Família Hanada no Hawaii: exemplo de família reunida em torno do surf. Foto: Gil Hanada / Fox Head.Em uma das nossas buscas em saber como seriam as ondas para final de semana seguinte, nos deparamos com dois textos no Waves que realmente chamaram a atenção.
O primeiro deles, escrito por Fred D’Orey, achei engraçado e curioso… Como pode um homem entender tanto a alma feminia? Realmente existem muitas garotas exatamente como ele descreve.
O segundo texto, anunciava-se como um direito de resposta, que no meu entender, acredito que seja mais um desabafo do que uma resposta ao texto do Fred D’Orey.
Depois de ler os dois textos, fiquei me perguntando em qual deles deveria me enquadrar. No entanto, não me encontrei em nenhum deles. Por este motivo, resolvi defender o meu lado, de esposa de surfista.
Tudo começou há uns 12 ou 13 anos. Nós já namorávamos havia uns três anos, quando um amigo nos convidou para um final de semana em Peruíbe. E lá foi onde o meu esposo foi oficialmente apresentado ao surf.
Ele sempre achou muito legal, porém, acreditava que o surf era apenas para quem morasse na praia.
Na volta da viagem, surgiu a idéia de comprar a prancha e os equipamentos, idéia que foi prontamente aprovada por mim.
Afinal, sol e praia todo final de semana era tudo de bom que podia me acontecer. Como disse, Fred “ela dá a maior força” e começou aí o nosso novo estilo de vida.
Aguardávamos ansiosamente o final de semana, na época a internet não era tão influente e tínhamos um número de telefone para saber a previsão das ondas, qual seria o melhor pico etc. E no sábado pela manhã, tipo 5 horas, já nos encontrávamos a caminho do litoral.
Isso durou mais dois anos. Depois deste período nossa filha nasceu e com ela uma dúvida. E agora? Como fica o surf? Foi o pediatra quem respondeu: respeitando o horário do sol, não haveria problema nenhum em ir à praia.
Assim, adaptamos o nosso horário e o surf permaneceu.
O tempo passou, nossa filha já tem 10 anos e a nossa pegada continua a mesma. Na quarta-feira começa a expectativa para o final de semana.
Como esposa, posso dizer que adoro o estilo de vida que temos. No inverno, fazemos algumas adaptações. Ficamos em casa fazendo “coisas de meninas” e enquanto isso o surf rola meio período.
E, no verão, estamos todos juntos. Continuo apostando no texto do Fred, vamos para Prainha, Baleia, Joaquina, Guarda, Praia do Rosa e temos os nossos próprios secrets points, definidos por nós mesmos e que não contamos pra ninguém.
Quanto à vida social, como é relatado no segundo texto, a nossa continua ótima e a todo vapor! Vamos ao shopping, almoço de família, cinema, com um pouco de organização dá pra fazer de tudo.
E em relação aos amigos? Nos encontramos na praia todo final de semana. Enquanto os meninos estão no mar, fazemos nosso encontro de Luluzinha na areia.
Vida de esposa de surfista é fácil? Claro que não. Acordamos cedo, vamos aos picos desconhecidos, desertos. Ficamos horas na areia, muitas vezes sob o sol, algumas vezes na chuva, pulando de praia em praia para descobrir que o melhor pico era aquele em que fizemos a primeira parada do dia.
Porém, quando se faz tudo com amor e companheirismo, tiramos de letra.
E, para terminar, quero apenas mandar um recado ao Fred, para dizer que nós, esposas e namoradas de surfistas, temos imenso orgulho em ter ao nosso lado, um cara “saúde”.
No meu caso, não somente por um verão. Isso porque o meu verão já dura 16 anos.
Agora, peço licença, pois preciso voltar à minha busca pelas pousadas de Ubatuba, onde vamos passar os próximos dias de férias… com muito surf. Esposa de surfista, sim, e com muito orgulho!