Fundada no final dos anos 80, a marca de capas de pranchas Veltra tem uma história de busca pela qualidade com identidade nacional.
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Dirigida pelos cariocas Ricardo Lobo e Paulo Cezar e pelo italiano Sandro Mezetti, a marca tem raízes criadas em Ipanema, Rio de Janeiro.
Atualmente, a Veltra oferece uma variada linha de acessórios (capa, deck, leash, parafina e mochilas) e de roupas (para homens, mulheres e infantil).
A marca também conta com uma equipe diferenciada de surfistas do Brasil e da Itália – Pedro Müller, que integra o time desde os anos 80, Marcelo Trekinho, Elísio “Tiúba” Lincoln (um artista do design moderno do surf), Diego Pierre, Pedro Schettino, Fred Rigor (bodyboard) e Marianne Kerr; Federico Vanno, Alessandro Zeppi e Valentina Vitale.
Confira no texto publicado abaixo, extraído do novo site da Veltra, a trajetória bem sucedida da marca, um exemplo de trabalho e seriedade, combinada ao lifestyle descontraído do surfe no Rio de Janeiro.
“A história da Veltra se confunde com a história do surfe do Rio de Janeiro no início dos anos 80. As grandes oficinas de prancha cariocas influenciavam o surfe em todo o Brasil.
A Vicstick do shaper Vitor Vasconcelos era a nova ordem em termos de modernidade e referência. Vitor foi o ponto de partida para uma nova fase do surfe carioca. Trabalhou com Dardal que posteriormente fundou a Spirit e fundou com Pedro Battaglin a Hotstick.
Quando se mudou da Zona Sul para a Barra da Tijuca, Vitor agitou o mercado do novo bairro que emergia no Rio. A Barra da Tijuca naquela época era sinônimo de um mundo novo e moderno, de um novo Rio de Janeiro que surgia.
Vitor queria associar a imagem da Hotstick a esse novo bairro. Conseguiu, mas começou a ser fortemente incomodado por um movimento chamado Cristal Graffiti, do shaper Beto Santos e de seu antigo companheiro de trabalho, o então airbrusher André Cotrin.
A disputa pelo mercado e pela imagem da Barra com a Cristal fizeram com que Vitor se descuidasse em relação a dois surfistas profissionais da Zona Sul que eram de sua equipe: Ricardo Martins e Joca Secco.
Ricardo e Joca lideraram a saída de vinte surfistas da Hotstick que moravam na Zona Sul do Rio e junto com Luis Ferreira, Paulo Felipe e Pedro Secco fundaram a Hidrojets.
Hotstick, Spirit, Cristal Graffiti e Hidrojets não eram apenas fábricas de prancha e sim verdadeiras escuderias.
Disputavam a contratação de surfistas, campeonatos, clientes etc. A rivalidade era tão grande que disputavam campeonatos fechados entre si para ver qual era a melhor equipe.
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Mas a rivalidade era só dentro d´agua. Não havia brigas. Fora d´água prevalecia o respeito e a amizade, as pendências eram decididas no surfe.
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Em 1984, aproveitando a ascensão das fábricas de prancha e o forte momento do surfe carioca, Paulo Felipe, um dos sócios fundadores da Hidrojets, ao se desligar da sociedade, começou a confeccionar capas de prancha em casa. Nascia ali a Travel.
Naquela época não havia capas de prancha disponíveis à venda. Para conseguir uma comprava-se o material no centro da cidade e pedia-se para uma costureira fabricar.
Elas mediam as pranchas e costuravam os cobertores mais espessos que encontravam com um zíper de calça jeans na rabeta.
A falta de opção, a dedicação de Paulo Felipe e a amizade fora d`água entre as fábricas de prancha projetaram com muita rapidez as vendas das capas Travel.
Empolgado com o crescimento da marca, Paulo resolveu se preparar bem para o Natal de 1989 investindo todo o seu capital em um grande estoque de nylon.
Mas a expectativa de seu melhor Natal foi surpreendida por um telefonema com a notícia de que a fábrica estava pegando fogo. Ao chegar lá verificou que o incêndio havia destruído tudo.
