
Pela primeira vez o canal Waves Hawaii publica reportagem sobre os shapers brasileiros que vivem no Hawaii, mais precisamente no North Shore de Oahu, principal Meca do surf mundial quando se fala em potencial de ondas e também de equipamentos.
O idealizador e responsável pelas entrevistas com seis dos principais profissionais da plaina brazucas nas ilhas é o cinegrafista Bruno Lemos, que falou com shapers experientes do calibre de Heitor Fernandes, Jorge Vicente, Biro, e expoentes da nova geração como Johnny Lopes, Eddie Picollo e Christian Piani.
Além de mostrar um importante panorama do mercado havaiano, levantar as vantagens e desvantagens de uma carreira de shaper no Hawaii, e discutir novas tecnologias como máquina de shape, tow-in e outras tendências para o futuro, um dos objetivos desta matéria é homenagear um dos principais profissionais que o Brasil teve nesse campo, o carioca Fernando “Sheena” Ribeiro.

Sheena faleceu em outubro de 2001 depois de sofrer um acidente enquanto praticava kitesurf, sua última paixão. Durante 12 anos ele abriu as portas e foi um dos shapers mais conceituados
do North Shore, conquistando respeito e admiração da comunidade local também por suas performances em Banzai Pipeline.
Sheena fez pranchas para para vários tops brasileiros como Neco Padaratz, e gringos, como o havaiano Andy Irons, e também introduziu novas tecnologias no mercado com as pranchas Surflight, testadas e aprovadas inclusive pelo campeão mundial Mark Occhilupo.
Portanto, fica registrada a homenagem do site Waves.Terra ao Sheena, extensiva a todos os que de alguma maneira contribuem para a evolução das pranchas de surfe.
Confira nas páginas seguintes as entrevistas com os shapers brasileiros residentes no Hawaii.
Página 2 – Heitor Fernandes
Página 3 – Jorge Vicente
Página 4 – Biro
Página 5 – Johnny Lopes
Página 6 – Eddie Picollo
Página 7 – Christian Piani

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Heitor Fernandes
Ficha técnica
Nome: Heitor Fernandes
Idade: 49 anos
Anos de surf: 36 anos
Anos de shape: 32 anos
Média de pranchas feitas até hoje: 15 mil
Como você descreve o mercado de pranchas no Hawaii?
É um mercado no mínimo interessante. Vem muita gente de fora para surfar, mas, da mesma maneira que eles trazem pranchas, também querem levar pranchas de volta. Acho que o número de pranchas que entra é maior do que o número que sai. Temos, é claro, que levar em consideração que muitas pranchas quebram ou se deterioram. Mas, não é um mercado tão bom como na Califórnia, Austrália, Brasi, talvez por causa do preço. As pranchas são muito caras aqui. Muitas pranchas vendidas aqui vêm da Califórnia. E hoje em dia estão vindo da China, da Malásia. Tem pranchas sendo vendidas no Costco (supermercado local) mais barato do que o custo do material. Então, não é um mercado tão bom assim como se imagina.
Quem já surfou com suas pranchas e quem surfa com elas hoje em dia?
Acho que se eu falar alguns nomes a garotada de hoje em dia não vai nem conhecer. Caras das antigas, como Buttons, Buzzy Kerbox, Marck Willdman, outros mais recentes, como Fábio Gouveia, que já usou prancha minha… Dadá Figueiredo, Fernando Bittencourt e Roberto Valério também.

Quais as vantagens e desvantagens de ser um shaper brasileiro nas ilhas?
A vantagem é que somos malandros e sabemos nos virar em qualquer lugar do mundo. A desvantagem, talvez hoje em dia não seja muito relevante, mas antigamente existia um certo preconceito contra brasileiros, mas acho que hoje em dia nós fizemos o nome aqui no Hawaii sim. Devido a nossa malandragem, conseguimos nos infiltrar no mercado de uma maneira ou de outra, mas acho que o nosso nível técnico nunca foi reconhecido como realmente deveria.
Quantas pranchas você faz por semana e qual o estilo de prancha que mais tem feito?
Hoje em dia estou fazendo poucas pranchas, talvez uma média de uma por semana. Depois dos ataques terroristas em 2001, comecei a trabalhar em uma fábrica de barcos e hoje em dia só faço pranchas no fim de semana para amigos, filhos, esposa e alguns outros.
Quanto custa em média um shape seu? Dá pra se manter apenas shapeando ou você faz algum outro trabalho paralelo para pagar as contas?
Um shape meu custa US$ 200 pela mão de obra, independente do tamanho. Claro que tem um ou outro que dá uma choradinha, mas essa e a média. Acho que daria para eu viver só de pranchas, mas estou muito contente com esse meu trabalho na cidade, produzindo e desenvolvendo protótipos de barcos. É muito interessante e tem tudo a ver com o mar, e o salário é até maior do que eu estaria ganhando com as pranchas.

