Entrevista com Buzzy DeMendonça

O Salva Vidas Buzzy DeMendonça, em conversa com Vitor Marçal, conta um pouco da sua história e fala sobre uma trip que fez em 2006 para o Tahiti, para pegar a famosa onda de Teahupoo.

 

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Quantas temporadas no Hawaii?

19 temporadas
 
Quantos anos trabalhando como lifeguard no hotel federal Hale Koa?

5 anos

 

Por que ser salva-vidas?

O próprio nome diz: salvar vidas.  Para mim, não há nenhum dinheiro no mundo que possa oferecer o sentimento de poder salvar alguém.

 

Durante meus anos como salva-vidas no hotel federal de Honolulu, tive a oportunidade de ressuscitar duas pessoas, uma delas foi um turista japonês de 55 anos.

 

Ele se afogou quando estava nadando de snorkel. Foi muito difícil ver que ele estava se afogando, pois parecia que estava mergulhando. Depois de uns 10 segundos que ele não submergia, remei com minha prancha de resgate até ele, o peguei embaixo da água, coloquei-o em minha prancha, fui até a praia onde fiz o CPR. Com muita sorte, ele sobreviveu.

 

E conte um pouco de sua experiência de salva-vidas em ondas grandes?
Um dia em Waimea, peguei uma onda da série. Quando sai da onda no canal, vi uma pessoa nas esquerdas que estava sem prancha, e não conseguia nadar para a praia por causa da correnteza fortíssima. Esta pessoa é o Romeu, dono da revista Alma Surf. Fui ate ele e coloquei ele em minha prancha, e juntos, fomos para a área onde as ondas não quebravam. Depois de esperar por alguns minutos, o time de resgate de Waimea entrou em ação e o retirou do mar.

 

Por que você deixou seu trabalho de salva vidas do hotel federal, para trabalhar para a prefeitura de Honolulu?
Cansei de ser tratado como soldado, sem muito respeito, sem o treinamento adequado que o hotel não oferecia, sem muitos equipamentos de resgate. Acredito ter um futuro maior dentro desta organização, que tem os water man mais casca-grossa do mundo!!!

E o surf em ondas grandes?  Você ainda surfa?
Com certeza. No ano passado fui para Teahupoo, no Tahiti com o Kochinha, Garret McNamara e Kealii Mamale. Nunca me arrisquei tanto em minha vida!!!  Como tenho duas filhas lindas, tive muito medo de não poder vê-las novamente. Aquele coral é muito seco, e a onda é muito forte. Dei sorte de conhecer o Kochinha, que me convidou e me hospedou na casa dele no Tahiti.

 

Cheguei no Taiti no sábado à noite e no domingo já estava 10 pés e durante o dia inteiro só tinham 5 jet-skis no pico. Na segunda tinha 8 a 10 pés e na terça já tinha 10 a 15 plus!!!

 

Achei que não conseguiria surfar a onda de Teahupoo, pois não surfo Pipeline há muitos anos devido ao crowd. O Garret McNamara se recusou em me colocar nas ondas pois achava que eu não teria habilidade de surfar aquela onda. Disse também que por conhecer minha família, não queria ser o culpado caso eu morresse. Ha alguns anos atrás, um surfista local experiente morreu nas mãos do Garret.

 

Porem, o Kealii acreditou em mim. Puxou-me numa das maiores séries do dia e eu surfei a melhor onda da minha vida. Quando dropei, vi o coral preto quase brotando para fora da água e a onda tinha 15 pés, quadrada e tubular.  Não sei como consegui surfar a onda.

 

Agradeço a Deus até hoje!!!

 

Aloha

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