Navegando pelo litoral baiano, fui um dos felizardos esta semana ao presenciar um espetáculo gratuito proporcionado pela natureza. Depois de embarcar na lancha com a equipe de mergulhadores da operadora Scuba Forte, minutos depois de uma decida subaquática, fui surpreendido por grupos de baleias Jubarte nadando a menos de 30 metros de distância.
Sorte que minha máquina fotográfica estava próxima e consegui registrar esse momento histórico e magnifico.
Passeando com seus filhotes e dando saltos ornamentais, tirando praticamente o corpo inteiro e jogando muita água também para cima, elas fizeram um show. Exibiam as caldas, viravam as nadadeiras de um lado ao outro, enquanto havia outra saltando sem parar, mostrando todas as partes do seu corpo.
Muitas vezes elas sumiam, provocando a expectativa dos tripulantes, que estavam em estado de êxtase, mas logo a ansiedade acabava quando elas apareciam de novo, borrifando a água bem alto ou então aplicando mais um salto fantástico, projetando-se para a vertical e competindo com a gravidade.
Passada a euforia, fiquei preocupado imaginando como seria minha reação se por um acaso as encontrasse submerso a 37 metros (onde eu estava) durante o mergulho pouco antes, já que seu canto estava muito alto dentro d?agua, só não esperava que estivessem tão perto.
Segundo as regras de baleada pelo IBJ (Instituto Baleia Jubarte), o permitido é chegar até 50 metros de distância delas, por segurança.
Esse fenômeno pode ser visto todos os anos no período entre julho a novembro, quando as baleias Jubarte migram em direção à região Sul da Bahia para mais uma jornada do ciclo reprodutivo. Chegam em grupos e com seus recém-nascidos, para aproveitar a temperatura quente da água, que é mais agradável para a amamentação dos filhotes e também para o acasalamento.
O processo da reprodução é muito curioso, pois tanto o macho como a fêmea possuem uma fenda genital. Na hora do acasalamento, o macho expõe seu pênis da sua fenda genital, localizada próximo ao umbigo, introduzindo sobre a fenda genital da fêmea, localizada perto do ânus. Com movimentos lineares e acrobáticos, eles aproveitam esse momento prazeiroso durante horas.
Esses mamíferos alimentam-se bastante de ?krill? (espécie de camarão), mas somente durante os outros meses (no verão), nas águas polares, para uma duração ainda maior na costa baiana sem se alimentar, já que só voltam a comer em dezembro, quando retornam ao Sul.
O acúmulo do krill é a fonte de energia que aumenta a quantidade de gordura, permitindo uma boa temporada em jejum, aproveitando para se acasalar e dar a luz a seus filhotes, desfrutando das águas tropicais da Bahia durante o inverno.
São tantas baleias que se qualquer pessoa ficar na beira do mar, em qualquer localidade da costa baiana, observando o horizonte com paciência, terá o prazer de presenciar esse momento inesquecível. Com certeza irá guardar na memória para o resto da vida, como eu guardarei pra mim esse momento fascinante.