Quais os segredos para se fazer uma prancha boa?
Acho que não tem muito segredo não. Ou você tem talento ou não tem. Se você tem talento, acho que o segredo seria fazer o que acha que deve, as linhas que estão parecendo boas aos seus olhos. Acho também que se você surfar com as pranchas que faz ajuda muito também.
O que acha das pranchas de tow-in? Teria algum palpite de como elas poderiam ser melhores?
Eu não tenho muita experiência com pranchas de tow-in, mas se pudesse fazer um comentário diria que eles estão no caminho certo. Existem alguns materiais que nós não usamos na fabricação de pranchas que talvez podem ajudar nas pranchas de tow-in, tipo umas resinas e fibras muito fortes que iriam encarecer um pouco a fabricação, mas elas ficariam muito fortes e pesadas sem ser preciso injetar ferro ou chumbo nelas. Ficariam também menos flexíveis, que é uma das coisas importantes para a velocidade.
O que acha das pranchas brasileiras que os surfistas trazem para a temporada?
São ótimas pranchas, acho que o nível do shaper brasileiro não deixa nada a dever ao shaper americano, australiano. Pelo contrário, acho que estamos um pouquinho na frente. Talvez nos longboards, por ser algo meio novo no Brasil, seja um pouco diferente dos daqui. Mas no resto tá no nível.
Você acha que ser shaper no Brasil é muito diferente do Hawaii?
Não, acho que hoje em dia é a mesma coisa. As salas são iguais, as máquinas são iguais e com a internet pode-se achar tudo que há por aqui também.
O que acha das máquinas de shape?
Esse é um assunto muito interessante. Que eu saiba a melhor máquina que existe foi feita por um brasileiro, o Luciano Leão, há mais de 10 anos. Mas, se perguntar aqui na esquina poucas pessoas sabem disso. As máquinas são ótimas para quem tem produção grande, mas ainda acho que a prancha feita à mão é melhor, pois para a máquina existir temos que fazer pranchas à mão. Não acho que a máquina vai acabar com o shaper, isso é lenda, tem alguns lugares do mundo onde as máquinas jamais vão existir e sempre vai ter aquele soul surfer que vai querer sua prancha sob encomenda feita à mão…
Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Foram vários momentos, principalmente quando um surfista ganha um campeonato usando uma prancha sua. Mas acho que recentemente, mesmo sem shapear muito algumas pessoas me perguntam se eu sou o “shaper” Heitor Fernandes e quando eles descobrem que sou eu eles ficam amarradões. Isso é alucinante.
De onde vem sua inspiração?
Essa é uma resposta muito comovente para mim, pois tem a ver com a minha família. Minha inspiração foi o meu pai, é comovente porque ele já está com uma certa idade. A saúde não está muito boa, faz tempo que não o vejo. E foi uma pessoa que me inspirou muito para fazer pranchas. Se eu devo minha vida no surf e a minha carreira de surfista e shaper para alguém, é o meu pai.
Qual o shaper que mais admira?
São muitos. Erick Arakawa é um que faz um excelente trabalho dele, também admiro muito a personalidade, religiosidade e a filosofia de vida dele. Admiro muito também o trabalho do Rusty Preseindorfer, Nev Haiman e outros como Avelino Bastos, Pedro Bataglin, Victor Vasconcelos, Paulo Rabelo. No longboard, o falecido Mike Defendefer e Randy Rarick são nomes que me deram inspirações no meu trabalho.
Qual toque você daria para alguém se tornar um bom shaper?
Shapeie o máximo possível. Bloco velho, desencapar pranchas… Todo mundo um dia começou assim. Acredite na suas próprias idéias, crie suas próprias linhas, vá fundo.

