Surf é profissão e isso já não é mais novidade. No entanto, para se tornar um surfista profissional é necessário percorrer um duro caminho.
Aos 21 anos, Emerson Piai não foge a regra. Treinamento diário, filmagens, análise de baterias, psicóloga, alimentação controlada, aulas de inglês e viagens são alguns dos compromissos que o jovem atleta assumiu desde que se profissionalizou.
“Quando você é amador, o surf não é levado tão a sério, é mais curtição de viajar, conhecer outros lugares. No profissional é diferente, existem mais regras e cobranças”, conta Piai.
Outro fator que contribui para a construção de uma sólida carreira é a oportunidade de surfar boas ondas. Ele morou por dois anos na Austrália, uma das potências do surf mundial. Na terra dos cangurus treinou em ondas longas e perfeitas.
“Isso faz com que você aprimore o surf de linha. As ondas têm sessões de tubos e são bem cavadas. Dá para treinar a mesma manobra até que ela fique realmente boa”, explica o atleta.
De volta ao Brasil em 2006, quando já havia completado 20 anos, o surfista iniciou sua carreira no surf profissional. Mas foi apenas no último dia 15 de março que Emerson Piai teve seu esforço recompensado. O atleta ficou com a segunda colocação na abertura da Seletiva Petrobras. A competição aconteceu na praia do Rosa, em Imbituba (SC).
“Fui para esse campeonato bem focado e decidido em me dar bem. Só não imaginava que chegaria até a final. Quero conquistar uma vaga para o SuperSurf e, futuramente, ser campeão brasileiro”, comemora Piai.
Dedicado aos treinos, Emerson acredita estar no caminho certo. “No ano passado não estava com pranchas boas e o meu psicológico estava ruim. Tudo começou a mudar do meio do ano em diante, quando iniciei o meu trabalho com a Gabi”, diz ele, referindo-se a Gabriela Carrero, com quem se encontra semanalmente.
“Meu trabalho é focado na terapia esportiva e conversar com ela é ótimo. A Gabi conseguiu mostrar que sou tão bom quanto os outros atletas e que tenho condições de alcançar meus objetivos”, conclui Emerson Piai.
As pranchas do atleta também receberam upgrade. “Estava com pranchas ruins até fechar um apoio com o shaper Ricardo Martins. Assim, comecei a obter resultados mais expressivos”, diz o atleta.
Emerson Piai conquistou em 2008 um nono lugar no Circuito Catarinense, quinto no Paulista Profissional e uma vitória na Expression Session do WQS em Ubatuba (SP).
Influenciado pelo seu pai, Jorge Piai, o surfista deu suas primeiras remadas ainda garoto, e desde então, conta com a orientação do velho. “Meu pai, além de técnico de surf é personal trainer. Nós fazemos um trabalho específico de baterias e filmagens para depois analisar em casa”, conta Piai.
