
Quando se fala de surf a primeira imagem que vem a cabeça da maioria das pessoas é a de garotos e garotas desocupados de pele bronzeada, cabelos parafinados e corpos sarados que passam o dia todo de bermuda atrás de ondas perfeitas.
Ou pior, associam o surf às drogas e ao puro ócio, esquecendo que também se trata de uma modalidade esportiva e que muitos praticantes tiram seu sustento dela, como em qualquer outro esporte. Há ainda um lado fundamental do esporte que a maioria dos cidadãos não conhece, o lado social.
A Ebasurf (Escola Baiana de Surf) acredita que o esporte, além de ser um veículo de educação fundamental na formação do indivíduo, é um hábito que deve ser incentivado e preservado para oferecer melhor qualidade de vida.
Criada no verão de 1997 por Fernando Eloy (Fedoba) e filiada à Federação Baiana de Surf, a Ebasurf incentiva e aperfeiçoa a prática do surf para todas as idades, de ambos os sexos e diferentes classes sociais, através de uma forma técnica, segura e divertida.
Além de possuir uma equipe de nove atletas que vem se conseguindo resultados expressivos em competições do Circuito Baiano de Surf Amador, a Ebasurf se destaca entre as diversas escolas de surf espalhadas pela cidade de Salvador.
A entidade oferece todo o equipamento, infra-estrutura e instrução necessários à prática do surf, com grande preocupação social e destina parte de seus recursos para a formação de 20 menores carentes de bairros de classe baixa de Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador, em atletas-cidadãos através do Projeto Sou do Surf.
O projeto tem como objetivo afastar as crianças da marginalidade e ocupar o tempo livre com o surf enquanto não estão na escola. O objetivo é desenvolver noções de cidadania, além de revelar novos talentos.
Fedoba afirma que o comportamento dos garotos mudou de forma impressionante desde que eles começaram a freqüentar as aulas, e se emociona ao lembrar de como tudo começou, e da sensível evolução de seus pupilos, alguns com muito potencial.
Mas o semblante dele entristece quando diz que não conta com apoio de nenhuma empresa ou órgão público para manter e melhorar sua escola e que, como a maioria das obras sociais, depende da boa vontade de outras pessoas.
Ele diz que gostaria de atender mais crianças carentes, mas não há recursos físicos e humanos para realizar seus planos.
Sensibilizada com a situação do Projeto Sou do Surf, Mariana Colombini Ribeiro, aluna da EBASURF e estudante do curso de Educação Física da Faculdade Social da Bahia (FSBA), viu em um de seus trabalhos acadêmicos a oportunidade de associar sua instituição de ensino a um projeto social, propondo melhorias no projeto atual, com o objetivo de regulamentá-lo para que seja apoiado por empresas.
E quem sabe assim a Prefeitura e outros órgãos públicos, vendo o resultado de sucesso do trabalho de intervenção social do trabalho com as crianças, se proponham a aceitar o projeto e se conscientizem de que o esporte é importante para o desenvolvimento físico, psíquico e social do indivíduo.
“Através do esporte, aprendem-se novas atitudes, adotam-se novos comportamentos e adquire-se senso de responsabilidade. A sua prática implica a absorção de valores fundamentais como respeito ao próximo, regras de civilidade e fixação de metas de melhoria da qualidade de vida e boas perspectivas para o futuro”, afirma Mariana Colombini Ribeiro.
Para saber mais sobre o trabalho da Ebasurf, envie mensagem para Mariana Colombini Ribeiro, no endereço [email protected] .