Depois de uma longa demora para receber o seguro, que não cobria o grande estoque de nylon, Paulo estava desanimado para continuar. Pegou o dinheiro que restava e foi viajar pelo mundo. Passou por Califórnia, Hawaii, Austrália e Indonésia fazendo o que mais gostava, viajar e surfar.
Dois anos depois, Paulo Felipe voltava ao Brasil renovado e com vontade de reerguer a Travel. Em sua chegada encontrou Ricardo Lobo, amigo da equipe Hidrojets e que era patrocinado pela Travel antes do incêndio.
Ricardo Lobo iniciou nas competições aos 12 anos e, para financiar seus custos, vendia shorts da Vicstick nos colégios Santo Inácio e Princesa Isabel. Durante muitos anos dedicou-se aos campeonatos e viagens de surfe.
Em 1988, depois de vencer uma etapa do Circuito Brasileiro Amador no Guarujá, resolveu se profissionalizar. Em seu primeiro ano como profissional, mesmo com uma boa estréia no brasileiro de Saquarema, Ricardo perdeu seu antigo patrocínio, vitima de um dos planos econômicos da época. Sem perspectiva, Lobo foi estudar direito na PUC, abandonando as competições.
Paulo Felipe foi aos poucos voltando com a Travel e, numa de suas viagens de surfe, propôs sociedade a Ricardo, que a fim de voltar a trabalhar com o surfe, aceitou a proposta.
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Ao verificar problemas no registro da marca Travel, tentando manter a identidade já conquistada, Lobo e Paulo simplesmente alteraram as sílabas e deram início a uma nova fase da Travel: a Veltra.
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Um ano depois, Paulo Felipe decidiu que não trabalharia mais com o surfe. Ricardo, com dificuldades para tocar a empresa sozinho, foi em busca de Paulo Cezar. Eles haviam se conhecido anos antes no escritório de advocacia Lobo e Ibeas, onde trabalharam um na advocacia e outro na administração.
Desde então, a Veltra tem crescido bastante como marca, aumentando cada vez mais a variedade de produtos e abrindo novos mercados, contando hoje com escritório na Itália, onde vem sendo realizado forte trabalho de marketing e vendas pelo novo sócio, o italiano Sandro Mezetti.
Mas, apesar de todo o comprometimento dos sócios, diferente da maioria das marcas, a Veltra não tem necessariamente a cara dos donos, pois foi muito trabalhada por designers como Gustavo Bomba, Marcelus Vianna, Motim e principalmente Rick Werneck, um dos fundadores do movimento CG.
Outra característica marcante da Veltra é a forte influência exercida por Pedro Cezar, Julio Adler, Tiuba, Bernardo Lima e Rafael Mellin, que insistem na importância da marca permanecer com identidade brasileira em um mercado completamente dominado por marcas e por uma cultura estrangeira demolidora.
Mas, apesar das dificuldades, a história da Veltra e das oficinas de prancha cariocas continuam. Paulo Cezar e Ricardo Lobo continuam sócios da Veltra até hoje, enquanto Paulo Felipe foi passar uns tempos na Austrália.
As marcas Vicstick, Hidrojets e o movimento CG acabaram. Vitor contiua com a Hotstick. Beto Santos, Bataglin e Dardal tambem continuam firmes na fabricação de pranchas até hoje.
Joca e Ricardo Martins fundaram a Wet Works, hoje a mais conceituada fábrica de pranchas do Brasil.
O início dos anos 80 e as oficinas de prancha tiveram forte influência na história da Veltra, que desde 1984 fabrica equipamentos de surfe. São 21 anos de surfe gerando empregos e desenvolvimento, recheados de felicidades e frustrações, mas, acima de tudo, compartilhados com pessoas comprometidas, que jamais deixaram de amar o seu próprio pais, o Brasil”.
Veltra
Endereço Visconde de Pirajá, 444, Sobreloja 206 (Perto da Rua Garcia D’Avila), Ipanema, CEP. 22410-003 – Rio de Janeiro (RJ)
Tel 21 2247-1798
[email protected]
Skype veltrabrasil
MSN [email protected]
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