E aí leitores, esta quinzena estamos ruidosamente eletrônicos. Preparei uma seleção dos lançamentos mais barulhentos e que capturam um pouco da essência eletrônica atual. Discos novos do Capitol K, Patrícia Marx, Alex Gopher, Paul Van Dyk, do movimento eletrônico mexicano Nortec Collective, Cornershop e do japonês maluco Cornelius, que sem dúvida nenhuma é meu destaque desta semana. Aguardem mais novidades em breve!
Promoção Relâmpago Cornelius!
A Promoção Relâmpago traz o mais recente trabalho do Cornelius, ?Point?. Para participar basta responder a seguinte pergunta: ?Quantos foram os clips que Cornelius dirigiu do disco ?Point???
#Você já sabe, a dica está logo abaixo na resenha do disco mais recente do Cornelius, lançado este mês pela Trama!
Corra! Apenas cinco sortudos (as) levarão os CDs do Cornelius! Não percam as promoções que faremos ao longo do ano. Boa sorte a todos!
Agradecimentos ? Trama Music.
Ganhadores da Promoção McLusky:
Ricardo Prestes (SP)
Vinícius Gonçalves Sampaio (SP)
Gabriel Rathje Volpatto (RS)
Rafael da Cunha Nahid (RJ)
Fernando Corrêa Prado (SC)
CAPITOL K | Island Row
Se não falar da história da vida de Kristian Craig Robinson, ou Capitol K, esta resenha não estará completa. Nasceu em Malta, acabou morando um certo tempo em Dubai, Borneo, onde estudou em uma escola muçulmana aprendendo lá a língua árabe e finalmente Inglaterra, onde vive até hoje. Muito particular em sua atitude de considerar-se um cara disléxico, super ativo e cheio de influências, ele consegue demonstrar tudo isso através de seu trabalho, que é honesto e confusamente hipnotizante.
A primeira impressão de ?Island Row? (nome de seu estúdio em Londres), vocifera uma coleção de sons inusitados orquestrados de forma magistral. Mas, saiba, é muito mais que isso. Reconhecido como um gênio na música eletrônica, Kristian não usa parafernálias monumentais para sua introspecção sonora. Apenas um sampler, uma guitarra, uma mesa de som para mixar, um pedal de efeito delay (eco), um Dictaphone (espécie de gravador super antigo) e um computador Atari para a finalização. Tudo a serviço da mente acelerada de Capitol K.
Tenha certeza, para não perder nenhum momento mágico, preste muita atenção ao desenrolar das faixas. Em uma inspeção mais minuciosa, você vai encontrar sons de cidade, florestas, batidas fortes e precisas, levadas groovadas bem eletrônicas, como em ?City?, a faixa que abre o disco, além de ?Capitol Beat Sticky? que é bem dançante. Ouça também ?Breakers? e ?Darussalam?, verdadeiras viagens de Kristian de volta aos lugares longínqüos de sua infância, além de ?Monster? e a barulhenta ?God Ohm?.
Um trabalho experimental, entusiasticamente inspirado em ruídos caóticos, onde a melodia toma forma em sinergia com qualquer sonoridade pop. Tensão e paz coexistem, o orgânico e o eletrônico, o hi-fi de mãos dadas ao lo-fi, política e amor… Busque este segundo disco de Capitol K, em embalagem caprichada daquelas Tri-Fold-Digipak, com doses certeiras de fantasia e monumentais momentos de prazer sonoro! Sem dúvida, uma das cabeças mais excepcionais dentro da cena eletrônica destes últimos anos. Um disco realmente incrível!
Clique aqui para ouvir a faixa ?God Ohm?.
Se você gostou de Capitol K, ouça também: Beck, Cornelius, Buffalo Daughter, Cibo Matto e Solex.
PATRICIA MARX | Respirar
Quem te viu, quem te vê? Lembra o Trem da Alegria? Sim, aquela bandica de crianças, lá nos anos 80? Pois é, a menina cresceu mesmo, tanto musicalmente, como espiritualmente, virou mãe e está aí de disco novo? Por incrível que pareça, um disco de musica eletrônica brasileira de muito bom gosto, com altos índices de pureza e simplicidade! É moçada, Patrícia Marx, aquela Patrícia que não era Marx, virou e trouxe algo de bom para nossa música.
