Em 2006, tive a oportunidade de conhecer alguns amigos paulistas lá em Fernando de Noronha (PE).
De lá pra cá, sempre recebi convites para conhecer as ondas do litoral paulista, mas, só neste ano, é que consegui organizar uma trip para Sampa.
Sai do voo em Recife (PE) no sábado (18/07), na expectativa e esperança de conhecer as poderosas ondas do litoral Norte paulista. Chegando a São Paulo, capital, fui recebido pelo fotógrafo e freesurfer Rodrigo Santana, que logo me avisou de uma ondulação de gala prometida para aqueles dias.
Em sua casa, fui muito bem recebido por seus familiares e me senti totalmente à vontade na capital. O monitoramento do swell era feito constantemente via internet.
No domingo, partimos em direção à praia do Guarujá. Logo quando cheguei, vi que a cidade respira o surf.
Suas ondas têm muita qualidade e potencial em qualquer direção de swell, mas dando um check em todos os picos e lajes da cidade, decidimos cair na praia da Enseada, mais precisamente no canto da Caveira.
Fomos muito bem recebidos pelos bodyboarders locais, que me deixaram muito a vontade no pico de boas direitas. Em seguida, fomos para o fim de tarde na praia que leva o nome de meu estado, Pernambuco. Mar terral e com esquerdas perfeitas e tubulares, porém com menos tamanho.
Lá também conheci o bodyboarder local Valter, o moleque andava muito bem no pico, exibindo conhecimento da onda. Assim, finalizei o primeiro dia da trip amarradão, mas não sabendo o que me esperava nos próximos dias.
Já era segunda-feira, partimos em direção a região de São Sebastião, com a certeza que o mar estava aumentando a cada hora.
Deixamos as bagagens na Pousada Surf Paradise, dos brothers locais Bicudo e Gugu. A magia que gira em torno de Maresias e redondezas é incrível, e corremos logo para cair em Paúba, confesso que, antes da viagem, sonhava todos os dias com esta onda.
Chegando ao pico fiquei logo na pilha, pois não havia ninguém na água. Botei rapidamente a roupa de borracha e pulei sem acreditar que estava só, seria o sonho realizado de qualquer bodyboarder. Ao sair da água, soubemos que no swell, quebrava uma onda rara, chamada Boiçucanga.
Chegando lá, ondas de 1 metro com séries maiores fechando a três metros da areia da praia. Alguns surfistas caíram no canto esquerdo do pico, mas pulei no canto direito porque estava um pouco mais pesado.
Rapidamente se formou uma molecada do bodyboarding local na areia, me avisando quando a série entrava. Em alguns momentos, a onda por ser muito rápida e o lip muito pesado, chegava a ser perigoso, mas enfim, a caída valeu a pena só por não ser uma onda que quebra constante, ouvi relatos que havia 20 anos que não quebrava desta maneira. Fui dormir amarradão novamente.
No dia seguinte, saímos dando um rolê nas praias da região, passamos por um secret, mas não estava com o fundo certo. Retornamos para Maresias e, quando pisamos na areia da praia, não acreditava no que via, ondas de 2 metros e vento Terral fortíssimo.
Sai correndo para o line up do pico, me posicionando ao lado do tow in. No inicio comecei um pouco tímido, pois o nome Maresias me causa muito respeito e cautela. O mar começou a aumentar e a galera foi pega de surpresa por uma série “daquelas”.
Todos os presentes do lado esquerdo foram arrastados para fora, eu como estava do lado direito junto com os jets, consegui passar a série.
Nunca tinha surfado esta onda, fiquei um pouco apreensivo de estar sozinho na remada naquele mar aumentando cada vez mais. A dupla do tow in vinha nas maiores e aquilo alimentava minha adrenalina de pegar aquelas ondas.
Sem dúvida alguma, Maresias está entre os três melhores fundos de areia do Brasil. A onda é extremamente power, com tubos que lembram a praia mexicana de Puerto Escondido, esquerdas com potencial internacional.
Depois da session, estava em êxtase por ter surfado um dos melhores mares da minha vida, com um detalhe, sozinho mais uma vez!
Já saturado de tanto pegar onda, ainda retornamos e fizemos uma caída rápida no secret que conta com uma formação que me lembrou o canto do morro da Cacimba do Padre (PE) só que para direita.
Ali não aconteceram fotos, pois o Rodrigo, que é local, prefere preservar a praia. Ele também decidiu surfar naquele mar com direitas tão perfeitas quanto os desenhos feitos no caderno na época de colégio.
A onda possui um potencial absurdo, com um tubo largo e perfeito. Assim, retornamos outra vez para São Paulo com a cabeça feita de tubos, manobras, fotos e o principal, muita vibe boa.
Voltei para Recife com recordações que valeram muito a pena ter feito essa trip, pois o potencial das ondas que encontrei era de nível internacional e também foram muitas amizades construídas.
Quero agradecer a Deus, de ter me abençoado com altas ondas, ao fotógrafo Rodrigo Santana e sua família e a Afloat que está sempre investindo no bodyboarding.
É isso aí galera, grande abraço a todos. Good vibe and dropknee forever.







