanning)
Eu tinha uma mistura de sentimentos dentro de mim. Sem dúvidas, estava muito feliz e animado com o título, pois tive que batalhar muito para concretizar a vitória. Quando Joel perdeu senti muito por ele. Ele é um ótimo amigo, todos sabem disso, e nós dois estarmos disputando o mesmo título em Pipeline realmente foi algo surreal.
A verdade é que todos sabem que no final disso tudo um de nós levantaria a taça de campeão mundial e o outro ficaria realmente decepcionado e triste. Era um desfecho guardado para um dos dois. Mas independente de quem fosse o campeão, eu ou ele, no fundo ficaríamos felizes com o vitorioso.
Foi muito gratificante ver Joel remando na minha direção depois de anunciarem meu título. Parko teve um ano incrível. Se não fosse a tal lesão sofrida por ele no meio do ano, minhas chances de dar essa grande virada poderiam não ter se concretizado. Uma coisa é certa, sei que ele estará de volta em 2010.
Depois de ganhar o título mundial você teve que surfar as oitavas-de-final contra outro grande amigo, Dean Morrison.
Foi muito especial ter essa corrida pelo título com o Joel e estar com ele dentro da água quando conquistei o mundial, mas ter o Deano também ali no mar foi realmente surreal.
Eu ia todo dia para o colégio com eles, passávamos os finais de semana um na casa do outro pra surfar, competimos desde que éramos moleques e viajamos todo o mundo surfando e competindo até hoje. Eles sem dúvida são dois dos meus melhores amigos.
Depois de ganhar o título confesso que foi muito difícil focar naquela bateria contra o Deano, eu tentava manter minha mente concentrada na bateria, mas por dentro estava muito ansioso e doido pra sair correndo do mar e ir pra areia abraçar minha esposa, mãe e amigos. Deano ganhou aquela bateria e torci muito para que ele conquistasse a etapa de Pipeline.
Joel teve a chance de ganhar a Tríplice Coroa Havaiana, o que me deixou muito feliz. Mas meu desejo era que cada um de nós três pudesse levar pra casa uma vitória do Hawaii. Isso seria realmente incrível!
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É uma antiga tradição quando um australiano vence uma etapa ou um título mundial os demais aussies carregarem em seus ombros o campeão desde o mar até o pódio sem que o mesmo toque seus pés no chão. E você foi carregado por Parko e Deano…
Foi muito louco isso. Quando vi, Parko já estava ali na fila, esperando para me cumprimentar. Mas na hora que os dois me carregaram nos ombros pela praia foi muito especial e emocionante. Realmente foi um dos momentos que nunca mais esquecerei.
Quando ganhou o primeiro título mundial em 2007 no Brasil, você havia dito que teve um bom pressentimento naquele dia quando acordou. Você teve algum sentimento parecido na manhã da vitória em 2009?
Não senti nada. Em 2007 foi tudo diferente, eu estava mais confortável no ranking, por isso acho que a ansiedade não tomou conta de mim. Mas, em Pipeline, quando acordei estava supernervoso, ainda por cima depois de acompanhar o desempenho de Parko na temporada havaiana. Tive total certeza de que a batalha final seria travada bem nas últimas baterias do evento.
Procurei esquecer o que Joel estava fazendo para me concentrar na minha própria estratégia. Eu surfei antes de Parko no terceiro round e coloquei muita pressão sobre o adversário para ir confiante para a próxima bateria. Quando Joel entrou na água, as ondas pararam e parecia que todo o universo conspirava a meu favor.
Você se lembrou do seu falecido irmão Sean?
Sean está sempre na minha lembrança e em meus pensamentos. Durante a etapa ele também estava lá comigo. Penso nele nesses momentos grandiosos e difíceis, e acho que isso sem dúvida me ajuda muito a relaxar. O meu segundo título mundial com certeza o deixou muito orgulhoso.
Até o meio de 2009 você ainda não tinha feito nenhuma final, enquanto Parko venceu três das cinco primeiras etapas. Como conseguiu virar o jogo?
Para ser honesto, quando Joel venceu em Jeffreys Bay eu pensei em levantar a bandeira branca. Por sorte tivemos um longo período de intervalo entre as etapas depois de J´Bay. Pude aproveitar esse tempo pra me concentrar, reorganizar minhas metas e objetivos.
Minha equipe de apoio é incrível e me ajuda muito. Junto com eles consegui mudar o meu pensamento. Comecei a acreditar que ganhando pelo menos duas etapas eu iria reconquistar a confiança e resgatar a oportunidade de brigar pelo título. Decidi então competir no US Open, antes da etapa de Trestles, e cheguei até a final. A partir daquele momento senti que a hora da virada havia começado.
Depois de vencer Trestles você foi para a França e faturou também o caneco. Logo depois fez sua terceira vitória no Rip Curl Pro Search, nas ondas pesadas de Portugal. Você sentiu que havia entrado em um ritmo imbatível?
Senti que estava em um ótimo momento e posição favorável na perna européia. Eu tinha uma prancha mágica da DHD (Design Mick Fanning Pro) fruto de um longo trabalho com Darren. Não tem jeito, suas pranchas são sempre fora de série. Outros fatores favoráveis também foram o fato de não ter lesões e muita confiança dentro de mim, principalmente depois da vitória em Trestles, Califórnia (EUA).
Na Europa pude contar com a presença de minha esposa em minhas duas vitórias. Isso sem dúvida ajudou a deixar minha mente mais livre e concentrada para a difícil tarefa de superar Joel. Eu não tinha como estar mais preparado do que estava para aquela perna.
Depois de vencer na França eu tropecei em Mundaka, Espanha, mas as condições estavam tão horríveis que esta derrota não me deixou abalado. Tão logo terminou Mundaka já fui correndo para Portugal, não esperei por ninguém, joguei tudo no carro e saí fora.
Portugal estava épico, as ondas enormes, muito pesadas e tubulares. Joel Parkison foi bem nesta etapa. Senão fosse o Bede Durbidge derrotá-lo na semifinal, sem dúvida complicaria ainda mais pra mim na última etapa, no Billabong Pipeline Masters.
Como foi o seu treinamento para o título mundial de 2009?
Eu faço um trabalho sério com a CHEK Austrália (empresa de reabilitação e treinamento de alta performance para atletas) há alguns anos, em 2009 não foi diferente.
Me adaptei muito bem com o programa de treinamento da CHEK e todos meus treinadores e médicos já me conhecem há anos, isso facilita bastante na rápida identificação do que preciso melhorar fisicamente e psicologicamente.
Tive um forte treinamento com um dos maiores treinadores de alta performance da Red Bull este ano, no qual consegui absorver muito de toda experiência e know-how que ele tinha pra me oferecer.
O ano acabou e agora você vai voltar para casa com o segundo título mundial de surf, como será a comemoração desta vitória?
Eu ficaria muito feliz em sentar e ficar olhando meu troféu por um bom tempo. Lembrando de tudo e deixando todas as dificuldades que passei para trás.
Mas hoje é noite de festa no North Shore. Deano (Dean Morrison) vai se casar aqui no Hawaii, por isso ficaremos para comemorar com ele. Depois, na Austrália, a festa continua.
Para saber mais sobre as pranchas da DHD e o modelo Mick Fanning Pro utilizado pelo atleta no ano de 2009, entre em contato com Marcelo Barros pelo email [email protected] ou acesse Base Surfboards.