Entidades mundiais buscam crescimento do esporte

Vitórias: Após uma temporada com vários campeonatos em sequência, de volta à Califórnia, posso começar a dizer que o ano começou com vitórias, definições e com a tão sonhada esperança se concretizando. Estamos saindo do sonho e indo para a possibilidade de se realizar o crescimento que tanto queremos.

 

Por que vitórias? Nunca em tão pouco espaço de tempo se conseguiu tantas conquistas.

Tudo começou em Rio das Ostras, que foi sem dúvida, um dos melhores eventos em nível nacional realizado nos últimos anos. Estrutura impecável, boa premiação e tudo perfeito em termos de organização e preenchimento esportivo. Um evento de alto nível. O mar em Costa Azul, apesar de não ser constante, premiou a todos com ondas médias, mas de boa formação e com algumas das baterias mais disputadas de todas as etapas de Brasileiro. A bateria final, com um carioca – que é o maior bodyboarder de todos os tempos – , um baiano representando a nova geração de fenômenos que o Brasil tem, um paulista – parabéns mais uma vez ao circuito paulista – e um paranaense que tem sido uma das maiores revelações dos últimos anos. E quem conhece o surf de Sanderson, sabia que tudo isto era só uma questão de tempo.

E todos os outros que fazem a estrutura esportiva de competição e deixam um campeonato desses mais emocionante. Não dá pra falar de todos, é um grupo competitivo muito forte que o Brasil tem.

E as meninas… Bom, estamos vendo a renovação, a experiência e a consolidação de várias fases. A volta de Cris Kale aos pódios, ganhando da sempre “gigante” “Neymáquina” Carvalho, tendo na mesma final Naara Carolyne e Jéssica Becker, sem dúvida é a maior revelação do feminino amador nos últimos anos, que infelizmente se contundiu…

Mas outras estão vindo atrás, e vendo a variação do pódio em Pernambuco, a disputa esse ano deve ser boa e emocionante em todas as categorias. Macaraípe, mais uma vez recebeu a etapa do Brasileiro, desta vez com um dos melhores mares de todos os anos, é uma das mais tradicionais etapas do circuito brasileiro.

 

Iraí Rodrigues sobrou no campeonato, mostrando estar em sintonia com o mar, com a natureza e com a sorte. Levou o campeonato como um verdadeiro campeão, e mostrou mais uma vez a força nordestina – que colocou 4 na final –  que embolou o ranking da categoria Profissional. Vimos Roberto Bruno incomodando o tempo todo, Gustavinho da Costa em sua primeira final profissional, e o “Potiguar Voador”, Marcos Lima, mostrando ser cada vez mais consistente.

Tudo isto sem falar nas categorias amadoras, que são aquela loucura. O fato do tempo de bateria ser mais curto faz todos quererem a vitória em um espaço menor. E com o nível dos atletas teremos com certeza, no ano que vem, uma categoria profissional mais destruidora ainda. Erisberto, Bruno Invick, Vinicius de Souza… São tantas e tantas variações nos pódios que fica difícil fazer qualquer prognóstico…
Parabéns aos Circuitos Estaduais Amadores, principalmente o Carioca, que a todo ano presenteia a todos com boas novidades.

 

Mais uma lição de que união e boas idéias fazem a renovação e a evolução. Desta vez é uma passagem para o Panamá para o campeão carioca amador. Além de mais etapas e o surgimento de novas associações, fortalecendo ainda mais o circuito.

Tudo isto que aconteceu no Brasil foi muito importante, as coisascomeçam a tomar outro rumo. Minha grande preocupação nos últimos dois anos era se quando iniciasse o amadurecimento mundial, nós ficaríamos para trás. Mas o que aconteceu foi o inverso: não ficamos agarrados.

No meio disso tudo aconteceu o maior evento esportivo do mundo do surf, o ISA Games.
Só quem participa desse campeonato sabe do que estou falando. Eu pensava já ter visto tudo em termos de magnitude e ideal esportivo. É a evolução em termos de ideal, profissionalismo e busca pelo crescimento. Emoção, participação e luta por um ideal esportivo, se realiza dentro deste evento. A maturidade que se propõe e o ideal esportivo que envolvem essa competição, nos fazem repensar no que se busca.