Digo: trouxe agora, com este lançamento Trama, ?Respirar?. São 12 faixas superbem produzidas, com sonoridade temperada com excelentes timbres vocais, instrumentação de prima, além de muitas participações especiais. Só para dar uma idéia, caras renomados como Bruno E e Mad Zoo trabalhando lado a lado, como co-autores e produtores, trazendo experiência e modernidade ao som de Patrícia.
Da cena eletrônica inglesa, vem 4Hero e Ady Harley, além de ilustres participações de Simoninha (Filho de Wilson Simonal) e João Parahyba, do Trio Mocotó. Parece uma salada sonora, mas acredite, não é! Drum?n?Bass rasgado do começo ao fim, pitadas bem dosadas de breakbeat em uma verdadeira síntese da brasilidade eletrônica! Acho que a palavra para este disco é elegância! Dê uma ouvida atenta, faça sua análise e não deixe que minhas palavras soprem em seu ouvido sem uma experimentação própria.
?Submerso? se destaca das demais faixas, como uma de minhas preferidas. ?Earth? também é bacana, trazendo a participação do inglês MC Kontrol. Momentos bem acústicos como em ??E O Meu Amor Vi Passar?, além de belos arranjos de quarteto de cordas e naipe de metais sutilmente bem colocados pelo disco afora. Papel importante desempenharam as lições tomadas com Chet Baker: como o mestre, que interpretava linhas melódicas longas sem vibrato, Patrícia também tornou o seu cantar bem mais limpo e preciso, sem o uso do recurso de vibrato na voz.
A arte do disco é um caso à parte? Bola dentro total! Papel vegetal, caixinha cristal, fotos azuladas, leves e bem bacanas. Passando a idéia do disco e sua sonoridade: ?Respirar?! Olha, antes de torcer o nariz e dizer: ?Não quero nem ouvir!?, procure esta sugestão, sem arrependimentos e maiores preconceitos. Nesta quinzena eletrônica, este disquinho se destaca pela levada bem sofisticada e sua alta qualidade sonora. Você não irá se arrepender!
Clique aqui e ouça a faixa ?Submerso?.
Se você gostou da Patricia Marx, ouça também: Olivia, Kostars, Pizzicato Five, Portishead e Björk.
ALEX GOPHER with DEMON | Wuz
Nesta quinzena eletronicamente barulhenta, eu não poderia deixar de lado este ótimo lançamento Sum Records: Alex Gopher e seu comparsa Demon, rompendo barreiras em ?Wuz?. Mais uma vez nossas gravadores não estão nos deixando na mão. Recém-lançado lá fora, ?Wuz? é primoroso e dá um belo salto em direção ao som eletrônico, sem picaretices bem comuns nesta renomada cena francesa.
Junto a nomes como Air, Daft Punk, Rinôcérôse, Les Rhythmes Digitales e Cassius, Alex Gopher usa todas as armas de DJ, produtor, dono de selo e o que mais couber em seu dia-a-dia conturbado para trazer boa música a nossos ouvidos. Depois de seu álbum de estréia ?You, My Baby & I? no meio do ano 2000, sua jornada foi de ascensão total. Bons beats, grooves e samples garantem o sucesso de público e crítica deste trabalho.
O álbum era bem mais break beat, pesadão. Agora, com ?Wuz?, demonstra maturidade com verdadeiras levadas da eletrônica atual. Distanciando-se de arranjos babacas e harmonias altamente previsíveis, ?Wuz? dá direito a grandes constatações sonoras. Em uma fusão claramente calcada no jazz, blues e, porque não dizer no rock?n?roll, mescla tecnologia a tudo isso sem soar artificial e chato.
Canções com força musical atemporal como em ?Wuz?, que dá nome ao álbum, ?Keep On Dancing? e ?The Dark Side? fazem nossas cabeças viajarem no tempo e no espaço em ritmo frenético. Alucinações também na dançante ?Without You?, na contagiante ?Focus? e na cool ?Long Island?. Quer dançar mesmo? Tente ?Use Me? como hit frenético de pista.
Visual caprichado na capa e no interior do CD. A beira de uma estrada escura você vê as grandes ?marcas? do mundo, vários logotipos em néon à beira da exposição exagerada da chamada globalização de nosso mundo. Fotos muito bacanas e no meio delas o nome do álbum ?Wuz?.
O mais interessante acaba ficando por conta da produção e da realização do disco: é uma cooperação entre artistas de mesmo gosto e inclinação musical da cena. Demon atua intimamente ligado a Alex Gopher na empreitada de ?Wuz?, em uma difícil combinação de gostos e estilos. De qualquer maneira, o resultado é excelente e vale a busca nas prateleiras.