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Jorge Vicente
Ficha técnica
Nome: Jorge Vicente
Idade: 48 anos
Anos de surf: 36 anos
Anos de shape: mais de 30 anos
Média de pranchas feitas até hoje: Entre 8 e 10 mil pranchas
Como você descreve o mercado de pranchas no Hawaii?
O pior, o mais competitivo e o que dá menos dinheiro. Havaiano não quer saber de pagar o shaper. Tem muitas fábricas, mais shapers que surfistas e é muito grande a competição. Se você é shaper brasileiro e quer vir tentar shapear aqui no Hawaii, pode vir preparado para cavar buraco e carregar pedras por um bom tempo antes de deslanchar na carreira de shaper.

Quem já surfou com suas pranchas e quem surfa com elas hoje em dia?
Dos surfistas brasileiros praticamente todos. Aqui do Hawaii quase todos também. Entre eles o Derek Ho, na época em que ele conseguiu impedir o Kelly Slater de ser mais uma vez campeão mundial. O Derek foi campeão mundial usando as minhas pranchas. Fora Sunny Garcia e nas antigas Mark Foo, Mike Latronic, Johnny Boy, entre outros.
Quais as vantagens e desvantagens de ser um shaper brasileiro nas ilhas?
A desvantagem é que as gerações mais antigas de shapers e surfistas brasileiros no Hawaii tinham um filme meio queimado com tráfico de drogas e fama de passar os outros para trás. Acho que isso mudou muito hoje em dia, mas os gringos ainda têm um pouco de pé atrás para fazer negócios com brasileiros. Para me levantar aqui foi um sufoco, e eles podem me derrubar em um segundo. A vantagem é que somos conhecidos como uns dos melhores artesãos da ilha.

Quantas pranchas você faz por semana e qual o estilo de prancha que mais tem feito?
Entre 10 e 15, focando mais qualidade do que quantidade. Faço todo o tipo de prancha, depende muito da estação. No verão sai mais longboard e funboards e no inverno as gunzeiras.
Quanto custa em média um shape seu? Dá pra se manter apenas shapeando ou você faz algum outro trabalho paralelo para pagar as contas?
Cerca de US$100, dependendo do tamanho um pouco mais. Graças a Deus estou conseguindo me manter com as minhas pranchas.
Quais os segredos para se fazer uma prancha boa?
Fé em Deus, muita dedicação e muito cuidado pra não estragar o bloco.

O que acha das pranchas de tow-in? Teria algum palpite de como elas poderiam ser melhores?
Os caras de Maui é que estão trabalhando muito nesse estilo de pranchas. Eu faço algumas pranchas para tow-in, mas pelo pouco que tenho visto acho que as pranchas poderiam ser mais leves. Esse ano, em vez de concave e v-boton, vou tentar fundos diferentes, como o double-barrel até o bico, vamos ver no que vai dar. Essa vai ser minha nova invenção, um duplo concave saindo até o bico. Algo bem louco que vai ter gente até rindo.
O que acha das pranchas brasileiras que os surfistas trazem para a temporada?
Acho que está faltando um pouco. As pranchas me parecem muito finas. Chega aqui e fica difícil de encarar uma morra de 12 pés. Acho que prancha para o Hawaii tem que ter volume.

Você acha que ser shaper no Brasil é muito diferente do Hawaii?
Sem dúvidas. As máquinas lá são um pouco diferentes e a qualidade dos blocos um pouco inferior. A resina, a fibra, os blocos aqui vem quase já shapeados, uma qualidade muito mais avançada.
O que acha das máquinas de shape?
Faz um ano e meio que eu trabalho com o Erick Arakawa usando a máquina dele. Mas, devido a minha idade tive que dar o braço a torcer. Sempre fiz minhas pranchas na mão e teve uma época que era até contra as máquinas. Mas ainda continuo achando que um shape feito à mão tem muito mais valor que um shape feito na máquina. Mas com a máquina consigo duplicar todos os melhores shapes que já fiz. A prancha que o Derek ganhou o mundial, a prancha do Sunny, a gunzeira do Mancusi… É show.

Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Foi ver o meu filho Gabriel Vicente, de 23 anos, arrepiando no sul do Brasil e seguindo os mesmos passos do pai sem eu forçar. E ver os meus dois filhos daqui serem números 1 e 2 no circuito havaiano.
De onde vem sua inspiração?
Minha inspiração veio das dificuldades. Eu só tinha abacate e peixe para comer, todos os meus amigos tinham pranchas e eu não tinha. Aí conheci o Ricardo Wanderbill, o vi shapando e me interessei. Como não tinha trabalho na época, fiz minha primeira prancha, ganhei um campeonato com ela, os meus amigos compraram a prancha e fizeram mais duas encomendas… Aí eu vi o dinheirinho entrando no meu bolso, pude comer um filezinho em vez de abacate e peixe e depois disso fui evoluindo.
Qual o shaper que mais admira?
É difícil de dizer, mas admiro muito o Erick Arakawa, ele é muito meu amigo e trocamos muitas informações.
Qual toque você daria para alguém se tornar um bom shaper?
Dedicação, cuidado com a saúde, usar a máscara e pensar muito no que vai fazer, porque depois que cortar o bloco já era.

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Biro
Ficha técnica
Nome: Marco Polo Marcello (Biro)
Idade: 41 anos
Anos de surf: 27 anos
Anos de shape: 18 anos, sendo 14 no Hawaii
Média de pranchas feitas até hoje: 4.500 catalogadas
Como você descreve o mercado de pranchas no Hawaii?
É um mercado muito disputado e difícil, pois aqui se encontram muitos dos melhores shapers do mundo. Mesmo assim, acho que tem espaço para quem tem talento. Mas não é fácil, uma coisa é achar que você tem talento, outra é ter, e isso é algo que você logo descobre aqui. Uma coisa é certa, aqui é o mundo do surf e se você quer aprender tem que vir para cá, é muito diferente.

Quem já surfou com suas pranchas e quem surfa com elas hoje em dia?
É difícil lembrar de todos, mas entre havaianos já fiz pranchas para o David Miller, Branden Dias, Mike Latronic, Bobby Owes, Buttons Kalohiokalani, entre outros. Do Brasil já surfaram Teco Padaratz, Marco Polo, Bernardo Pigmeu, Marcondes Rocha, Pato, Ayrton PB, Stephan Figueiredo, Kalunga, entre outros.
Quais as vantagens e desvantagens de ser um shaper brasileiro nas ilhas?
Bem , acho que estar em contato com os melhores shapers do mundo, vendo os melhores atletas e seus equipamentos, andar na vanguarda do esporte, poder testar as pranchas em ondas de verdade e principalmente aprender muito são algumas das vantagens. Posso dizer que depois de quatorze anos aqui, continuo vendo coisas novas todos os dias. Entre as desvantagens está o fato de ser sul-americano, pois querendo ou não eles protegem bem o mercado ajudando uns aos outros. Isso não é difícil de imaginar… Alguém aí no Brasil liga pra um americano que queira jogar num time grande de futebol? Depois tem a questão da experiência mesmo, pois leva muito tempo para adquiri-la, eles já estavam nesse mercado quando eu ainda nem era nascido, alguns deles têm a minha idade só de shaper, os caras são muito bons.

Quantas pranchas você faz por semana e qual o estilo de prancha que mais tem feito?
Faço em média dez pranchas por semana. A maioria é de pranchas pequenas e guns, com alguns longboards no verão.
Quanto custa em média um shape seu? Dá pra se manter apenas shapeando ou você faz algum outro trabalho paralelo para pagar as contas?
Em média eles custam US$ 100. As encomendas, no meu caso, são muito inconstantes e me forçam também a dar o glass nas minhas pranchas, o que não é de todo ruim, pois faço um dinheiro a mais e mantenho uma qualidade alta no produto final. Você pode transformar um shape bom numa prancha ruim como pode fazer ao contrário, um bom acabamento é tudo numa prancha. Também sou back shaper do Jeff Bushman aqui, ajudo ele na produção das pranchas de lojas, o que ele está gostando muito, pois fica livre para fazer as dos consumidores diretos.