É onde vemos que todas as rivalidades, picuinhas e divisões são pequenas em torno do que podemos ser. Quero agradecer a todos que fizeram desse campeonato um marco histórico. Ao Bukão, Juca, Fernando Aguerre, toda a diretoria da ISA, aos atletas e todos os juízes: Jordão, Gustavo, Cyril, Nino, e todos os outros que ajudaram a mostrar que somos um esporte só, e podemos andar lado a lado.

 

Fui o único no quadro técnico do bodyboard, fui respeitado, tive credibilidade e autonomia pra desenvolver meu trabalho. Os laços que foram criados, nem o tempo nem a distância vão apagar. Foram 10 dias de trabalho duro e sem dúvida foi o campeonato mais importante da minha vida.

Agradeço mais uma vez a honra e o prazer de ter feito parte desse grupo. Pude enxergar lá na frente, e ver quanto tempo se perde com coisas pequenas. Parabéns também a todos os atletas que fizeram o show, achei que nunca mais me emocionaria daquele jeito.

Em especial ao Marcelo Freitas, que fez a praia chorar, ao Teco, que lutou até o fim.  Andréa Lopes, e toda a força brazuca que lutou e vibrou até o final.

E os nossos bodyboarders que foram muito guerreiros. Na época, falou-se muito da superioridade brasileira, os resultados foram questionados. Só que para falar sem base, é melhor não falar.  A Neymara só perdeu porque não veio onda. Usou a tática certa e surfou como sempre surfa, como campeã mundial.

Mas quando o mar manda para outro competidor – que também tem nível – a melhor onda do dia, não tem como. E depois não te manda nenhuma, não tem como. Quem compete sabe: quando é dia, não tem jeito.

O Roberto Bruno pegou pedreira, caiu na segunda fase com os australianos Andrew Lester e Beau Day. Os caras simplesmente não deixaram ele pegar onda, muita marcação mesmo. Bruno foi para a repescagem e deu o show de sempre – a segunda melhor onda do campeonato – mas perdeu na semifinal pelo mesmo motivo que Neymara, não veio onda. O Bruno Invick foi até a semifinal, gente! E também não veio onda… Da mesma maneira que no surf veio a onda salvadora para o tahitiano virar na regressiva, logo após o Teco pegar uma nota 9.

Do mesmo jeito veio a onda na final pro Andrew Lester na regressiva, precisava de 8,33 e conseguiu um 8,73. A Austrália foi campeã? Foi, com muitos méritos. Levou um time forte, organizado, unido e centrado em ser campeão. Nós também.

 

O surf atingiu um estágio igual a qualquer esporte de alto nível: vários países podem ser os campeões. O Brasil poderia ter sido, a África do Sul também. Campeonato é campeonato. E logo depois, Neymara ganhou o WQT – World Qualifying Tour. Bruno ficou em terceiro. Na sequência, a Ney ganhou o brasileiro em Maracaípe e Roberto Bruno ficou em segundo.

 

Parece que temos mais reconhecimento aqui fora do que no nosso próprio país, isso em todos os segmentos.Temos que nos provar a toda hora que somos o melhor. GT até hoje é questionado, até no Brasil. Só falta ele ganhar campeonato em Marte. De qualquer maneira, crescimento esportivo significa visão, união e profissionalismo.

É isso que se propõe, quem tiver o mínimo de visão esportiva consegue. Isso é o ISA Games e a idéia de esporte organizado. Em cima disso vem o crescimento natural no bodyboard, o que eu esperava há muito tempo. A nossa luta e busca de amadurecimento parece não ter sido em vão. Todos os passos para trás no ano passado, ficaram para trás.

E grandes passos foram dados para frente nesses dois campeonatos. A aproximação da CBRASB – Confederação Brasileira de Bodyboard, CBS – Confederação Brasileira de Surf, IBA – International Bodyboarders Associatio e ISA – International Surfing Association, deve ser concretizada.

Para nós, a oficialização do Circuito Latino Americano – IBA Latin America – para 2005. E quem tem uma noção do que é esporte, sabe a importância de entidades e grupos capazes. Tentar sempre pensar em entidade esportiva como uma empresa. Durante o WQT no Equador, ficou firmado a diretoria, o calendário e um compromisso de evolução esportiva.

Falando de Equador, altas ondas e mais uma vez está provado que o esporte pode ser grande em qualquer lugar do mundo. Mentes pequenas, que se prendem só no seu local, deviam ao menos sair do seu estado para enxergar a realidade. Parabéns a Ricardo Martinez – meu braço direito na IBA Latin America – e ao Marcos Campos, eles fizeram um evento de primeiro mundo.