Clique aqui e ouça a faixa ?Use Me?.
Se você gostou de Alex Gopher, ouça também: Air, Daft Punk, Gus Gus, Paul Van Dyk, Rinôcérôse, Les Rhythmes Digitales, DJ Krush e Cassius.
PAUL VAN DYK | The Politics Of Dancing
No mínimo uma ousadia sem tamanho. Imaginem vocês, lançar um disco aqui no Brasil de remixes e viradas de um DJ! Para falar a verdade é um álbum duplo com músicas próprias, remixes, viradas e versões de músicas consagradas em uma das pistas mais famosas do mundo: Ministry Of Sound. Ousadia é pouco… mas o que seria do mundo se as criaturas não inovassem, hein?
Para aqueles que conhecem, o simples soar do nome já causa calafrios de empolgação. A Ministry Of Sound para a música dançante é algo como o CBGB para o movimento punk nova-iorquino! Deu para sacar? Paul Van Dyk é alemão e abarrota a cena germânica de hits desde 88. Mas foi em 91, tocando no lendário Tresor Club e mais tarde em seu próprio E-Werk, que a coisa explodiu.
Até este disco, Paul nunca havia feito um trabalho desta natureza. ?The Politics Of Dancing? leva os afixionados por trance ao delírio. Apenas com alguns disquinhos de virada, muitas vezes disponibilizados nas revistas especializadas como a Muzic, o DJ e produtor acabou marcando presença global como nome indispensável no universo eletrônico.
?The Politics Of Dancing? não é apenas um álbum de viradas, é uma manifestação cultural e incisivamente política ? daí o nome do disco ? de um movimento incrivelmente importante, que vem alterando a forma de visualizar o mundo desde o início da década de 90: a dance music no sentido mais amplo da palavra. Nisto coloco todos os movimentos musicais… Dance, trance, techno, drum?n?bass, progressive trance, dub, jungle, break beat etc, etc, e etc!
Ramificações à parte, resumidamente um movimento global de música eletrônica ativa! Que tal? Em todos os âmbitos, esta verdadeira revolução eletrônica acabou remexendo com campos altamente abrangentes de nosso convívio. O design, a moda, a maneira de dançar e levar a vida, contingentes enormes de pessoas lotando os clubs mundo afora, drogas sexo e muito rock… Ôpa… Drum?n?bass e batidas contagiantes!
Movimento cultural tipicamente jovem, novo, rico em detalhes e altamente adverso. A gravitação é imediata ao ouvir ?The Politics Of Dancing?, de Paul Van Dyk. Linhas de baixo eternas e alucinantes, barulheira assumida em faixas imperdíveis com raras inserções de vocal. Algumas delas acabam usando belos arranjos de vocais femininos.
No disco 1, concentra-se as faixas de Van Dyk e alguns remixes e versões de outros caras. Destaque para a transição de ?Killin? Me?, de Timo Maas, para a faixa ?B.W.Y.?, do Maji Na Damu, além da imperdível ?Elevation?, do U2. No segundo disco, ?Questions Must Be Asked?, de David Forbes, mostra bem o que é estar na pista ao som eletrônico. ?Reach Me?, do Lexicon 4, esquenta a parada definitivamente.
No encarte uma longa dissertação sobre os movimentos culturais, a política da música eletrônica, além do visual caprichado, com caixinha protegida por papelão revestido com verniz e fotos de extremo bom gosto. Você pode até não gostar deste tipo de som, mas é improvável que não dê importância para o que está acontecendo mundo afora… Portanto, esta é sua trilha sonora, a trilha que deixou de ser futuro para tornar-se a música de hoje!
Clique aqui e ouça a faixa ?Out There? do próprio Paul Van Dyk.
Se você gostou de Paul Van Dyk, ouça também: Alex Gopher, The Chemical Brothers, Armand Van Helden, uZiq, 808 State, Orbital, Leftfield, Photek e Propellerheads.
NORTEC COLLECTIVE | The Tijuana Sessions Vol. 1
Para continuar no mesmo pique, trago ?Nortec Collective ? The Tijuana Sessions Volume 1?, um manifesto com músicos, designers gráficos, arquitetos, cineastas, artistas multimídia e estilistas da cidade de Tijuana, no México. Esqueça a parte podre, como aquelas putas baratas, o cheiro forte das ruas, as semi-automáticas dos chefões do narcotráfico… Pense em uma metrópole de quase 2 milhões de pessoas em uma aglomeração de cultura pop global.
