#O paraibano Fabio Gouveia é, na minha opinião, o melhor surfista brasileiro de todos os tempos. Ele mostrou nesta última etapa do WCT, na África do Sul, que, mesmo depois dos trinta anos, continua em condições de chegar junto. E com tamanha habilidade tudo fica possível.
Respeitado pela velha guarda do WCT e capaz de surpreender a nova geração, Fabinho continua evoluindo e hoje está manobrando mais forte e com muito mais experiência. Depois de surpreender o mundo em 88 ao sagrar-se campeão mundial amador, ele partiu para o circuito mundial da ASP e, em dois anos, já fazia parte dos top 30.
#Logo em seus primeiros anos ele se destacou, sempre mostrando um surf recheado de leveza, estilo, velocidade e fluidez. Gouveia é um competidor nato e um dos melhores de toda história da ASP, sendo um dos que mais acumularam dinheiro em premiação do circuito.
Conheci o Fabinho no OP pro de 86, na Joaquina, treinando ao lado da área de competição. Em ondas bem pequenas do verão do sul, ele voava com uma prancha amarelada. Dava para sentir sua habilidade e, por incrível que pudesse parecer ele era da Paraíba, um Estado sem tradição no surf e com poucas praias boas para a prática do mesmo.
#Nos ano seguinte, ele não parou de evoluir e foi o melhor surfista amador de 87, quando tivemos várias etapas do primeiro circuito da categoria. Sua meteórica carreira culminou com o título mundial conseguido em Surfer?s Beach, Porto Rico. Durante o mundial ele progrediu a cada bateria e na final foi claramente o melhor, desbancando australianos, americanos e havaianos.
Sua vitória surpreendeu o mundo e levou o nome do nosso país para toda comunidade do surf mundial. A partir daquele dia o surf brasileiro ganhou uma nove dimensão. Os horizontes seriam outros e o Brasil se tornaria mais uma potência mundial do esporte. Cantar o nosso hino na entrega de prêmios foi uma das maiores emoções da minha vida.
#Além de todo o talento, Fabinho tem carisma, é simpático e, mesmo sem falar muito bem o inglês, se tornou amigo da maioria dos surfistas do circuito com muito profissionalismo, além do jeito tímido e ao mesmo tempo alegre.
Aos 32 anos, o atleta é um exemplo a ser seguido em nosso esporte. Caras como ele nos deixa orgulhosos da técnica e do discreto charme da simpatia do surf brazuca. Se o Mark Occhilupo foi campeão depois dos trinta ele também pode, pois talento não falta e fisicamente ele sempre se cuidou, é só uma questão de objetivo e vontade.