Fabinho, orgulho brasileiro

O ano era 1987. Dava as minhas primeiras braçadas no surf na praia da Avenida, em Ilhéus.

 

Como sempre foi do meu feitio, puxei conversa com um cara mais velho que estava ao meu lado.

 

Seu apelido era Sapo. Entre um papo e outro ele comentou de um amigo dele da Paraíba que ainda ia dar o que falar.

 

Fábio Martins Gouveia, nascido em Bananeiras (PB), em 26/8/1969, com apenas cinco anos de surf era o novo fenômeno que despontaria no cenário nacional e mundial.

 

Neste mesmo ano ele garantiu o título brasileiro amador. No ano seguinte fiquei chocado ao ver o Fabinho na capa da revista Veja como o primeiro brasileiro campeão mundial amador.

 

Um garoto de 18 anos, saído de uma terra humilde e sem ondas que assombrou o planeta e conseguiu o que muitos consideravam impossível, ser campeão do mundo!

 

No mesmo ano o Alfio da Hang Loose, empresário visionário, apostando no seu talento nato, sem esquecer do seu parceiro Teco, é claro, colocou a dupla dinâmica para pôr o pé na estrada e infernizar a vida dos gringos no circuito mundial.

 

Com apenas algumas etapas pontuadas Fabinho já alcançou, a até então para nós inédita 54ª colocação.

 

 

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A carreira de Fabinho será sempre um exemplo a ser seguido por todas as gerações. Um sujeito alegre, amistoso, sempre de bem com a vida.

 

Atleta dedicado, com um surf impecável, de linhas tão harmoniosas que só podem ser comparadas ao Mr. Perfection, Tom Curren, ou será que o Curren é que pode ser comparado a ele?

 

Assistir ao Fabinho surfar é um espetáculo para os olhos. Manobras perfeitas, estilo impecável, fluidez de dar inveja até ao Kelly Slater (não é exagero!).

 

 

A partir do ano de 88 o garoto da Paraíba escreveu seu nome no hall da fama, colhendo os frutos da sua raça e força de vontade.

 

Em uma ascensão meteórica foi galgando os degraus, batendo de frente com os grandes ídolos do esporte. Não existia gringo que não temesse encarar o bem humorado Fabinho.

 

Martin Potter, Carrol, Hardman, Derek Ho, Taj e até o Kelly, tiveram muitas vezes de voltar para casa mais cedo reverenciando o talento do brasileiro cabra da peste!

 

Em 89 já foi back fourteen, no ano seguinte Top 16. Além de ter sido campeão mundial amador, foi o primeiro brasileiro a ganhar uma etapa do mundial, o Hang Loose, em 1990, no Guarujá, contra Matt Hoy. O primeiro a ganhar um evento no exterior, o Arena Biarritz, em 1991, contra Pottz.

 

Primeiro a ganhar um evento no Hawaii, o Sunset World Cup. Primeiro brasileiro a tirar um dez em Teahupoo, Tahiti (a onda mais perigosa do mundo), Rookie of the year em 1991 (revelação do ano),  campeão mundial WQS em 1998, primeiro brasileiro a figurar entre os top 5 do WCT em 1995. Prestigiando também o circuito nacional, foi campeão brasileiro em 1998.

 

 

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Essa sua ascensão durou até o ano de 1996, quando já cansado, com muitas saudades de casa, da mulher e dos filhos perdeu a sua concentração e deixou escapar a sua vaga no WCT para o ano seguinte.

 

Como definiu bem o José Lúcio Cardim, em matéria na revista Fluir, ?Fabinho é um sujeito bem-humorado ao extremo, e poucas coisas  o fazem perder a graça. A distância da família é uma delas. No tempo em que convivi com ele, durante uma perna européia do WCT, problemas não eram problemas. Mas “cadê Elka e as crianças que não chegam?…”

 

Disputou o WQS no ano de 1997 e por um erro tático deixou de novo a vaga escapar. Quando todos já comentavam que a sua carreira havia

terminado, o Fabinho volta melhor que antes.

 

No ano de 1998 ganha logo no início da temporada um quatro estrelas, tendo depois uma seqüência de vices em campeonatos importantíssimos como o Guston 500, tirando Kelly Slater na semifinal, e finalmente coroando o título de campeão mundial WQS e a volta triunfal ao WCT com uma vitória em casa em um três estrelas.

 

Coroando uma carreira de sucessos, teve a sua história contada no premiado filme Fábio Fabuloso, que encantou a todos que assistiram.

 

Hoje continua correndo campeonatos pelo mundo afora, inclusive tendo ganho a primeira etapa do Supersurf, mas por um sortilégio do destino, ao voltar das Maldivas contraiu uma lespitospirose e vai passar algum tempo de molho.

 

Claro que hoje o “cabra” tem o seu foco em outros objetivos e os seus resultados não refletem tanto a plasticidade e magia do seu surf, mas um dia, quando tivermos um campeão mundial, muito será graças a Fábio Martins Gouveia, o ?Fia?, que quebrou todas as barreiras do circuito mundial e que aos 35 anos continua o mesmo garoto alegre e simpático que me faz sentir orgulho de ser brasileiro.

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