Assim como Tóquio, Nova York, Los Angeles, Londres e São Paulo, Tijuana é uma cidade viva e imensa. De dentro dela a explosão das misturas globais é intensa e vem agora traduzida em música através de ?Nortec Collective ? The Tijuana Sessions Volume 1?, o primeiro manifesto musical da cena Mexicana, lançado agora para o mundo. Não é um gênero, nem um grupo, nem uma banda, mas uma cultura eletrônica completa.
?Nortec? significa norteño-techno, a convergência do high-tech com o low-tech, do norte e do sul, rural e urbano, música, mistura… O norteño, a rancheira, a banda sinaloense, todos estilos de sonoridades típicas mexicanas. ?Nortec Collective ? The Tijuana Sessions Volume 1? nasceu em 99, quando Pepe Mogt, do Fussibles, começou a fazer experiências sampleando discos velhos destas bandas sinaloenses e do norteño. Logo depois, o cara acabava com a cabeça em seus equipamentos chafurdando e distorcendo toda a parafernália gravada. Modificando-os com os filtros e vocoders, acabou criando algo realmente diferente.
Mais do que para as músicas em ?Nortec Collective ? The Tijuana Sessions Volume 1?, o destaque vai para as bandas participantes. Procure ouvir mais de e sobre Fussible (Pepe Mogt e Melo Ruíz), Bostich (Ramón Amezcua), Terrestre (Fernando Corona), Plankton Man (Ignacio Chavez), Panóptica (Roberto Mendoza), Clorofila (Jorge Verdín e Fritz Torres) e Hiperboreal (Pedro Gabriel Beas e Claudia Algara).
A capa do disco é bem bacana, toda a arte do encarte nos remete ao tradicional e ao eletrônico, coexistindo pacificamente e na mais completa harmonia, tanto na forma como na música. Excelente disco, abre sua mente de maneira fácil, prazerosa e consciente. Para entender um pouco melhor o mundo, aquilo que estamos misturando, ou seja, aquilo que estamos vivendo, saiba crescer globalmente. ?Nortec é a fronteira e a fronteira é nosso futuro!?.
Clique aqui e ouça a faixa ?El Lado Oscuro De Mi Compadre?, do Terrestre.
Gostou do manifesto Nortec, ouça também: Avant Garde, Artefakto, Vandana, Ford Procco, 3dtv, DJ Tolo, Tlahuilia e THC ? Tijuana House Club.
CORNERSHOP | Handcream For A Generation
Depois do aclamado ?When I Was Born For The 7th Time?, lá em 97, com o hit ?Brimfull Of Asha? ? tributo ao cantor indiano Asha Bhosle ? desde então nada de bacana acabou aparecendo no universo musical Cornershop. Entenda bem, nada digno de destaque! Entretanto, ?Handcream For A Generation? surge rompendo com canções altamente groovadas, balançantes e ultracontagiantes.
Atitudes anti-racistas marcaram a crescente caminhada no início da empreitada do pessoal do Cornershop, lá em 97. Foram verdadeiras manifestações contra os maus tratos para com os indianos na Inglaterra. Até que chamaram a atenção do ex-Talking Head David Byrne que acabou assinando com o grupo, pelo selo Luaka Bop, de sua propriedade, nos idos de 95, com direito inclusive a sessão de gravação com o poeta da Geração Beat da Contra Cultura Americana Allen Ginsberg.
Vamos ao que interessa. Muitas colagens sônicas, ?Handcream For A Generation? é cheio de levadas dançantes, muito boogie rock, além de múltiplas sátiras nas letras. Leitores e ouvintes mais atentos, procurem ?Rocky IV Is To Be Ignored? em meio a profusão sonora do álbum. Não importa a quantidade de experimentações, em diferentes níveis, nos milhares de estilos musicais empregados, o que realmente conta é a essência sonora de Tjinder Singh e sua trupe, nunca mudando de ponto focal. Estão dizendo por aí que os caras ouviram muito Sly & The Family Stone antes de gravar este álbum? Vai saber!
Contribuições especialíssimas de Noel Gallagher, do Oasis, na psicodélica e épica ?Spectral Mornings?, com mais de 14 minutos. Além da grande participação da lenda do soul norte-americano, Mr. Otis Clay, na faixa de abertura ?Heavy Soup? e capturando outro membro original do Oasis, o baixista Paul McGuigan, na faixa ?Lessons Learned From Rocky I To Rocky III?. Ah! Sem se esquecer da diva de Manchester Doreen Edwards nesta mesma faixa.
