A previsão não falhou e a quinta-feira, 8 de dezembro, amanheceu com ondas furiosas de 4 a 5 metros (12 a 15 pés) na bancada de Pipeline, provocando o início imediato do Billabong Pipeline Masters in Memory of Andy Irons, última etapa do WT 2011 e da Tríplice Coroa Havaiana, logo no primeiro dia da janela, que vai até o dia 20.
No maior Pipeline já visto na história da competição, segundo os organizadores, os surfistas tiveram um dia de trabalho difícil, mas recompensador para os poucos que souberam lidar com as condições e encontraram as ondas certas – em sua maioria havaianos que competem como convidados –, com tubos impressionantes cuspindo os surfistas em alta velocidade. É como se Pipe (desse tamanho) fosse a F1 e uma etapa normal (alguém falou beach-break?) fosse uma corrida de kart.
O líder dessa turma foi justamente o caçula, o Top John John Florence, local do pico e centro das atenções no North Shore desde que venceu a etapa Prime em Sunset e passou a liderar a Tríplice Coroa (sem falar das duas provas que venceu em Pipe no começo do ano).
Com um conhecimento absurdo do pico num mar de dar medo em qualquer mortal, o tímido e tranquilo havaiano dominou a bateria contra o conterrâneo Kai Barger, de Maui, tirando a primeira onda nota 10 do evento. Florence dropou uma bomba no outside já dentro tubo, saiu, dropou de novo quando a onda bateu na bancada e pegou outro tubo alucinante, arrancando gritos e aplausos da galera na praia. Durante a bateria, uma série fechou em cima dos atletas, e ele foi único que conseguiu passar no limite antes do massacre, coisa de quem já passou muito sufoco ali antes.
A intimidade de John John com Pipe é tanta, que as melhores ondas do dia entraram na bateria dele – e ele as surfou com maestria. “Depois que o ‘ímã de onda’ caiu duas baterias antes da minha, não sobrou onda nenhuma pra mim”, reclamou brincando Jamie O’brien, que mesmo assim venceu Raoni Monteiro na segunda fase.
Dos quatro brasileiros que competiram, nenhum venceu. Na primeira fase Willian Cardoso praticamente não surfou contra Shane Dorian, vencedor com 6.40 pontos somados. Na segunda rodada, Miguel Pupo, que vinha de uma contusão no joelho e era duvida até poucos dias atrás, não teve chance contra o convidado Evan Valiere, outro que dominou os tubos e fez o maior somatório do dia – 18.16 na primeira fase. Raoni até dropou duas ondas de responsa, mas elas fecharam. Na última bateria do dia, Jadson Andre perdeu por muito pouco para o ex-Top e convidado CJ Hobgood, inclusive com a maior nota da disputa, 5.77.
Ao longo do dia, Pipeline proporcionou um espetáculo raro, belo e perigoso – muitas pranchas foram quebradas e surfistas saíram machucados, como o aussie Laurie Towner, que deslocou o ombro duas vezes. Na sexta-feira o show continua com a estréia no evento de nomes como Kelly Slater, Joel Parkinson, Taj Burrow e os brasileiros Adriano de Souza e Alejo Muniz, que também se machucaram e eram dúvida. O mar deve continuar grande, e quando se trata de Pipe, o espetáculo é garantido.














