Muitas conclusões e definições foram observadas nessa última etapa do Brasileiro em Maracaípe. E outras tantas são analisadas mais a longo prazo, o que nos permite fazer várias avaliações e tentar os caminhos para o crescimento.

Em relação ao nível técnico nos campeonatos, estamos vendo que o favoritismo não existe mais. Tivemos em Maracaípe um nível extremamente equilibrado em todas as categorias. Desde as primeiras baterias, passando pelas quartas de final que foram de arrepiar, até a final, onde o alto nível, principalmente na profissional masculino, mostrou que os papa pódio estão rareando.

Tivemos colocações totalmente diferentes da primeira etapa, com alternância em todas as posições. Uri Valadão (BA), rodou nas quartas, Roberto Bruno (CE), na semi. Lucas Nogueira, na semi. Luis Gustavo (SC), nas quartas.

 

Vimos também, atuações memoráveis de Tainan Monte (CE), que era favorito depois do que mostrou nas primeiras baterias. Fabinho Rodrigues (CE), arrasou com seus back flips. E uma performance memorável de Luiz Gustavo (CE), que mostrou que linha de onda, estilo, fluidez e radicalidade podem (e devem) andar juntos. Mostrou o que chamamos de harmonia que embeleza os olhos. Parabéns.

Neymara Carvalho (ES) e Joselaine Amorim (RS), sobraram na feminino. Todos já sabiam que a disputa ficaria entre elas. Joselaine vinha do título Pan-Americano, e Neymara do vice campeonato em Pipeline. Na final, subiu uma onda mágica para Joselaine, e ela não desperdiçou, tirando um dez e papando o campeonato. O detalhe foi que ela ganhou, mesmo com Neymara tendo no seu somatório uma nota 8,5 e uma outra 7,0. Surfou muito também.

Isso, sem contar com os amadores, que são extremamente alucinados, levando a loucura qualquer um na praia com baterias que não deixam a dever em nada os profissionais.

E mais uma vez a “baixinha”,  Juliana Dourado, que vem amadurecendo a cada etapa e mostrando surf de gente grande foi o grande destaque da categoria feminina amador.

A mudança para duas ondas, foi fundamental para a melhor definição de o melhor ganhar. Acabou com a ondinha regular que entra para o somatório. Com o fraco alto, que define colocações, e valoriza de verdade quem surfa melhor.

Tivemos baterias muito apertadas, em que a diferença entre o primeiro, o segundo e o terceiro foi de apenas meio ponto. Tivemos uma bateria, em que o Uri Valadão ficou em terceiro com notas 9 e 7,5. Em segundo o Lucas Nogueira com um 9,5 e um 8,5. E um Luiz Gustavo (CE) com um 10 unânime e um 8,5. Foi de arrepiar.

 

Muito importante está sendo a maturidade e experiência do quadro técnico de juízes. Para serem diferenciados os detalhes nas baterias de alto nível. E o resultado justo acontecer.

As vezes, não adianta nada as mudanças serem feitas, se o grupo que trabalha não tem condições de acompanhá-las. Quando decidi mudar para duas ondas o critério, já sabia que o grupo estava preparado, o nível dos competidores é muito alto. Se não houver uma separação coerente entre as notas, fica parecendo que todos merecem passar a bateria.

Um quadro técnico tem que estar acompanhando a evolução e sabemos que o nível só tende a aumentar. As vezes as coisas são meio mecânicas e as pessoas não tem noção do grau de responsabilidade dos árbitros. Ainda mais em eventos de alto nível, em que o bicho pega desde as primeiras baterias.

E naquela hora em que todos estão na praia, vendo uma bateria casca grossa, e ninguém sabendo quem vai passar, é nessa hora, que entra a parte técnica do esporte. Se mistura ao feeling e promove o campeão. Temos consciência da nossa responsabilidade, e podem deixar que nunca deixaremos cair o nível, mantendo sempre a nossa união e profissionalismo entre os árbitros, buscando cada vez mais o entendimento com os atletas do que é bom ou ruim para o esporte.

Outra conclusão que tiramos… E foi por acaso, durante um simples bate papo entre o Xandão e eu, com o olhar de alguns atletas. O Xandão tocou em um ponto muito importante e que é fundamental. E que demonstrou como estamos amadurecendo e criando uma “cara”. Não podemos nos omitir. Quando falo de omissão, não estou falando de fugir. Estou falando de fazer acontecer.