E venha o Peru, com altas ondas, a prévia do circuito latino do ano que vem. O Brasil é mais uma vez referência de profissionalismo e tento colocar isso para todos que trabalham comigo ao redor do mundo.

E se não fôssemos bons, não teríamos reconhecimento. As reuniões via internet – é para isso que serve, para trabalhar – são quase diárias, as diferenças são resolvidas e as propostas votadas. União.

 

Durante o mundial no Rio, apresentaremos o calendário 2005. O circuito começa no Equador, com uma premiação de US$ 10 mil, desce ao Peru, Chile, Argentina, Brasil e Venezuela. Esse é o maior passo para a concretização e evolução de vários circuitos.
Os circuitos regionais são muito importantes, como é o europeu e o pacífico – Hawaii / Costa oeste dos EUA.

Ainda bem que o amadurecimento veio junto. Estive, durante meses, conversando e discutindo coisas saudáveis para o esporte, acredito que vamos conseguir a tão sonhada união, desenvolvimento e aplicação de idéias que tanto se busca. Uma nova diretoria da CBRASB vem por aí, uma composição única, com todas as federações envolvidas, unidos com todos que realmente fazem algo pelo esporte.

Atletas, entidades, grupos privados, produtores de vídeo. Parabéns ao Edmar, que mesmo com algumas críticas – de quem não faz e não sabe fazer – sai como o grande criador da base e da consolidação da entidade, calando a boca de todos . Conseguiu deixar a semente de crescimento, com participação direta nesse mundial que vem por aí.

O reflexo disso tudo está vindo rápido. O Brasil vai sediar o maior evento de bodyboard da história, com premiação recorde, planejamento profissional e com proposta de alavancar o esporte. Pode ser o start de uma nova era. Uma união da Prefeitura do Rio de Janeiro, CBRASB, FEBBERJ, IBA Brasil, grupos privados, os atletas Guilherme Tâmega, Neymara Carvalho etc. Como sempre disse: somente com união vamos conseguir as coisas, sem utopia, sem bairrismo, sem inveja ou diferenças. Trabalhando e sendo realmente profissionais.

Saber que temos de novo uma base criada. E quando falo de trabalho, é colocar a mão na massa, correr atrás, fazer por onde e mostrar talento com competência. Sair um pouco da internet e ir pra rua trabalhar e mostrar serviço para o esporte. Assim como foi feito nesses últimos três meses. Acordar um pouco e pegar os últimos acontecimentos como exemplo. Eu acho que agora vai, pois o grupo que trabalha está unido. A consciência dos atletas realmente profissionais mudou – ficou fácil ver o óbvio. Super Tour, WQT, circuitos regionais e nacionais explodindo no mundo inteiro, crescimento esportivo. Renovação, categorias de base, festivais, promoções, campeonatos de onda grande, onda pequena, fundos de pedra…

Evolução técnica, formatos, profissionalização de todas as categorias envolvidas.
Cursos técnicos, aulas, escolinhas, formação de juízes. Websites, pessoas importantes, governos, empresas privadas. As marcas crescendo, todos buscando o bem comum. O leque de trabalho é muito grande e está na nossa cara. Mercado.

Tem produto para todos, a variedade é muito grande e é só fazer. Os incompetentes vão ficar para trás, graças a Deus. E a minoria que só fala, agora não tem o que falar. Continuo aqui na Califa, no circuito americano de Surf e BB e com etapas em vários picos. E o bicho vai pegar de novo esse ano. Quem será o mais louco?

GT quer revanche, Andrew Lester me falou lá no Equador que quer o título esse ano, Damien King quer o bi. E ainda tem o esquadrão dos novos no Super Tour, que não quer decepcionar. Mais brasileiros, mais europeus. É o sonho se realizando. Tudo no seu tempo e calando a boca de quem não faz.

Todos já perdemos muito e nos sacrificamos muito por esse esporte. Todos já tivemos brigas em casa, no trabalho. Alguns, como eu, perderam casamento, amizades, fizeram loucuras, brigaram com a família e largaram tudo atrás de um sonho. O sonho está aí de novo.

E só depende de nós, para que o que perdemos, não tenha sido em vão. Uma vez eu disse que um país inteiro iria mudar a cara do esporte. Me enganei. Será um planeta inteiro. Vamos continuar trabalhando, que é só o começo.

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