Muitas pessoas que estiveram na Baixada Santista durante o carnaval se depararam com uma longa faixa de material de cor marrom na água, em diversas praias, com aspecto visual semelhante de diarréia, principalmente quem saiu para remar.
Era difícil crer que aquilo tudo poderia ser “cocô”, principalmente devido aos comerciais da Sabesp veiculados na TV sobre o sucesso do Programa Onda Limpa. Mas, na dúvida, apesar do calor, optei por não mergulhar durante as remadas que dei de stand up nas praias do Gonzaga, em Santos, e dos Milionários, em São Vicente.
Intrigado, tirei uma foto e postei no Facebook para ver alguém sabia de que se tratava. Logo foram surgindo os comentários de quem havia visto o material por toda a praia de Santos, inclusive o advogado Fabio Boturão, conhecido como “Jacuí”, afirmando que material semelhante havia sido visto também na praia do Tombo, Guarujá.
Surgiram especulações que iam desde algas mortas a esgoto doméstico, até que um amigo biólogo, William Rodriguez Schepis, presidente da ONG Ecofaxina, se dispôs e fazer uma análise no laboratório se alguém coletasse amostras.
Bastante otimista, o supista Eduardo Marcelo Nicastro, de Santos, que acreditava ser algum tipo de plâncton, fez coleta e encaminhou a Schepis. Segue abaixo o relato do biólogo:
Ou seja, para o desgosto de quem mergulhou de boca aberta, a base do detrito marrom era mesmo formada de fezes.
Segundo Schepis, que coordena um importante trabalho de retirada de lixo nos manguezais da região com a ONG Ecofaxina, a principal origem desse material são palafitas e moradias regulares que despejam esgoto direto no estuário.
Particularmente, espero que tenha sido somente um excesso devido ao carnaval. Mas, fica claro que o problema existe e necessita uma solução que integre as prefeituras da Baixada Santista e o Governo do Estado. Pelo sim, pelo não, mandei bem por não mergulhar!