Quais os segredos para se fazer uma prancha boa?
Primeiro ter um bom material e segundo fazer um bom estudo sobre vários tipos de prancha.
O que acha das pranchas de tow-in? Teria algum palpite de como elas poderiam ser melhores?
O surf de tow-in em si é um esporte bem diferente, muito mais veloz do que o surf de remada. Daí as pranchas de tow-in tendem a ter características de esqui aquático, pranchas mais finas com bordas afiadas e com menos envergadura. O que vejo aqui é uma tendência do aproveitamento destes testes feitos nas pranchas de tow-in passarem para as de surf de remeda e vice-versa. Neste último inverno dei o glass em algumas pranchas de alguns brasileiros e havaianos, e procurei laminar os tecidos separadamente, ou seja, dois tecidos primeiro e depois os outros dois. Num glass de 4 em cima e 4 em baixo, de 6 onças. Isso aumentou o peso das pranchas e garantiu um melhor acabamento sem mudar muito as características do shape. Creio que a maioria dos shapers também tem palpites para melhorar as pranchas de tow-in, pois é um esporte relativamente novo. Acredito que com certeza o fundo deve ser algo que vá mudar muito, acho que os concaves devem ficar ainda mais fundos e o bico mais funcional, cortando mais a entrada de água para que as pranchas não precisem ser tão pesadas.

O que acha das pranchas brasileiras que os surfistas trazem para a temporada?
Acho que elas ainda têm muitas características das pranchas feitas pro Brasil. As ondas aqui são mais fortes, eu vi vários surfistas nessa temporada não conseguindo cavar direito com suas pranchas, acho que os shapers deveriam se focar mais nisso.
Você acha que ser shaper no Brasil é muito diferente do Hawaii?
Sim, sem dúvida. Não só pela qualidade da matéria-prima, mas pelo fato de que aqui você vai ter que fazer uma prancha que realmente ande, pois o fundo é de pedra, não se esqueça disso.
O que acha das máquinas de shape?
Acho que é algo muito bom. Eu tenho modelos de pranchas que são muito bons, mas levam uma eternidade para faze-los. Com a máquina você pode fazer várias destas pranchas perfeitas para todo mundo. Gostaria de parabenizar o Luciano Leão pelo excelente trabalho, muito obrigado.

Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
É difícil apontar um só. Começou com a minha vinda para o Hawaii, depois trabalhei na Blue Hawaii com o Glenn Minami, peguei um mar clássico na manhã do dia 28 de fevereiro passado em Waimea e agora estou trabalhando com o Jeff Bushman. Acredito que ainda vou ter muitos momentos marcantes na minha vida.
De onde vem sua inspiração?
De tudo que envolve design, moda, carros, arquitetura, música e a vontade de querer ir cada vez um pouquinho mais rápido.
Qual o shaper que mais admira?
Não tenho um só, mas alguns fazem a lista: Dieffendorfer, Dick Brewer, Owl Chapman, Pat Rawson, Al Merrick, Jeff Bushman, Chuck Andrews, Heitor Fernandes, Simon Anderson… Todos são excelentes e devotaram muito de suas vidas para o esporte.
Qual toque você daria para alguém se tornar um bom shaper?
Primeiro achar a razão pela qual você está querendo shapear. Daí estudar muito e confiar nos seus instintos em criar algo. Contato: [email protected] .

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Johnny Lopes
Ficha técnica
Nome: Johnny Lopes
Idade: 42 anos
Anos de shape: 8 anos
Média de pranchas feitas até hoje: 1.200 pranchas
Como você descreve o mercado de pranchas no Hawaii?
Um mercado muito estável com grande demanda para funs e longboards o ano todo, sendo que nas temporadas de inverno aumentam muito as encomendas de shortboards e guns.
Quem já surfou com suas pranchas e quem surfa com elas hoje em dia?
Já fiz pranchas para James Santos, Marcondes Rocha, Marcelo Nunes, Hilo, Bruno Lemos, Paulo Costa, entre outros.

