A professora aposentada Maria Helena Tavares é um ótimo exemplo de ‘mãe do surf’. Conhecida como “dona Sino”, apelido dado porque um de seus filhos é o atleta Rodrigo Tavares, mais conhecido como Sininho, Maria Helena começou a surfar há dois anos em Santos, São Paulo.

 

Aos 54 anos, além de pegar onda, ela participa ativamente de tudo o que é relacionado ao esporte.

 

Seja na praia torcendo pelo filho caçula (ela também é mãe de Daniel Tavares, professor de educação física), no apoio à Associação Brasileira de Surf Feminino (ABSF), ou comentando matérias no Fórum do site Waves.Terra

 

O surf entrou na sua vida em 92 por influência de seu filho Sininho, que passou a levar a carreira a sério e, como toda mãe coruja, ela passou a acompanhá-lo nos campeonatos.

 

Já as aulas tiveram início na Hot Girls Surf School, depois de acompanhar durante meses o início do trabalho da Associação Brasileira de Surf Feminino.

 

“Comecei a surfar em janeiro de 2003, depois de participar durante três meses da criação da ABSF, em parceria com a presidente Diolanda Vaz. Passava todos os sábados com as alunas e a vontade foi aparecendo”.

 

“Em janeiro de 2003, aposentei-me do magistério e entrei para a escola.  Passei de professora à aluna de uma sala de aula muito especial, o mar”, explica.

 

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Maria Helena conta que Daniel, o filho mais velho, que inclusive dá aulas de surf na Hot Girls Surf School, adorou a idéia. Já Rodrigo não aprovou de imediato ter uma mãe surfista.

 

“Agora, ele já aceita melhor. No fundo, ele gosta. Os amigos comentam com ele que encontram comigo pegando onda no Quebra-Mar”.

 

No começo, algumas pessoas reprovaram a atitude.

 

“Quando comentei com minhas primas e tias, acharam um absurdo. Uma até questionou se eu não achava muito tarde para isso”.

 

Mas, ela não desanimou, pois estava disposta a mostrar o outro lado do esporte. “O surf não é um mundo de drogados, essa coisa superficial. É outra coisa, estilo de vida, uma coisa centrada. É vida e, muitas vezes, sobrevivência?, diz.

No entanto, não é mole ser mãe de surfista. Além sofrer com a saudade, pois os atletas passam grande parte do tempo fora de casa, seja nas competições ou no free-surf, o coração sofre com os perigos da profissão.

 

“Um ou outro acidente o Sininho até me conta. Só que muito tempo depois. O que mais marcou foi um no Hawaii. Ele estava descendo uma onda de 18 pés e, ao iniciar o drop, bateu o vento, ele embicou e foi para o fundo. Quando estava recuperando o fôlego, veio uma onda de 15 pés e o bicho pegou. Ele foi socorrido e, no final, ficou três dias ouvindo um zumbido no ouvido. Os aéreos também me preocupam bastante”, admite.

Porém, os benefícios de praticar o esporte são inúmeros. Maria Helena afirma que o surf melhorou muito sua qualidade de vida.

 

“Vou de bicicleta para a escola. Surfando, previno a osteoporose, pois aumento a massa muscular. Os exercícios de aquecimento e alongamento preparam o corpo para iniciar e encerrar o surf. Sem falar no papo depois da aula. Resumindo, o surf protege minha saúde física, mental e social”, garante uma das “mães” do surf santista.

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