Já diz o ditado, família que cresce unida, permanece unida. Comecei a viajar nisso e resolvi escrever algumas linhas. Sempre viajo com uma família grande de surfistas.
No Breaka Burleigh Pro, primeira etapa do circuito mundial encerrada na Austrália, me chamou a atenção a importância da família presente na vida de alguns atleta que correm o mundo para competir.
Quando eu ainda era criança, em Balneário Camboriú (SC), comecei a competir por que me destaquei do crowd. Treinava pela manhã, tarde e algumas vezes noite adentro até não ver mais nada.
Meu pai pode ter influenciado todo meu futuro quando colocou eu e meus irmãos dentro do Maverick V8 da família e seguiu com destino a Floripa, a fim de acompanhar de perto o lendário Hang Loose Pro de 86 na Joaquina.
Lembro que parecia um sonho, mas aquele universo era muito distante de mim. Por outro lado, meu querido pai nunca foi muito presente em minha vida de competição.
A primeira cena que lembro do evento é de Dona Susie, mãe do jovem talento australiano Jack Duggan, que estava começando sua carreira. Ela torcia aos gritos. Isso parece ter chegado aos ouvidos do filho, que respondeu com alta performance nas ondas.
Depois, conheci o exemplo dos brasileiros Santiago e Alejo Muniz. Os irmãos trabalham em equipe. Os dois me transportaram ao passado, quando eu ainda era o presidente de uma associação local e isso era rotina.
Lembro como se fosse hoje de ver o sempre sorridente Rubens Muniz e sua esposa chegando com dois pimpolhos, barraca, pranchas e sacolas.
A família vinha de Quatro Ilhas. Com chuva ou sol, ficavam na barraquinha passando frio e muitas vezes necessidades, só para estar ali, incentivando a dupla e com a toalha seca para receber os garotos.
Alejo participou do Breaka Burleigh Pro apenas para estar mais próximo do irmão e comentou: “Fico mais nervoso quando ele está na água”.
Outro que tiro o chapéu e meu amigo Mr. Wright, pai do campeão do evento em Burleigh e um dos principais surfista do mundo na atualidade, Owen Wright. Ele estava presente desde o primeiro dia para filmar, aconselhar, ajudar na preparação e principalmente receber o filho de braços abertos depois de cada bateria.
Perguntei se eles viajavam juntos como em outros anos. “Agora ele caminha pelas próprias pernas. Está maduro para escolher o que é melhor para ele”, responde o veterano com lágrimas nos olhos.
Hoje, vejo que tenho o futuro dos meus filhos nas minhas mãos. Quero criá-los com os valores de família e fazer tudo que puder por eles, dentro e fora do surf.