Quais as vantagens e desvantagens de ser um shaper brasileiro nas ilhas?
As vantagens é que devido ao idioma e ao bom relacionamento com os brasileiros que moram ou freqüentam as ilhas, temos a preferências deles, e não vejo desvantagens consideráveis.
Quantas pranchas você faz por semana e qual o estilo de prancha que mais tem feito?
Faço em média 15 a 25 pranchas por mês, e na maioria são longboards e guns.
Quanto custa em média um shape seu? Dá pra se manter apenas shapeando ou você faz algum outro trabalho paralelo para pagar as contas?
Meus shapes custam em média US$ 15 por pé, ou seja, US$ 100 por uma 7 pés e $ 150 por um longboard ou Waimea gun. Daria para me manter shapeando, mas como gosto muito de visitar o Brasil, sou também comissário de bordo da American Airlines e instrutor de jiu-jitsu.

Quais os segredos para se fazer uma prancha boa?
O segredo é saber entender o que o surfista quer e precisa. Saber diagnosticar as limitações de cada surfista e receitar um shape que cure suas deficiências técnicas. Além disso, é importante que a prancha seja totalmente harmoniosa e fluída em todas as linhas dimensionais. O mais importante é a comunicação entre shaper e surfista.
O que acha das pranchas de tow-in? Teria algum palpite de como elas poderiam ser melhores?
Essas pranchas estão em constante desenvolvimento e na minha opinião deveriam ter mais shapers surfando de tow-in, para que haja maior entendimento entre os shapers e os surfistas. Assim como o Gerry Lopez e nosso saudoso Sheena, ter a experiência de surfar de tow-in ajuda muito na comunicação com os big riders, que dão o “feedback” necessário para o desenvolvimento destas pranchas.
O que acha das pranchas brasileiras que os surfistas trazem para a temporada?
São excelentes as pranchas menores, ate 7 pés, que tenho visto, mas as guns acima de 8 pés especialmente, não são próprias para a potência das ondas havaianas.

Você acha que ser shaper no Brasil é muito diferente do Hawaii?
Não posso responder corretamente a essa pergunta porque nunca produzi pranchas em grande escala no Brasil.
O que acha das máquinas de shape?
Uma excelente ferramenta para aumentar a produção e desenvolver novas idéias tendo por base os seus “probes” de maior aceitação.
Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Foram vários, mas sempre que um cliente me liga dizendo como a prancha que fiz melhorou sua performance, me sinto realizado e considero um momento muito marcante. Por isso gosto muito mais de fazer encomendas do que shapear para lojas, mesmo ganhando menos nas encomendas.
De onde vem sua inspiração?
Das ondas havaianas. Sua potência e perfeição me fascinam e me inspiram a shapear melhor para que possamos buscar cada vez mais linhas harmoniosas, fortes e fluídas.
Qual o shaper que mais admira?
Heitor Fernandes pelo seu acabamento e simetrias impecáveis, Dick Brewer pelos seus outlines e pelas linhas de fundo de suas Waimea guns, Jorge Vicente e os saudosos Difenderfer e Sheena.
Qual toque você daria para alguém se tornar um bom shaper?
Muita observação. É preciso muito tempo vendo outras pessoas shapear e olhando muitas pranchas prontas. Ainda hoje eu passo horas nas surf-shops de Haleiwa observando e comparando as melhores guns e longs do mundo, que logicamente são produzidas aqui no Hawaii.

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Eddie Picollo
Ficha técnica
Nome: José Eduardo Bahia Picollo, mais conhecido como Eddie Picollo
Idade: 41 anos
Anos de surf: desde os 15 anos
Anos de shape: Envolvido na fabricação de pranchas desde 1979 e profissional desde 1987, quando morou na Austrália e trabalhou com a Aloha surfboards
Média de pranchas feitas até hoje: Aproximadamente mais de 5 mil pranchas
Como você descreve o mercado de pranchas no Hawaii?
Muito competitivo. Aqui há inúmeros excelentes profissionais, com vários anos de experiência, e não há espaço para aprendizes.
Quem já surfou com suas pranchas e quem surfa com elas hoje em dia?
No passado, atletas como Carlos Santos, Glen Winton, Tinguinha Lima, João Capilé, entre outros, me ajudaram muito no desenvolvimento do design de pranchas na época. Hoje em dia, aqui no Hawaii, trabalho para o John Carper e tenho minha logomarca, sendo que shapeio para atletas como Shane Dorian, Sean Moody, Peter Mel, Jason Frederico, Carlos Burle, Sylvio Mancusi, Rodrigo Resende, Danilo Couto, Pato, entre outros.

