
Fabio Aquino é um dos bodyboarders com mais realizações dentro do esporte. Na época de amador foi campeão brasileiro e vice-campeão mundial em um dos roubos mais descarados da história do esporte. Como profissional competiu em Pipeline várias vezes, foi campeão carioca e esteve entre os top 5 do circuito mundial nos primeiros anos do tour.
Hoje, Fabio é casado com Ana Claudia e pai de Pedro. Mora na Barra da Tijuca (RJ), representa a BSD no Brasil e tem sua própria linha de roupas, a Aquino clothing. Mesmo assim, Fabio pega onda quase todos os dias em São Conrado ou mesmo na Barra. Continua disputando eventos profissionais e venceu a primeira edição do Bodyboarding Master Series, evento dos dinoboarders, que rolou em São Conrado. Conheça nas próximas linhas, um pouco mais desse mito do esporte:

Comente o inicio de sua carreira? Alguém o influenciou?
Comecei a pegar onda em Ipanema, de peito. Minha primeira prancha ganhei no natal e comecei a pegar onda direto. Logo me interessei pelos campeonatos. Quem me influênciou muito na época foram Guilherme Tâmega e Mike Stewart. Comecei então a competir e estou no esporte até hoje.
Qual o mar que mais gosta de surfar? Onde fica esse pico?
No Rio, gosto de pegar onda em São Conrado. Mar de onda buraco, tubular. Gosto também de cair em Itacoatiara, mas é longe da minha casa. Fora do Brasil, Pipeline, Indonésia e o Tahiti

Como foi o seu maior caldo?
Essa é boa. Tive caldos memoráveis, um deles. em Itacoatiara, eu tomei duas ondas seguidas na cabeça. Uma vez, na Indonésia, em Uluwatu, não sai de um tubo e fiquei rodando muito tempo. Mas tem outro, que foi o pior. Quando fui competir no ano 2000, em Teahupoo, no Tahiti, desci uma onda e não consegui cavar, tomei um caldo muito grande e dei umas dez cambalhotas embaixo da água. A sorte é que eu estava bem treinado. Senão acho que teria acontecido alguma coisa pior.
Como você encara a derrota e a vitória?
No começo, não conseguia encarar a derrota de uma forma normal. Ficava muito p…

comigo mesmo. Hoje, se ainda estivesse competindo todos os campeonatos, acho que levaria numa boa. Mas agora, encaro a vitória sempre com muita felicidade. Quando ganho uma competição fico aliviado de ter conseguido superar todas as barreiras que são os outros atletas.
Quem são seus idolos atualmente?
No bodyboard são Guilherme Tâmega e Mike Stewart. Mas, atualmente, ídolos mesmo são meus pais e toda a minha família.
Como você conciliava sua vida profissional e a pessoal já que viajava muito?
Era bem difícil. Dou graças a Deus que tenho

uma mulher que sempre entendeu minhas ausências. Minhas viagens no meio do casamento. Hoje é tranquilo, quando viajo é coisa rápida. E agora com o nascimento do Pedro, fica mais difícil conciliar trabalho, pegar onda e cuidar do nenêm. Mas daqui a pouco vamos tirar de letra.
Você tambem é empresário. Como surgiu sua marca e qual tipo de artigos você vende?
A marca surgiu em uma viagem que fiz com meu atual sócio Elissandre Varela. Eu tinha a ídeia de fazer a marca Aquino acontecer. Já estava trabalhando com o Ben Severson a idéia de trazer a marca dele, a BSD. Eu precisava de uma pessoa que estivesse mais no Brasil do que

eu, que na época viajava muito. Então ficamos sócios e trabalhamos juntos até hoje. Está dando muito certo essa parceria. Mesmo sendo o mercado do bodyboard muito difícil, colocamos o foco da marca Aquino para o público das pessoas comuns e os simpatizantes do bodyboard. E a BSD (Ben Severson Design), que é direcionada para os bodyboarders.
O que ainda falta ser conquistado?
O que ainda falta conquistar? (pensa) Há muita coisa! È levantar a empresa que ainda não está nos devidos lugares. Batalhar sempre, crescer o négocio que a gente montou que é a Aquino e a BSD no Brasil. Para que eu possa dar uma boa vida a meu filho e para a família do meu sócio e

de seus filhos que ainda vão vir.
Você recentemente teve um filho. Como está sendo essa experiência?
É maravilhoso… O fato de ver o moleque saindo da barriga da sua mulher é inacreditável… Uma emoção muito forte. Estou muito feliz.
Você já fez alguma loucura por amor?
Uma que me lembro, foi com a minha mulher, a Ana. Eu tinha um campeonato em São Paulo e ela tinha uma grande festa. Se não me engano era um casamento de uma amiga nossa. Eu perdi no campeonato e era cinco horas da tarde,

a festa começava as sete da noite. Saí direto da praia e fui de carro direto até o Rio para chegar na festa com a minha mulher. Eu lembro que me troquei no carro, foi um lance muito louco. Eu fui da praia direto para a festa, dirigi cinco horas direto sozinho.
Qual foi o maior perrengue que já passou?
Eu passei um perrengue animal agora, na última viagem que fiz pro Tahiti. Queria pegar uma onda chamada Tapuna. Achei que tinha altas ondas e remei 40 minutos, o pessoal costuma ir de barco. Como não tinha barco, fui remando. Cheguei por lá e o mar estava horroroso. Para voltar, demorei uma hora remando contra a corrente. No Tahiti existem

várias lagoas, e é na saída dessas lagoas que rolam as ondas.
O que faz você sentir medo?
Hoje em dia, morando no Rio de Janeiro. Sinto medo quando vejo esses noticiários de tiroteio. Agora tenho um filho e fico pensando: É mesmo aqui que quero morar? Traduzindo em linguagem do esporte, é o mesmo que entrar em um mar grandão sem estar no rip, sem treinamento. Não é exatamente medo e mais adrenalina.
O que falta para o bodyboard ser tão reconhecido quanto o surf?

O pessoal tem que criar algo diferente do surf. Nosso esporte não pode realizar campeonatos em mar pequeno, como no surf. No surf, o cara pega a marola e dá um aéreo. No bodyboard, fica uma coisa meio estranha. Tem que ter onda. O organizador tem que formular campeonatos em condições boas para os atletas mostrarem o que é o bodyboard realmente. Com isso, chamar a atenção da mídia em geral. Campeonatos de ondas pequenas, com premiação baixa e sem público na praia não nos leva a lugar nenhum. Falta uma organização de verdade, uma Confederação ativa e presente ajudando os atletas. Tem muitos atletas com capacidade de ganhar compeonato aqui e lá fora, só que não tem condição nem de viajar

dentro do pais.O bodyboard está de certa forma abandonado.
Rapidinhas:
Alimentação: Hoje em dia eu como de tudo. Mas sempre tento evitar frituras e chocolate. Quando eu competia o Circuito Mundial, vivia na loucura da dieta.
Superstição: Na época em que competia direto, não podia trocar nem de short e nem de prancha.
Livro: Brida (Paulo Coelho)
Drogas: São para a galera ficar de fora.
Sexo: Muito bom.
Morte: Antigamente não conseguia falar sobre isso, mas é o que vai acontecer com todo mundo um dia.
Se eu fosse presidente… Eu não quero ser presidente (risos)