Yan Sondahl

Mentawai em família

Viajar pelo mundo à procura de ondas é sempre um desafio, e quando se faz isso com a família esse desafio se torna ainda maior. Em 2013 passamos três meses na Indonésia, mas não conhecemos Mentawai, isso nos deixou com um gostinho de quero mais e decretamos que 2014 seria diferente. Para não termos o problema de chegar ao final da trip sem condições físicas e financeiras para conhecermos o paraíso em forma de ilhas, nós decidimos viajar para Mentawai logo no início da temporada, e já saímos do Brasil com tudo planejado, sabíamos que ao chegar a Bali teríamos pouco tempo para descansar da viagem de três dias que sempre é muito exaustiva, e logo seguiríamos para a direção das Ilhas Mentawais, e foi exatamente isso que aconteceu.

Chegamos à Indonésia por Jakarta ainda sem passagem comprada para Bali, passamos uma noite no aeroporto nos revezando para conseguirmos cuidar das bagagens (que não eram poucas) e tentando manter os ratos e baratas longe das crianças que dormiam em camas improvisadas no chão. Logo que abriu a venda de passagens pela manhã corremos para garantir nossos tickets, mas mesmo assim não conseguimos vagas nos primeiros voos e com isso vieram mais sete longas horas de espera no aeroporto. O Caynan (com dois anos de idade) já não aguentava mais ficar parado e o Yan com toda sua energia acumulada estava insuportável, e a solução encontrada foi um centro de massagem onde a família toda aproveitou com muito prazer os trinta minutos de relaxamento que antecederam o voo. E finalmente partimos para Bali.

Em terra Seguimos nosso planejamento e depois de poucos dias começamos a nos organizar para a viagem dos sonhos do Yan, que não via a hora de explorar esse lado da Indonésia tão elogiado por todos e ainda desconhecido para nós. Começou a correria novamente atrás de passagens aéreas e traslados. Conseguimos um bom lugar para ficar em Playgrounds, próximo dos picos de surf e com uma boa estrutura para a família. Preferimos não ficar embarcados para que o Caynan tivesse um lugar em terra firme para voltar depois de cada queda, pois com uma criança de dois anos de idade não é tão simples fazer uma viagem dessa sem ter um lugar onde ele possa correr e brincar para descarregar a energia.

Saímos de Bali para Jakarta e depois Padang, onde passamos uma noite em um hotel qualquer e no dia seguinte foram mais duas horas de carro até o ferry que nos levaria para a ilha de Siberut. Passamos a noite na travessia e na manhã seguinte foram mais algumas horas, agora de fast boat, até finalmente chegarmos a Playgrounds. Terra firme, lugar paradisíaco, café da manhã na mesa, e um bom quarto com ar condicionado, tudo que precisávamos para nos restabelecer fisicamente antes da primeira queda.

Depois de alimentados, equipamentos prontos e equipe formada, chegou a hora de começar a brincadeira, o Yan não via a hora de surfar e o Caynan sempre de bom humor estava pronto para mais barco. Uma experiência nova, procurar o melhor lugar para surfar a bordo de um barco com surfistas loucos para salgar o couro, estávamos preparados para boas horas de surfe, munidos de comida e bebida, para não termos que voltar tão cedo ao resort. Para o primeiro dia o que escolheram foi Beng-Beng, um pico conhecido onde as esquerdas perfeitas deram boas horas de diversão para aqueles que estavam a dias esperando por essa queda.

Experiências E essa foi nossa rotina nos próximos 12 dias, acordar com um bom café da manhã e embarcar à procura de ondas nos mais de 15 picos que cercam a região de Playgrounds, voltar para o almoço e depois de uma ou duas horas de descanso partir novamente para a escolha da onda, voltando apenas ao anoitecer, onde depois da janta todos se reúnem para rever as ondas surfadas durante o dia e trocar histórias e experiências adquiridas através do surf nos mais variados lugares do mundo. Entre os que estavam a bordo nessa trip, João Maurício Jabour era o mais experiente, sempre com bons ensinamentos seu apelido de “Professor” era perfeito. Muitas histórias, muitas dicas e imagens que ficarão na memória do Yan para que ele saiba o que e como fazer nas ocasiões em que a vida de surfista exige conhecimento para que cada onda surfada seja aproveitada ao máximo.

Nos intervalos da maré, quando as ondas ainda não estavam no seu auge, Guilherme que era nosso guia também sabia escolher bons picos de mergulho, disponibilizando o equipamento necessário nos levou a vários aquários naturais. O Caynan que adora mergulhar amou ver de perto os peixes e corais que chegavam a brilhar de tão coloridos. A água translúcida permite que vejamos os detalhes do fundo do mar mergulhando apenas superficialmente. Já o Yan mais ousado mergulhou fundo, até onde seu fôlego permitia e aproveitou para um rápido treinamento de apneia, sempre útil para quem passa a maior parte dos seus dias dentro da água, e com oito anos de idade esses treinamentos se tornam realmente fundamentais.

Gosto de quero mais Já chegando ao final da trip, o swell se aproximou e os dois últimos dias foram épicos. Bank Wolts com direitas que iam de seis a dez pés foi o maior mar que pegamos em Mentawai. O Professor Jabour e os outros mais experientes se deliciaram nas maiores enquanto o Yan aproveitava as ondas intermediárias para afiar seu backside. O lip da onda era pesado e assustou no começo, mas logo o Yan se sentiu em casa e dropou altas ondas que para ele se tornaram inesquecíveis.

A trip acabou, mas depois de doze dias exaustivos e divertidos ninguém estava disposto a passar a noite no ferry, então voltamos direto à Padang de fast boat economizando boas horas de viagem. E fechando com chave de ouro uma das melhores trips das nossas vidas até hoje voltamos satisfeitos e exaustos para a maravilhosa Bali.

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