Tínhamos quarenta dias disponíveis entre os meses de novembro e de dezembro e o nosso maior objetivo era honrar o lema do lendário surfista californiano Miki Dora: “All for a few perfect Waves”.
Decidimos começar a surf trip visitando nosso amigo, ídolo e grande surfista gaúcho Igor Lumertz, conhecido nos litorais como Bagual, que atualmente mora no sul da Califórnia (EUA) com sua esposa.
Chegamos ao aeroporto de Los Angeles e fomos recebidos pelo Bagual, que já estava pronto e instigado para nos levar ao Norte, em busca de um swell que prometia “buenas olas”.
Na região de San Francisco, sentimos o trincar da água gelada e nos obrigamos a inaugurar o long John, usando também capuz, botas e luvas. Com o frio dominado, curtimos as ondas de San Francisco, de Santa Cruz e ainda conhecemos a famosa Golden Gate, desfrutando da saborosa cerveja da Coruja, que segundo boatos, só existe por lá.
A vibe The Search ficou por conta da região de Monterrey, Big Sur e San Luis Obispo, que nos surpreendeu com ondas perfeitas e solitárias crowdiadas de tubarões e algas. Descolamos boas fotos ostentando o surf e belas paisagens nos picos secretos na beira da Highway 1.
Após conhecermos o Norte, foi a vez de esbanjar surf no sul da Califa, picos como Lowers Trestles, Huntington Pier, Oceanside, Cardiff, Encinitas, Blacks e La Jolla, nos brindaram com o “california surf life style”.
Em uma visita ao California Surf Museum, após delirarmos com pranchas antigas e livros dos mais belos assuntos ligados ao surf, resolvemos pedir para o nosso amigo, ídolo e agora também Surf Guide, Igor, nos levar para surfar e conhecer Baja California, localizada no norte do México, fronteira com San Diego.
Igor Bagual, sempre fissurado e “listo” para surf trips, aceitou no ato e logo nos falou da necessária e indispensável autorização do surfista porto-alegrense Bento Cuervo, excêntrico big rider a moda antiga, local de Hero de Baja, que corre por fora dos holofotes da mídia.
Bento nos encheu de “tches” e “tchans” pra cá e pra lá, nos chamou de coisas que não entendemos e, apesar de não estar por lá no momento, nos liberou a autorização por mensagem de voz, mostrando ser um belo conterrâneo surfista de alma.
A única condição exigida foi de não divulgarmos os nomes dos picos. Então partimos para o México, contando com a experiência do “Bagual Surf Guide” e a parceria de Vini Fornari, um dos surfistas mais famosos do Rio Grande do Sul, que chegou a tempo de nos acompanhar.
A Baja California estava demais, altas ondas, muito tacos e cervejas Índio. Um lugar único e diferente, destino de muitos soul surfers que buscam o surf de qualidade sem crowd. Gracias a Igor y Bento.
Guardando as roupas de borracha, trocando a parafina e tirando o pó das gunzeiras, chegamos, pela segunda vez, na “Meca” do surf mundial, no lugar mais famoso do mundo, na terra do Aloha, ou seja, no North Shore de Oahu, Hawaii. O Big Rider paranaense Bruno Silva nos esperava com os “primeiros socorros”, nos arrumando carro e casa na primeira noite para no dia seguinte nos ajeitarmos na pousada do Mark Foo.
O Hawaii é mesmo tudo que dizem e mais um pouco. É o lugar onde um surfista mais aprende, onde todos os surfistas de diferentes níveis vestem a alpargata da humildade. No North Shore é assim, aprendemos todos os dias lições que usaremos para sempre no surf e na vida.
Foram 40 dias de surf na veia, de surf intenso, de surf na alma. Quarenta dias vivendo o ápice do amor ao surf, o que para nós, é viajar de praia em praia surfando as melhores ondas, sem se importar com muita coisa, vivendo cada dia de uma vez e aprendendo o máximo possível.
Os assuntos eram somente ligados ao surf, as conversas embalavam e as viagens longas ficavam curtas, o sol nascia e nós já estávamos na água esperando a série, rodamos por muitas estradas e cidades buscando ondas e vivemos a incrível sensação de estar vivo e “deep” em uma surf trip. Surf trips como essa nos movem e nos fazem surfistas cada vez mais apaixonados pelo esporte. Aloha!
Agradecimentos: Mormaii, Cuscabarone, Surfboards, BA Surf Consertos, Grãos Intergrais, LE Monde e a nova marca gaúcha, The Search.