Com facilidade, este álbum entra como um dos prediletos da quinzena. É muito bom escutarmos Cornershop numa retomada evolutiva do som característico, conquistando corações no mundo inteiro com sua mistura de batidas e melodias encantadoramente contagiantes, imerso em uma temática rica de humor e perspicácia. Soa extremamente bem ao vagar pela cidade de São Paulo, sem rumo, em busca de uma boa noitada!
Clique aqui e ouça a faixa ?Lessons Learned From Rocky I To Rocky III?.
Se você gostou de Cornershop, ouça também: Luscious Jackson, Gus Gus, Cornelius, Beck, Fatboy Slim e Talvin Singh.
CORNELIUS | Point ? From Nakameguro to Everywhere 45?29?
Não tem parada errada! Discão porreta demais? Poderia parar a resenha por aqui, sem dizer absolutamente nada sobre o álbum, bastaria apenas salientar a excelência de ?Point? ao máximo! Poderia dizer que ?Point? é muito mais preciso, acertado e com foco na sonoridade vanguardista do que seu antecessor de cinco anos atrás ?Fantasma?, enebriado na reconfiguração e apropriação de sons e estilos imersos na verve psicodélica insana.
Livre para tudo, Keigo Oyamada é o cara por trás do Cornelius, japonês maluco que ama música brasileira ? não precisa ir muito longe, escute a faixa ?Brazil?, ou qualquer outro trabalho do cara. Este lançamento, acaba soando bem ambient, eu diria, um tanto orgânico? Bah! Lá estão os famosos rótulos de prateleira. Cornelius pode ser considerado um grande criador, ou melhor, um grande experimentador. Envolto em uma exótica mistura de pop dos anos 60, música eletrônica, bossa nova, garage rock e dream pop, Cornelius acaba trazendo altas doses de prazer para nossos ouvidos.
Este disco realmente sobressalta os sentidos! Não caia na conversa fiada de outrém, corra atrás e experimente esta viagem cheia de brilhantismos sonoros. “Another View Point” e “Smoke” soam perfeitamente surpreendentes e espontâneas. O cantar dos pássaros em “Bird Watching At Inner Forest” e o borbulhar das águas em “Drop” dão ao disco uma aura bem natural e fresca, lembrando os samplers que o Matmos bem mesclou em ?A Chance to Cut Is a Chance to Cure?, de 2001. Naturalismo mais do que surreal!
Para abrir com chave de ouro, ouça “Bug (Electric Last Minute)” e a barulheira de “I Hate Hate”, evidente mostra de outra paixão de Keigo Oyamada: Kiss e Black Sabbath. ?Point? veio para engrossar o caldo, trazendo toda a bagagem estética que fez de ?Fantasma? tão fascinante, mas com a diferença brutal de melhoria musical constante. Na primeira ouvidela, talvez os fãs mais entusiastas se decepcionem. Porém, ao perceberem a coesão, os momentos de loucura em pequenas doses de harmonia, além das inúmeras mudanças e o contraste musical deste, tudo acaba fazendo sentido e transforma qualquer ouvinte em um fã incondicional de Cornelius!
Cornelius andava bem sumido nestes últimos anos. Em uma grata recompensa pela espera, ?Point? é mais que um presente, é uma verdadeira retomada à boa fase. Gravado durante um ano em seu próprio estúdio, resultou em um trabalho ultrapessoal. Apenas um engenheiro de som ajudou na lapidação deste recente lançamento. Keigo, além de cuidar de todo o lado musical de ?Point?, também criou o conceito de merchandising envolvido no disco, capa, pôsters, sacolas plásticas para as lojas e dirigiu os cinco clipes, dentre eles “I Hate Hate”, ?Smoke? e ?Point Of View Point?, que são incríveis. Ufa! Loucuras à parte, tenho certeza que ao ouvir ?Point? do Cornelius seu grau de êxtase chegará ao máximo! Como havia dito: discão porreta demais!
Clique aqui e ouça a faixa ?Brazil?.
E aqui para ver o clipe ?I Hate Hate?.
Se você gostou do Cornelius, ouça também: Pizzicato Five, Fantastic Plastic Machine, Cibo Matto, Gomez, Cornershop, Kostars, Luscious Jackson, Dimitri from Paris e Solex.