Realizada neste mês de março, a primeira expedição de Rodrigo Koxa para Todos Santos, México, transformou-se em uma viagem de luto.
Quando preparava-se para encarar a onda, o big rider foi pego de surpresa com a notícia da morte do havaiano Sion Milosky em Mavericks, Califórnia (EUA), no dia anterior.
O atleta estava ao lado dos big riders Igor Lumertz, Felipe Munga e dos fotógrafos Fred Pompermayer e Julio Fonyat quando recebeu a notícia.
Todos sentiram uma energia estranha naquela madrugada e na session seguinte à morte de Milosky. Confira abaixo o relato de Rodrigo Koxa sobre a trip cercada de mistério.
Estava tudo perfeitamente bem. Cheguei do Brasil direto para Los Angeles, Califórnia (EUA), onde me encontrei com o fotógrafo Fred Pompermayer. Descemos duas horas e meia de carro até San Diego, na casa do fotógrafo Julio Fonyat para nos encontrarmos com os também big riders Igor Lumertz e Felipe Munga.
Logo ao chegarmos à casa do Julio fomos surpreendidos pela notícia de que o big rider Sion Milosky acabara de morrer afogado em Mavericks, onde o swell chegou um dia antes de Todos os Santos. A notícia nos abalou muito, pois Sion era um ídolo que vinha puxando o limite nas ondas grandes, sendo um dos maiores destaques desse último ano.
A energia ficou muito estranha naquela noite, acendemos uma vela para iluminar sua jornada e fomos dormir para ainda na madrugada seguir viagem para Baja Califórnia, onde surfaríamos na Ilha de Todos os Santos. Passamos pela fronteira com o México e o dia foi amanhecendo com uma mística neblina que não enxergávamos nada por toda a costa.
Em frente à Ilha de Todos os Santos, pegamos um barco e em 40 minutos já estávamos de frente para a onda. Vimos que a neblina não iria sair de forma alguma e podia piorar. Depois de esperar por 4 horas, começou a ventar, o que deixou a onda muito torta.
Na real, ali eu entendi que aquele não era um dia de surf e que as ondas, apesar de estarem ali, não queriam papo com ninguém. Estava um dia muito místico. Decidimos ir embora e tentar no dia seguinte, se caso estivesse um dia mais limpo.
E foi o que aconteceu, já na manhã seguinte não havia mais neblina e sol mostrava sua cara. Mesmo sabendo que o pico do swell havia sido no dia anterior, fomos de volta pegar o barco.
Neste segundo dia, fui com o Fred em seu jet-ski e o legal é que ainda havia algumas séries perdidas, apesar daquele sentimento estranho da morte do Sion.
Esta viagem acabou sendo diferente das outras que já fiz, pois eu não sabia mais o que fazia sentido. Acabamos surfando para relaxar da viagem, não naquele ”feeling” de pegar a maior onda, mas por diversão.
Apesar de a onda não estar muito grande, estava muito boa de ser surfada. É uma onda que tem um inside perfeito e forte. Adorei o potencial do pico e espero voltar.
Saímos do mar e logo segui de volta para Los Angeles, pois meu voo para o Brasil já seria na manhã seguinte. Foi demais esta viagem por eu ter conhecido Todos os Santos, mas a morte do Sion mexeu com todos nós. Aqui deixo meus pêsames para seus familiares e amigos.
A energia das águas não tem estado boa ultimamente, ainda estão encontrando os corpos do tsunami do Japão. Esta viagem foi algo de compreensão e entendimento em respeito à memória do big rider Sion! Vá com Deus!.
Fonte Rodrigo Koxa.com
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