
O formato do circuito WQS é, na minha opinião, muito protecionista. Devido a esta proteção, a renovação na elite do surfe tem sido muito pequena.
Os tops sempre entram na frente e fica muito difícil para um surfista que vem da triagem furar o bloqueio. Para 2003, apenas três surfistas estréiam na lista, incluindo aí o Danilo Costa, que não é nenhum moleque novo na praia.
Se levarmos em consideração a dificuldade de bancar os custos para quem está fora do circuito, e o fato de os tops terem os custos das viagens diluídos entre as etapas do WCT, na qual eles já entram recebendo, a dificuldade aumenta.
Eu não quero discutir o direito adquirido por ser um dos melhores do mundo, e sim o formato de qualificação, que interfere na formação dos surfistas da elite, influenciando no sucesso e nos atrativos do circuito profissional de surfe.
Sob o ponto de vista do marketing, os formatos dos eventos devem ser modificados para acompanhar as mudanças e as tendências do mercado. A direção da ASP já mostrou estar atenta e colocou uma triagem obrigatória em todo evento WCT.

Esta mudança foi boa, mas ainda não é o suficiente, a renovação tem de ser mais ampla, temos que trazer novos atrativos para cada etapa. As primeiras fases estão muito chatas, e a participação de novos surfistas oferecerá novos duelos, e que podem ter incentivo da torcida local.
No Brasil, a nova geração está dividida entre o Super Surf e o WQS, e é muito difícil correr o brasileiro e se dedicar seriamente ao circuito classificatório.
Da geração que esteve no Bali Grommet em 98, os australianos já emplacaram Joel Parkinson e Mick Fanning no WCT, e nós só o Paulo Moura. O Marco Polo, o Raoni Monteiro e o Danilo Grillo ainda não conseguiram consistência em um bom ano de WQS.
Para dar uma idéia, o Danilo Costa é da geração de 95, depois disso, fora o Moura, só tivemos o Marcelo Nunes de novidade. Na verdade, o único país que tem colocado novos surfistas todos os anos é a Austrália, pois os norte-americanos ainda são os mesmos de vários anos.

Nos últimos anos só emplacamos três caras novas no WCT, é muito pouco para o tamanho do surfe brasileiro e sua capacidade de formar novos talentos.
Os técnicos e patrocinadores que estão envolvidos na formação e no planejamento da carreira da nova geração têm que escolher entre o WQS e o SuperSurf, pois acredito que a concentração em um só circuito é fundamental para o sucesso do desafio.
Não adianta correr a perna européia, gastar milhares de dólares e não correr o resto do circuito. Para se ter sucesso no WQS, é preciso investimento mínimo de dois anos, para correr todas as etapas pelo mundo, que nem os australianos fazem, sem essa de “saudade”, voltando apenas no final, depois do Hawaii.
Abraço e bom carnaval.