É hora de voltar para casa

Realmente as ondas acabaram e é hora de voltar para casa. Desde que saí do Brasil, em novembro passado, foram cinco meses adquirindo experiência e conhecimento.

 

Como uma “quase surfista”, digo isso porque sou casada com um surfista profissional e tudo em nossa vida gira em torno desse esporte e estilo de vida maravilhosos, acompanhei o Pato nesta temporada nas ilhas havaianas.

 

É impressionante essa busca dos surfistas pelas ondas perfeitas, melhores equipamentos e realização profissional.

 

Estou começando a entrar neste mundo, que eu até então não conhecia e não imaginava como era. Confesso que estou adorando e me sentindo muito feliz em meu trabalho de filmaker. Por isso, acompanho sempre o dia-a-dia de “trabalho” dos surfistas.

 

Fiquei maravilhada com as ondas gigantes em Jaws, mas ansiosa e decepcionada com o crowd em Pipeline, afinal foram horas de espera na areia. E também ficava muito feliz quando encontrava com qualquer brasileiro pegando altas no North Shore.

 

Mas, como não pego onda, deixo meu lado “esposa” de lado, e passo a palavra ao Pato, para ele contar um pouco do que rolou nesta última temporada havaiana.

 

O que mais te marcou nesses cinco meses que esteve no Hawaii?

 

O crowd em Pipeline, pois estava impossível surfar uma onda da série nos dias clássicos. A evolução do surf brasileiro também é marcante, pois fiquei chocado com o desempenho de atletas que correm o WQS, como Pigmeu, Trekinho, Bruno Santos, Jean da Silva, Riquinho, entre outros. Notei o quanto evoluímos da última geração para essa, com os atletas posicionando-se melhor no pico, entubando fundo e com estilo. Na areia, fiquei orgulhoso por ser um surfista brasileiro. Claro que ainda falta bastante a percorrer, mas estamos no caminho certo. Também fiquei impressionado com o dia 10 de janeiro em Jaws, porque foi o maior swell que já vi na vida! Foi impressionante surfar aquelas ondas. É um dia que jamais esquecerei. Também teve o acidente do João Mauricio… Foi muito triste ficar sem meu amigo e parceiro logo na primeira onda. Mas, se Deus quiser, ele estará de volta em breve. A falta de ondas boas foi marcante. Apesar de que, mesmo sem ter sido uma das melhores temporadas, não faltaram momentos inesquecíveis e tubos alucinantes.

 

Os brasileiros realmente dominaram Jaws?

 

Foi impressionante ver a evolução das pranchas e como elas nos colocam num patamar igual ou até melhor que os gringos em alguns momentos. Exceto pelo Laird Hamilton, que na minha opinião ainda é o rei.

 Você ficou sem entender porque somente cinco brasileiros foram convidados para disputar o Tow In World Cup, já que é um evento organizado por brasileiros. Comente um pouco o assunto.

 

Bem, na verdade e difícil entender, pois se reparamos na lista de convidados do Eddie Aikau, a maioria é havaiano. No campeonato em Maverick’s, na Califórnia, a maioria é de competidores americanos. E no campeonato mundial de ondas grandes em Jaws, organizado por brasileiros, a maioria é de gringo. Entendo que o evento não rola em nosso país, nem em nossas ondas, mas isso não quer dizer nada, pois também sei que o Tow In World Cup movimenta muito a economia em Maui. E não seria nada mais justo convocar mais duplas brasileiras. Acho que o Brasil seria mais valorizado e teríamos mais chances de nos destacar no surf mundial.

 

Você é big rider, mas também gosta de surfar ondas pequenas. Como é essa relação?

 

Na verdade o surf é minha vida. Como não rola ondas grandes o ano inteiro, procuro evoluir em todos os tipos de onda.

 

Deu para treinar bastante nessa temporada?

 

O Hawaii é impressionante. Aqui é realmente o melhor lugar do mundo para surfar. Mesmo a temporada sendo fraca, neste ano peguei muitas ondas e momentos inesquecíveis, como um tubo que dropei fazendo tow-in em Phantoms, além do swell gigante no dia 10 de janeiro em Jaws. E também muitas ondas em V-land, Backyards e Rocky Point. O Hawaii sempre será a meca do surf.

Você é um profissional realizado ou ainda tem algum objetivo maior a ser alcançado?

 

Com certeza, tudo o que planejei durante minha carreira vem acontecendo no tempo certo, conforme vou me preparando. Mas, tenho outros objetivos que quero alcançar, como vencer alguns eventos de ondas grandes e surfar tubos enormes, que tenho certeza de que ainda estão por vir. Sem contar, é claro, com a finalização do meu segundo vídeo, o Psicopato II.

 

Não é fácil nem barato permanecer todo esse tempo no Hawaii e ainda ter que viajar atrás de ondas grandes. Como funciona isso?

 

Esta sempre foi uma das partes mais difíceis, pois tudo é muito caro e a logística para ir atrás das ondas grandes é complicada. Algumas vezes, temos que ir para Maverick’s, na Califórnia; outras para Jaws, em Maui; e dependemos da natureza. Apesar de toda tecnologia, ela às vezes nos surpreende e, com isso, os dólares vão embora. Não fosse pelo apoio de meus patrocinadores (Freesurf, Mormaii, LuiLui, Bully’s e Pro-Ilha), sem exceção, eu jamais conseguiria. Graças a toda essa estrutura, que não é fácil conseguir, tenho a oportunidade de evoluir meu surf e levantar a bandeira brasileira em águas estrangeiras. Agradeço muito a atenção e profissionalismo de todas as empresas que me apóiam. Não estou puxando o saco, mas realmente são todas muito profissionais. Ficaria muito feliz se todos os surfistas pudessem contar com parceiros assim. Por isso, agradeço a todos que me apóiam e que torcem por mim.

Aloha

 

Pato

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)