Quais as vantagens e desvantagens de ser um shaper brasileiro nas ilhas?
Entre as vantagens está o fato de sermos criativos por natureza, e aqui temos todos os tipos de materiais, ferramentas e ondas para desenvolver um trabalho de ponta. A desvantagem é que é muito difícil chegar aqui e conquistar credibilidade ou montar sua própria fábrica sem antes ter que trabalhar como back shaper para os profissionais mais renomados.
Quantas pranchas você faz por semana e qual o estilo de prancha que mais tem feito?
Faço em torno de 20 a 30 nas altas temporadas, caindo um pouco na baixa. Também Trabalho direto com o Japão, pra onde desenvolvo muitas pranchas de alta performance entre 6’0″ e 6’8″.
Quanto custa em média um shape seu? Dá pra se manter apenas shapeando ou você faz algum outro trabalho paralelo para pagar as contas?
Meus shapes custam entre US$ 60 e US$ 120, dependendo do tamanho e do design desejado. Na alta temporada dá para ficar um pouco descansado e se concentrar somente nos blocos de poliuretano, mas nas baixas você já tem que lidar com trabalhos como fibragens, lixação e outras áreas, pois as contas continuam a vir do mesmo jeito.
Quais os segredos para se fazer uma prancha boa?
Não há segredo algum, e sim amor, dedicação e visão.
O que acha das pranchas de tow-in? Teria algum palpite de como elas poderiam ser melhores?
As pranchas de tow-surf estão no mesmo ritmo da modalidade, ou seja, ainda existe muita coisa para ser desenvolvida. E na minha opinião, no momento que houver um sistema que possa aumentar ou diminuir o peso delas, acredito que seria um passo importante na evolução do tow-in.
O que acha das pranchas brasileiras que os surfistas trazem para a temporada?
Para o surfe em ondas pequenas e médias, elas não devem nada para as daqui. Mas, para ondas maiores e tow-in, levam vantagem os que encomendam suas pranchas com os shapers que possuem experiência em viagens para as ilhas.
Você acha que ser shaper no Brasil é muito diferente do Hawaii?
Como já disse, no Brasil, como temos um outro padrão de ondas, levamos vantagem em shapes de alta performance para condições medias e pequenas. No Hawaii é o contrário.
O que acha das máquinas de shape?
São excelentes para grandes produções e para repetir o sucesso de determinado design. Por exemplo: você cria um modelo do qual obteve excelentes resultados e quer manter este padrão para outros atletas. A máquina lhe dá esta possibilidade.
Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Tiveram alguns momentos marcantes, como a vitória de Carlos Burle no WG em Grumari, o título de Rochelle Ballard em um campeonato da OP feito em um barco na Indonésia e o fato de que todos os brasileiros que disputam a Tow In World Cup têm pelo menos uma Picollo no quiver.
De onde vem sua inspiração?
Principalmente do presente que Deus me deu de ter o dom de transformar um bloco em algo que seu irmão possa desfrutar.
Qual o shaper que mais admira?
Tenho uma grande admiração pelo JC (John Carper). Ele é um grande designer e apesar de já ter seu nome consagrado, continua trabalhando duro como se estivesse iniciando na profissão.
Qual toque você daria para alguém se tornar um bom shaper?
Se você realmente sente no coração a vontade de se dedicar à profissão, tenha fé em Deus, muita dedicação, estrague alguns blocos e vá em frente, meu irmão.

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Christian Piani
Ficha técnica
Nome: Christian Piani
Idade: 30 anos
Anos de surf: 20 anos
Anos de shape: 12 anos
Média de pranchas feitas até hoje: 1.500
Como você descreve o mercado de pranchas no Hawaii?
O mais completo e mais competitivo do mundo, em que grandes marcas como Local Motion, HIC e Town & Country dominam.
Quem já surfou com suas pranchas e quem surfa com elas hoje em dia?
A maioria dos que já usaram é composta de brasileiros e havaianos. Hoje em dia quem usa são alguns brasileiros e japoneses que vem para a temporada. Por um bom tempo Kai Murphy, local de V-land, e Masaijah Lani, do Kauai, usaram pranchas minhas. Atualmente shapeio para minha marca, Hawaiian Boards, além de fazer back shapes para Island Walker Surfboards, aqui de Haleiwa, onde moro.

