Cheguei no Tahiti no dia 26 de abril de 2009 com 100 dólares, oito pranchas e alguns acessórios. Encontrei meus amigos Vitor Faria, Rodrigo Koxa e Akiwas, que já estavam de cabeça feita e estavam organizando uma barca para um secret no arquipélago de Tuamotu.
Eles me convidaram para ir e não desperdicei a oportunidade. Ficamos lá na casa da vovó de um grande amigo nosso taitiano e surfamos por lá durante uma semana. Voltamos, mas senti que a cabeça não estava feita ainda por não ter muita ondulação.
Então acabei voltando lá com nosso amigo taitiano de novo. A meta dessa vez era ficar duas semanas, mas acabei pegando dengue, ficando 10 dias muito mal, sem nenhuma condição de surfar, então o amigo taitiano voltou ao Tahiti, mas eu não quis.
Mudei de casa, sendo convidado por outros nativos da ilha, o presidente da associação de surf do local, um pescador que trabalha numa fazenda de pérolas. Uma família muito simples, mas abençoada, onde jamais nos faltou nada.
Incrivelmente, quando cheguei à outra casa, fiquei curado e no outro dia já voltei a surfar, estendendo a viagem por mais três meses nessa ilha que é habitada por 300 pessoas, as quais todas me conheciam. O brasileiro ficou famoso por lá (risos).
Muitos swells passaram por lá e estava ficando chateado por tantos tubos surfados, tantos encontros com o afiado reef e não ter ninguém para registrar. Até que enfim chegou um barco com turistas curiosos que tiraram fotos e me deram depois.
No final de agosto, voltando ao Tahiti, levei comigo o filho mais velho da família. Parepare, um garoto de 18 anos muito sagaz que pega onda nas duas bases, joga capoeira só de assistir vídeos, e um ótimo pescador que me ensinou a achar e correr atrás dos peixes no recife, uma técnica local que precisa de muita disposição.
Parepare não se intimidou com Teahupoo e foi elogiado por vários surfistas de lá, permanecendo comigo por mais dois meses.
Todo o tempo na ilha de Parepare foi fundamental para a evolução na técnica de tubos para a esquerda. Fiquei internado na onda de Teahupoo, onde nunca falta onda, mesmo fora de temporada, até a chegada do mega swell dos dias 17 e 18 de março, que, com certeza, entrará para a história , talvez como o maior swell de todos os tempos.
Agradeço a todos meus amigos que me ajudaram, mostrando o caminho dos tubos da temida bancada de Teahupoo; a todos os locais que nunca me deixaram gastar nada pela estadia, ao shaper Tiago Correa, que me apoiou desde o começo do projeto dessa viagem; a Tickdeck e a SB Shoes pelos equipamentos concedidos para essa trip.
Espero cada vez mais poder fazer viagens desse tipo, onde voltei com mais experiência de tubos. A lembrança dos lugares paradísiacos e o carinho de cada pessoa que conheci nessa jornada de quase um ano.