Fanáticos da Pororoca dropam no Maranhão

Entre os próximos dias 8 e 13 de março será realizado um encontro inédito entre surfistas de ondas de maré (bore riders) na Pororoca do Rio Mearim, no Estado do Maranhão.

 

O projeto foi idealizado e organizado pelo surfista e jornalista paranaense Sergio Laus, um dos maiores especialistas brasileiros no fenômeno.

 

Laus já desbravou quase todas as pororocas do Brasil – nos Estados do Maranhão, Pará e Amapá – e no ano passado coordenou a expedição Surfando na Selva – Mascaret, se tornando o primeiro surfista brasileiro a deslizar na pororoca francesa.

 

Além de cravar a bandeira verde e amarela no sul da França, o paranaense realizou um importante intercâmbio cultural para troca de informações sobre os fenômenos de maré do mundo, bem como a propagação da consciência ecológica através de palestras com foco na educação ambiental.
 
O encontro no Maranhão irá reunir surfistas do Brasil, França e Inglaterra. Representando a França estarão presentes Bruno Boue, Fabrice e Antonie Colas – editor do “The World Stormrider Guide”. Pela Inglaterra, divulgando a Severn Bore, foram confirmadas as presenças de Tom Wright, Steve King e Stuart Matthews.

 

Já pelo Brasil estarão Sergio Laus, idealizador do encontro, Noélio Sobrinho, presidente da Associação Brasileira de Surf na Pororoca (Abraspo) e Junior Minhoca, presidente da Associação de Surf na Pororoca do Maranhão (ASPM).

 

“É muito importante à troca de informações e o contato com outras culturas. Muitas pessoas não sabem exatamente o que são as ondas de maré e agora podemos fazer uma analogia com o Tsunami, guardadas as devidas proporções”, explica Laus, que em setembro pretende desbravar a pororoca chinesa conhecida como Black Dragon.
  
“Muitos veículos de comunicação do Brasil e no mundo divulgaram imagens da Black Dragon como se fosse um Tsunami. Errado, mesmo porque os dois fenômenos são diferentes, apenas possuem características muito similares”, alerta Laus.

 

“Queremos fazer uma homenagem às vítimas do Tsunami momentos antes de encontrar com a pororoca e lembrar que é preciso respeitar a natureza. Vivemos nela, estamos embutidos nesse ecossistema!”, conclui.

 

A palavra pororoca tem origem no termo poroc poroc, que significa “destruidor, grande estrondo”, no dialeto indígena do baixo rio Amazonas. O fenômeno ocorre nas luas cheia e nova durante os períodos de equinócio e pode gerar ondas de até quatro metros de altura e velocidade entre 30 a 50 km/h.

 

Recentemente o fenômeno foi documentado pela revista National Geographic, em artigo assinado pelo colunista e videomaker Karin Muller. Segundo Laus, a matéria foi muito importante para o andamento de seus projetos, já que este ano pretende entrar no livro dos recordes estipulando novas marcas de permanência e extensão na onda mais longa do mundo, além de desbravar pela primeira vez a pororoca chinesa.
 
Mesmo com as diferentes peculiaridades do fenômeno em outros países, Muller destacou a magnitude, o fascínio e o poder que a pororoca brasileira exerce na população mundial. Para ver a íntegra do artigo acesse News.nationalgeographic.com/news/2005/02/0222_050222_tidalbore.html .

 

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