Há pouco tempo existiu um êxodo de bons surfistas do Nordeste para a região Sudeste, algo bem parecido com o que acontecia com os trabalhadores da lavoura que migravam para os grandes centros urbanos fugindo da seca nordestina à procura de emprego.
No surf, o motivo foi basicamente o mesmo: a falta de patrocínio e de bons eventos, impedindo os surfistas de sobreviverem na região, salvo algumas exceções.
As intempéries enfrentadas quando isso ocorre são grandes, todavia, maior é a satisfação do atleta quando consegue vencer essas adversidades e conquistar seu lugar ao sol. Poucos conseguiram, mas serão sempre vencedores.
Atualmente, fico feliz em ver que isso acabou, ou, na pior das hipóteses, diminuiu bastante, e alguns surfistas nordestinos
que ainda estão morando no Sul e Sudeste do país cogitam a possibilidade de voltar para casa, e se não o fazem é porque construíram família e estão estabilizados na região em que vivem.
Não pensem vocês que isso acontece porque no Nordeste está sobrando patrocínio, onda, campeonatos, etc, mas a realidade aqui é tão difícil quanto nos outros centros do pais. É só observarmos quantos atletas no Brasil estão sem patrocínio.
Ao meu ver, a criação do circuito nordestino foi o grande diferencial e o divisor de águas para que os surfistas nordestinos permanecessem na região e, consequentemente, ficassem mais próximos de casa, da família, sendo felizes na região de origem.
Sem sombra de dúvida é o circuito mais forte do país. São
nove etapas de R$ 30 mil, com possibilidade real de alguma aumentar para R$ 40 mil, todo patrocinado por empresas da região e com três vagas para o Brasil Surf Pro.
Em 2010, a Associação Nordestina limitou o número de etapas em nove, pois não havia mais datas disponíveis no calendário devido ao choque de datas com outros eventos, deixando algumas empresas interessadas em realizar algumas etapas fora do circuito.
A consequência direta da criação do circuito foi o aparecimento de uma geração de bons surfistas que antes não eram conhecidos e competiam apenas em circuitos estaduais, uma maior representatividade em campeonatos nacionais, o retorno à região de origem de alguns surfistas, o incentivo em permanecer na região e viajar para os grandes centros apenas para competir e treinar, as empresas nordestinas investindo em atletas e eventos na região, surfistas de outras regiões vindo competir no Nordeste em busca de preciosos pontos, entre outras excelentes mudanças.
O interessante é observar que o crescimento do circuito nordestino aconteceu no ano de crise, quando todas as perspectivas eram pessimistas, mas, mesmo assim, conseguimos dar a volta por cima e mostrar que o maior beneficiado de tudo foi o esporte, que ganhou um circuito sério e que a cada ano tem perspectiva de melhora, pois os defeitos existem mas estão sendo corrigidos, sempre buscando a perfeição.
No meu ponto de vista, poderia existir um maior comprometimento com o surf brasileiro por parte dos presidentes de federações – principalmente em grandes centros consumidores -, produtores e formadores de opinião.
Tentar viabilizar etapas mais valorizadas, colocando profissionais capacitados para vender os eventos. Tenho consciência de que não é simples, mas o que deixa transparecer é que o empenho não é suficiente e se a maior parte dos recursos não vier do governo, fica quase impossível realizar grandes eventos no país.