Quais as vantagens e desvantagens de ser um shaper brasileiro nas ilhas?
As vantagens: melhor qualidade e variedade de blocos; melhor matéria-prima; melhores ondas pra testar as pranchas; maior quantidade de fábricas de prancha pra se tentar emprego; muita encomenda de prancha grande durante a temporada; fazer pranchas para brasileiros que moram aqui ou que vem durante a temporada, além de fazer pranchas para havaianos, americanos, japoneses e outros; grande contato com fabricantes de pranchas. Talvez o Hawaii esteja na frente de qualquer lugar em se tratando de fabricação de pranchas de surf. As desvantagens: sem dúvida o fato de estar longe de casa, da família e dos amigos. Sem contar que aqui é outra língua e outra cultura.
Quantas pranchas você faz por semana e qual o estilo de prancha que mais tem feito?
Tenho feito em média 5 a 10 pranchas por semana. O estilo de pranchas que mais tenho feito e mais gosto de fazer é para ondas fortes e tubulares.
Quanto custa em média um shape seu? Dá pra se manter apenas shapeando ou você faz algum outro trabalho paralelo para pagar as contas?
Varia entre US$ 100 a US$ 200, dependendo do tamanho. Além de shapear, entrego pizzas á noite pra ajudar nas contas.

Quais os segredos para se fazer uma prancha boa?
A escolha do bloco certo para o tipo de prancha a ser feita, o tipo de onda para a qual a prancha vai ser feita e a maneira que o surfista deseja surfar essas ondas. Tudo isso vai influenciar na hora de fazer uma prancha boa.
O que acha das pranchas de tow-in? Teria algum palpite de como elas poderiam ser melhores?
Quem tem ditado as regras são Timpone e Dick Brewer. As pranchas e o esporte em si são caros. As pranchas de tow-in feitas de madeira balsa são as melhores, mas infelizmente o custo é bem alto. Ele poderia abaixar com a descoberta de alguma matéria-prima que seja mais forte e mais barata que a madeira balsa.
O que acha das pranchas brasileiras que os surfistas trazem para a temporada?
As maroleiras parecem ter melhorado bastante, agora as guns e longboards ainda precisam evoluir muito.
Você acha que ser shaper no Brasil é muito diferente do Hawaii?
Sem dúvida é bem diferente. Os blocos aqui se comparados com os do Brasil são bem mais fortes e mais resistentes. Além disso possuem densidades diferentes. Em outras palavras, pesos diferentes. A Clark Foam dispõe de plugs que vão de 5″9 até 12 pés. Aqui as ondas são muito mais power e mais constantes que no Brasil, e tem também a vibração da ilha.

O que acha das máquinas de shape?
A única que tive contato foi a do Eric Arakawa. Por sinal é muito boa pra quem faz de 20 a 50 pranchas por semana, o que não é meu caso. Eu ainda sou a favor dos shapers que fazem tudo e contra essas máquinas.
Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Como shaper foi em 1996, quando conheci Cippy Cabato, dono da Classic Longboards, e fazia back shapes pra ele. E em 1997, quando o Beto Santos veio pra cá passar um tempinho shapeando e surfando. O Beto abriu bastante minha visão de pranchinha, gun e longboard. Como surfista, foi em fevereiro de 1998, quando ganhei um campeonato amador da N.S.S.A. em Turtle Bay. Na final estavam Tory Barron, Aamion Goodwin, Aaron Naluai e Marcus Hickman. Eles viram que além de shapear eu também sabia usar minhas pranchas direitinho, e com isso conquistei o respeito de muitos surfistas aqui na ilha.
De onde vem sua inspiração?
Minha inspiração pra shapear vem das ondas e tubos que pego aqui na ilha, especialmente em Sunset. Acho que Sunset é minha maior inspiração.
Qual o shaper que mais admira?
Fernando Sheena Ribeiro. Porque ele foi um revolucionário na arte de shapear, além das suas performances em Pipeline grande e Waimea. Ele foi um dos que mais levantou a moral dos brasileiros aqui na ilha de Oahu.
Qual toque você daria para alguém se tornar um bom shaper?
Tudo está no ar, é uma questão de visão.
