
Foi realizado na última quarta-feira (04/06), na loja da Osklen em Ipanema (RJ) um coquetel em comemoração à vitória do longboarder Phil Rajzman na primeira etapa do mundial de Longboard, em São Sebastião (SP).
Mais do que os tradicionais tapinhas nas costas e mulheres bonitas que normalmente caracterizam esses eventos, o que também chamou a atenção na homenagem foi a presença de personalidades ilustres.
Entre elas estavam o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Carlos Nuzman e o técnico tetracampeão Carlos Alberto Parreira, além do ator global Marcelo Novaes.
É claro que sendo filho do político e vice-campeão olímpico Bernard Rajzman (Nota da Redação: Bernard é ex-jogador de vôlei e medalha de Prata nas Olimpíadas de Los Angeles, em final contra os EUA), Phil tem motivos de sobra para ser prestigiado por figuras importantes de esportes aparentemente distantes do surfe. E o surfista parece estar mesmo seguindo os passos do pai, em busca de um título mundial.

Por conta da sólida estrutura familiar, Phil construiu um preparo cultural significativo, além de contar com um apoio especial no campo esportivo, incluindo não só o pai, que dispensa maiores apresentações, como a própria mãe, campeã de patinação.
Apesar de Bernard ter sido campeão olímpico de vôlei, Phil jamais sofreu pressão para ser jogador de vôlei, esporte que nunca lhe despertou grandes paixões. “Cheguei a jogar um tempo, mas era uma pressão muito desagradável ser visto como o filho do Bernard”, lembra Phil.
O próprio Bernard reconhece que seria muito difícil para seu filho fugir das inevitáveis comparações. “Fiz questão de deixar o Phil conhecer as mais diversas modalidades esportivas para então escolher aquela onde ele pudesse ser o melhor. Aos 13 anos, orientei ele para que escolhesse uma e tentasse ser o melhor possível nela. Ele escolheu surfe e o resultado está aí”, afirma o pai coruja.

Outra figura de grande importância na história de Phil é Rico de Souza. Aos 7 anos de idade, ele ingressou na Escolinha do lendário surfista, na Barra da Tijuca. A partir daí, formou-se uma intensa relação de parceria entre Rico e Phil, que não hesita em afirmar quer teve nele um segundo pai, condição que o próprio Bernard reconhece.
“Tratei o Phil como se fosse meu filho,ensinei a ele tudo que eu pude em relação ao surfe, viajamos juntos para os melhores picos do mundo e faço as pranchas que ele usa nas competições”, afirma Rico, shaper do foguete campeão em Maresias – 9’1, 21 ½, 17 7/8 , e 13 ½.
Na opinião de Rico, Phil é um autentico waterman. “Ele é bom em tudo que é na água”, derrama-se em elogios o técnico corujão. “Além disso, ele vem de uma família que lhe ensinou o valor da disciplina, da dedicação aos objetivos e a obstinação pela busca de resultados”, ressalta Rico.

Aliás, vale destacar que Phil considera estratégico o fato de também surfar de pranchinha. “Ao surfar pranchas menores, convencionais, desenvolvo uma radicalidade que depois aplico nos pranchões, onde consigo fazer manobras como olies up, manobra de skate, e aerials”, explica o atleta.
Sobre as perspectivas para 2003, Phil não esconde sua expectativa em aproveitar o bom momento para conquistar o tão sonhado titulo mundial, aproveitando-se do fato de o circuito ter duas etapas no Brasil.
“Sou movido a desafios, essa é basicamente a força que me motiva. Por exemplo, sempre me diziam que era impossível surfar The Box, na Austrália, de longboard. Só por causa disso fui lá e provei que era possível. Meu objetivo agora é provar ao mundo que os brasileiros podem ser campeões mundiais”, sentencia Phil.
Contando com uma forte estrutura emocional e psicológica, além de patrocinadores sérios como a Osklen e a Academia da Praia, que lhe garante um excelente preparo físico, é bem provável que Phil vença esse desafio. O tempo dirá.