Em setembro do ano passado, embarquei para a Austrália pela segunda vez, para uma temporada de um ano, com destino a Burleigh Heads, na Gold Coast. Tive a sorte de escolher Burleigh, um lugar muito mais calmo e relaxado do que as outras regiões da cidade, como Coolangatta e Surfers Paradise, e de encontrar parcerias de vida inteira ao longo do caminho.
Conheci um irlandês, por exemplo, que nada tem a ver com o surf, mas que me chamou para tocar com ele em um pub local, adicionando meses de diversão e muita música à minha trip, além de alguns dólares extras pelo som.
Tive a chance de investir no meu currículo e completar um certificado em filmagem e fotografia, o que me possibilitou participar de inúmeros projetos como a produção de comerciais para a TV aberta australiana e para uma marca de skate local.
Além disso, é claro, gozei o máximo que pude da perfeição simétrica da bancada de Snapper, dos tubos de Stradbroke Island e do parque de diversões de Duranbah.
Depois de quase um ano na Gold Coast, decidi mudar e montar minha base em Margaret River, no sudoeste do país, a fim de aprimorar o surf em ondas mais pesadas com fundo de pedra. O inverno de 2013, no entanto, foi um dos piores da última década, com várias semanas seguidas de ventos fortes e mares enormes, “storm” e sem condições de surf.
Apesar de as ondas não terem correspondido às minhas expectativas iniciais, foi possível produzir algumas imagens nos dias menores e com menos vento. Durante a viagem conheci muitas pessoas especiais, viajantes e locais, com muitas histórias pra contar e lições para passar adiante. Aprendi que viajar é o caminho mais curto rumo ao auto-conhecimento, pois quando se está longe de casa é fácil perceber o que realmente importa e diferir o necessário do supérfluo.
Agora, depois de quase um ano e meio fora do Brasil, cheguei em Bali buscando as bancadas de coral e água quente. Os braços aqui parecem mais leves sem o long 4.3mm segurando a remada e tudo é mais fácil, além de bem mais barato.
Botar a prancha na motinho, mochila com câmera e tripé nas costas e ir pro surf. Já comecei a produzir algumas imagens, apesar de o swell não estar ajudando. Desci do avião alguns dias depois da ondulação “monstra” que fez bombar Desert Point e Nias épicos, infelizmente não cheguei a tempo de conferir essas ondas. Ossos do ofício.
Agora, o plano é permanecer aqui por mais uma semana e depois seguir a trip rumo a Lombok e Sumbawa em busca das esquerdas de Super Sucks e os tubos de Desert!
Aproveito para deixar o último vídeo produzido em Margaret antes de vir para a Indonésia. Espero que gostem!
Muito obrigado à marca Freesurf pelos excelentes neoprenes, à Wetdreams pelos tantos decks, capas e acessórios de qualidade, e principalmente à Auckland Surfboards, pelas pranchas que funcionam desde os beach breaks da Terrinha até os canudos de Gas Point e Straddie!
Pra acompanhar o meu dia-a-dia na Indo, visite Portrasdopico.blogspot.com.
Foto de capa Perna