
A análise preliminar realizada pelo biológo especializado em tubarões, Otto Bismarck Fazzano Gadig, de fotografias do corpo do turista André Luís Lopes, encontrado morto no último dia 20/10, na praia de Maresias, não aponta tubarão como causa do ataque.
Para o biólogo, pelas características das lesões elas aparentam não ter sido causadas por animal de grande porte.
Bismarck analisou as fotos enviadas por Cláudio Tiago, do Centro de Biologia Marinha da USP, em São Sebastião, e apresentou seu parecer ao delegado Jorge Tibiriça, responsável pelo caso.
O biólogo também explicou que a borda das lesões indicam que um ou mais animais pequenos, ou qualquer outro agente cortante, causaram ferimentos no turista.
“O aspecto geral da lesão no rosto não apresenta qualquer vestígio de padrão simétrico, e sim uma grande lesão, composta por várias reentrâncias, situadas em áreas mais carnosas da vítima, o que reforça a hipótese da ação de animais de pequeno porte ou qualquer outro agente”, diz Bismarck.
De acordo com ele, um tubarão de porte avantajado para produzir uma lesão com a abrangência da observada no rosto da vítima, certamente removeria muito mais tecido.
“A lesão tem mais aspecto raspador do que perfurador, e provavelmente, a estrutura óssea rígida da caixa craniana não permitiu lesão mais profunda por tratar-se de animal, ou animais pequenos”, explica o biólogo.
Otto comentou que as estatísticas indicam possibilidade de um acidente com tubarão por ano na costa sudeste e sul do Brasil.
“Na hipótese de acontecer algum acidente na região, entre novembro e março próximos, por exemplo, não terá qualquer relação biológica, ambiental ou mecânica com este caso de Maresias”, afirma.
As informações do biólogo foram baseadas em análise preliminar, mas de acordo com Otto, isso não elimina a correção delas.
Já o laudo do médico legista Marcelo Kupkis Saad, do IML, diz que o turista morreu por asfixia mecânica por submersão no mar (afogamento) e traumatismo da face por mordedura animal (peixe grande).
Segundo o delegado Tibiriça, só falta ouvir os bombeiros para encerrar o inquérito.
“O que prevalece é a palavra do médico legista e o que importa é que o turista morreu por asfixia mecânica. O legista viu o corpo e fez as análises, já o biólogo analisou apenas as fotos. O parecer do biólogo é uma garantia para a prefeitura para que, no caso de acontecer algum ataque no futuro, ela não seja acusada de ter omitido o fato”, afirma o delegado.