Xandão estava certo quando disse: “o que adianta termos o melhor juiz do mundo, o Hexa campeão mundial, as melhores bodyboarders do mundo, os melhores campeonatos, a melhor escolinha, uma Confederação se solidificando, as melhores associações e Federações, se não andamos para frente?”.

 

Concordo plenamente… Esse Congresso vai definir muita coisa. Eu  creio na força que uma “Comissão de Frente”,  formada pelo GT, Neymara, Xandão, eu, Bruno Calheiros, Roberto Bruno, os “loucos big riders” do Brasil (Itacoatiara realmente é a onda mais pesada do Brasil), a CBRASB, produtores dos vídeos, todos os profissionais, ex atletas, amadores… Sei lá… Todos os segmentos do esporte, que realmente querem ver o bodyboard crescer. As Federações e Associações honradas (honradas e não oportunistas como as que querem mamar no esporte), que façam valer a pena ser parte desse grupo que sofre com a não “explosão” do esporte. Toda vez que a gente se encontra se “agoniza”, tentando entender como o esporte não bomba! Eu o Xandão e o Márcio Torres ainda vamos nos bater pra aliviar a tensão.

Queremos que atletas como José Otávio não parem de competir para que possam explodir lá fora… Que o Fabinho Rodrigues, tenha oportunidades para crescer. Que Roberto Bruno e Uri Valadão se mantenham no topo com dignidade. Que Sanderson Trevisan, não viaje mais três dias de ônibus para competir.

Que Hermano Castro tenha o seu valor reconhecido por ter saído da triagem no campeonato mais importante do mundo e chegado na final. São tantas coisas que podem ser resolvidas somente com uma palavra: União.

Creio que Guilherme Tâmega e Neymara Carvalho, já deixaram há muito tempo aquela mania de alguns, que falam: “Ah…minha obrigação é só pegar onda,  já faço muito trazendo títulos”. Graças a Deus isso acabou e todos estão com mais maturidade e vão vestir cada vez mais a camisa do esporte. Eles são ídolos, e um esporte é feito de ídolos. Se os ídolos não ajudarem, é dar murro em ponta de faca. espero que todos sigam o exemplo.

Não somos um esporte que nem o futebol, em que o ídolo se faz em um jogo. Temos que ser humildes e ter noção de que, sem a “Comissão de frente”  junta, não saíremos do lugar. Espero deste Congresso, de verdade, a criação de uma Associação de Atletas. Mas uma coisa séria, sem vícios antigos e imaturidade. Tomara que elejam um representante responsável, com visão, e que saiba, acima de tudo, trabalhar com coerência para não deixar a peteca cair.

Chega de “representantes de categoria”. Está na hora de criar uma “Associação de Atletas Profissionais” de verdade. Com uma pessoa séria que saiba falar e representar de a categoria. Com estatuto, registrada…

 

Será que é pedir demais? É muito fácil isso gente!!!

É pra poder chegar com respaldo e firmeza para se exigir as coisas, e não jogar as idéias e críticas na beira da praia. Pensem bem.

Quero que as Federações se moralizem cada vez mais, que realmente ajudem a Confederação. É a outra parcela que está em falta. Que as “laranjas podres”, que nós sabemos exatamente quem são, peguem o chapéu e vão embora. Não precisamos de trambiqueiros, “volteiros”, chorões e enganadores. Precisamos de pessoas sérias e honestas que cumpram o seu papel representando os atletas e o esporte. Espero que a carapuça sirva para certos dirigentes, pois a batata de vocês está assando. Estão se tornando minoria

Infelizmente não estarei no Congresso na etapa de Rio das Ostras, pois estou indo para o Tahiti e Austrália para as etapas  do Super Tour. Estou fazendo a minha parte e buscarei sempre fazer o melhor para defender o esporte que escolhi. Sempre tentei e sei que fiz o melhor que pude para tentar fazer crescer o esporte.

E sei que tem gente com muito gás também, e que vai entrar na briga. Espero ver boas notícias nos sites, por favor, não me decepcionem. Todos os bons fazem parte do crescimento. Até a volta e torçam pelos nossos atletas e pelo bom nível dos campeonatos. Pois crescendo lá fora, cresce aqui no nosso país também.

 

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