Por Antonio Fernando
Durante sua visita técnica às arenas do Black Paddle 2015, Hamã Oliveira, líder e idealizador dos clubes “Canoa Bahia” e do “Caramuru” (nome de um belo animal da nossa fauna marinha e também do primeiro “Homem branco” a viver na Terra Brasillis), oficializou a adesão da Canoa Havaina no Circuito Black Paddle e ratificou a sua participação na organização, divulgação e formatação do evento.
A pedido da BPW Sports, aproveitei a oportunidade para entrevistar Hamã, que nos conta, na entrevista a seguir, “um muito” da História da Canoa Havaiana/Polinésia no Brasil e no Mundo.
Hamã, qual a origem da Canoa Havaiana?
A Canoa Havaiana existe há mais de 3.000 anos, e sempre foi usada para conduzir os povos e sua cultura para outras localidades. Originalmente, este tipo de embarcação era propulsionada à vela e remo, o que se permitia navegar durante o dia e à noite. A adição do casco duplo na estrutura da canoa aumentou seu desempenho em alto mar, tornando o outrigger um instrumento de importância sócio-cultural inigualável na cultura das Ilhas do Pacífico.
Grandes distâncias percorridas em mar aberto fizeram com que tal embarcação se tornasse mística e sagrada para estes povos, pois naquela época, as guarnições se aventuravam no mar em busca de novas ilhas e seus familiares quase sempre não obtinham notícias nem tinham certeza do êxito, e se estes pioneiros tinham ou não alcançado ilhas com terras melhores. Os aventureiros remadores eram selecionados a dedo, escolhidos com muito critério, dava-se preferência aos mais fortes e com considerável nível de gordura no corpo para poderem suportar uma dieta rígida de vários dias remando, isto resultou em um biotipo encontrado somente nas ilhas mais distantes como o Hawaii.
Deste processo evolutivo culminou o surgimento da Canoa Havaiana ou Outrigger, forma como é chamada no Hawaii. Também conhecida como catamarã havaiano, ela tem média 14 metros de comprimento, 45 cm de largura e 50cm de altura, podendo atingir velocidade de 9 nós (17 km/h).
O catamarã Polinésio, caracteriza-se por ter propulsão mista, o casco duplo sustentado através de dois iakos retos, tornando a embarcação estável e segura. Já a canoa com casco único ou simples tem seu equilíbrio apoiado a um flutuador lateral denominado “ama”, é interligada a esta por dois iakos curvos também em madeira, com isto, exigindo maior prática e trabalho em conjunto da equipe, pois a instabilidade é maior.
Atualmente, a outrigger se divide em duas categorias distintas: categoria remo e vela e categoria remo. A embarcação usada nas duas modalidades é basicamente a mesma, sendo que na competição à vela, são adicionados um terceiro casco e um mastro, que suporta uma vela triangular muito semelhante à de uma jangada brasileira. Já na categoria remo, duas classes de outrigger disputam os melhores tempos: a classe MalÌa e a classe Long Boat
Quando e como a canoagem Havaiana Chegou ao Brasil, e como o país encontra-se no cenário mundial.
O esporte Chegou no Brasil no ano de 2000,na cidade de Santos- SP, através do remador santista Fábio Paiva e de um empresário carioca, Ronald Willims, dessa data até os dias atuais a expansão do esporte e a propagação dos valores históricos e culturais atrelados a essa prática é exponencial. Hoje o Brasil tem cerca de 35 Clubes de canoagem Polinésia/Havaina, com aproximadamente dois mil remadores.
O Brasil está muito bem visto no cenário mundial, visto que o país mesmo engatinha no esporte vem apresentando resultados expressivos nos últimos anos, situação esta mais uma vez demonstrada no último mundial de Sprint realizado no ano passado na cidade do Rio de Janeiro, onde uma equipe open masculina de São Paulo sagrou-se vice campeã, outra equipe máster feminina foi campeã, dentre outros resultados expressivos nessa mesma competição.
Imperioso lembrar que o Canoa Bahia matriz, sediado em Salvador participou desse evento com uma equipe feminina.
Conta um pouco dessa história de pioneirismo da Canoa Bahia e do Hamã – do recém fundado Karamuru Canoes.
O Clube de canoagem Canoa Bahia começou quando, em agosto de 2012. Sou advogado, oficial R2 de Infantaria do exército brasileiro e pratincante de diversas modalidades espoetivas. Após participar da até hoje maior competição de canoagem Havaiana/Polinésia da América Latina – a prova de 75km realizada na cidade de Santos/SP – resolvi implantar na capital baiana o modelo de Clube de canoagem lá visto, e já consolidado em diversos países do mundo, assim como em alguns estados do sul, sudeste e centro oeste do Brasil, sendo o pioneiro na região Norte/Nordeste.
Após ter avaliado o grande número de praticantes de ambos os sexos e de diversas faixas etárias, em especial os Sêniores Masters e Masters Ouro, acima de 50 e 60 anos, respectivamente, não tive dúvidas de que Salvador seria o lugar ideal para a prática de todas as modalidades de canoagem, em especial a canoa Havaiana/Polinésia, visto que essa modalidade é a de mais fácil aprendizagem, evolução técnica, integração entres os praticantes, bem como não se faz necessário ser um praticante assíduo de atividades físicas, para poder ingressar no esporte.
O Canoa Bahia esta distribuído em 4(quatro) núcleos, Praia do porto da Barra- Barra; Praia da Preguiça- Comércio; Parque Dique do Tororó- Toror e Praia da Rua da K/Música- Itapuã, contamos hoje com 5(cinco) canoas para 6(seis) tripulantes, duas canoas para 2(duas) tripulantes e 2 (duas) canoas para um tripulante, além de estarmos presentes na cidade de João Pessoa-PB, através da 1º franquia Canoa Bahia.
– A Karamuru Canoes nasceu em agosto de 2013, quando eu estava sentindo a necessidade de aumentar de forma rápida minha frota de embarcações tipo Polinésias/Havaianas para 6 tripulantes, sem ser obrigado no entanto a esperar por um longo prazo de entrega, bem como também estava ansioso por fazer modificações nas mesmas, que como remador julgava indispensáveis.
Dessa forma decidi que iria produzir minhas próprias Canoas, pois quando precisasse de um ou mais exemplares, as teria em um curto período de tempo e com criterioso padrão de qualidade.
Nesse mesmo contexto, nascia a necessidade de aprimorar alguns equipamentos já existentes e de desenvolver outros tantos, engado no objetivo lancei–me ao desafio, que a cada dia torna-se mais gratificante e com qualidade reconhecida .
Qual o potencial da Baía de Todos os Santos para a prática da Canoa Havaiana?
A Baía de Todos os Santos é a maior baía tropical do mundo e a segunda em extensão dos dois hemisférios. Possui aproximadamente 66 ilhas, é formada por águas sempre quentes, rasas, tranquilas bem como clima ameno, propiciando a prática do esporte durante todas as estações do ano, dessa forma não existe melhor lugar no Brasil para essa prática.
Você está participando de uma visita técnica para validar os percursos das três primeiras etapas do Circuito Black Paddle. O que você está achando dessa intenção do Black Paddle de abraçar a Canoa Havaiana nos seus eventos?
Acho que é uma decisão conveniente e estratégica, visto que para os remadores de SUP que almejam manter suas posições nos rankings, bem para os que pretendem competir em alto nível no cenário nacional e internacional, é uma tendência mundial a remarem de Canoa Polinésia, pois a grande maioria dos atletas de SUP de sucesso do Brasil e fora, começaram a remar de havaiana para depois migrar ao SUP, com isso ingressaram no esporte com um longo passo a frente dos que nunca tinham remado, conseguindo manter-se assim por um longo período.
O maior exemplo disso é o da Brasileira Andrea Muller, hepta campeã mundial de canoa havaiana, e a maior recordista de títulos femininos de SUP do mundo, Kai Lenny, Robby Nash, Alessandro Matero “ Amendoim”, o “cavaco”, o “Animal”, dentre tantos outros.
Essa diferença de rendimento dos atletas de SUP que também remam de havaiana, é explicada porque a remada das embarcações Polinésias, exige-se uma cinética de movimento bem similar à remada de SUP, porém, com uma maior frequência de remadas, levando o remador a exercer mais força em um mesmo período de tempo que a remada de SUP, dessa forma, quando o remador de SUP começa a treinar de Havaiana seu rendimento físico aumenta muito, pois sua resistência cardio respiratória e resistência a fadiga física são bem maiores.
Contudo é indiscutível que a remada de Canoa Polinésia, suplementa o treino de SUP.
Quais são suas expectativas e metas para o Black Padle 2015?
As minhas perspectivas em relação ao Black Padlle são bem otimistas, visto que tecnicamente somos destaque no cenário nacional dentre os atletas de SUP, a exemplo da multi campeã Bárbara Brasil e Pedro Valadares, que terão oportunidade de receber em sua cidade seus maiores concorrentes e consolidar ainda mais sua hegemonia, além de possibiliatar que atletas de todo Brasil desfrutem das belezas naturais do nosso paraíso chamado Salvador.
Ademais, vale salientar, que nosso ambiente aquático é sem dúvidas o melhor do Brasil quiçá do mundo para a prática das modalidades a serem disputadas nesse evento, visto que nossa condição climática e posicionamento geográfico, nos permite remar durante todas as estações do ano, independente de possíveis intemperes, nossas águas são sempre quentes, permitindo a prática dessa modalidade à noite, a exemplo dos remadores do Canoa Bahia que há 2 anos mantém turmas noturnas regulares.
No primeiro ano do Black Paddle, o Canoa Bahia tem como propósito fomentar as modalidades incluídas no circuito, auxiliar a organização do evento na divulgação das provas, formatação dos itinerários das etapas da Bahia, bem como quaisquer demandas referentes à modalidade da canoagem Polinésia/Havaiana, disponibilizando também suas embarcações e estrutura logística para abrilhantar o evento.
INSCRIÇÕES ABERTAS
Já estão abertas as inscrições para a primeira etapa do Circuito Black Paddle, que contará com seis etapas divididas por três estados, chancelas da CBSUP, CBS, ABASUP, premiação em dinheiro e disputas nas categorias SUP race, SUP wave, Downwind, paddleboard e canoa havaiana. Assim será o Circuito Black Paddle 2015, projeto idealizado pelo empresário ligado ao esporte Antonio Fernando, que terá início no mês de abril com a realização da primeira etapa, no Porto da Barra, em Salvador, BA, válida pelo circuito baiano e nordestino de SUP race e paddleboard, seguindo para SP, onde trará de volta ao estado, nas dependências do Yacht Clube.
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