
Nascido e criado no Rio de Janeiro. Flamenguista e mangueirense. Campeão carioca profissional, por obra do acaso, no ano da graça de 1990. Vencedor do Seaway Classic 1992 – WQS 2 estrelas – Joca Junior, Victor Ribas e Tadeu Pereira na final. Finalista na etapa Nescau Surf Pro 1993 na Joaca, junto de Pedro Muller, Barton Lynch e Jojó de Olivença.
Colunista da Fluir (Coluna Vertebral) Inside (Sopa de Tamanco), Camerasurf (Malandragem é o seguinte), Surf Portugal (Tempestade em copo d’água). Matérias publicadas na Hardcore, Rad (Argentina), Surfin’ Life (Austrália) etc…
Editor do jornal Wet Paper (imprensa ‘cult’ no tempo do onça). Viagens: Caribe (Republica Dominicana, Barbados, Saint Lucia, Martinique), América Central (El Salvador, Guatemala, Colômbia), África, Europa, EUA, Timor, Peru…
Iconoclasta de berço. Punk desde que escutou Damned, Smash it up. Mais de 3000 CDs. Videoteca com mais de 200 vídeos. Coleção Surfer, Surfing, Brasil Surf, Visual, Surf News, Staff, Now, ASL, Waves, ASW, Surfer’s Journal.
Velho desde cedo. Círculo de amigos: Ricardo Martins, Cláudio Henneck, Jocca Secco, Pepe Cézar, Rick Werneck, Bomba, Marcellus, Bocão, irmãos Bocayuva, Agobar, Cadu, Bruno Lemos, João Valente, Lobo, Rodrigo Viegas (mais não cabe num imeio)…
Rabugento.

Fã do Michael Peterson, George Greenough e Curren. Sarcasmo corre no sangue.
Esse é um pequeno perfil de nosso novo colunista… Adivinharam quem? O carioca Júlio Adler, que traz de volta a coluna Vertebral, agora em versão virtual. Divirtam-se!
Valdir Vargas foi para o surfe brasileiro, no final dos anos 70 e meados dos 80, o que Danilo Grilo representa hoje em dia: uma sensibilidade assustadora para entubar, britadeira de caroço.
A habilidade do Danilo foi herdada, segundo seu empresário Pardal, direto do sangue ‘tube-rider’ do pai, Horácio – verdadeiro ícone do submundo paulista setentista, ermitão por opção, surfista até o cabo.
No caso do Valdir, o cetro foi passado, ainda está sendo passado, lentamente, para os três filhos. Mateus, o mais velho, estuda e compete na Costa Dourada australiana, seguindo os conselhos do ‘coroa’, se beneficiando de todas comodidades que ‘naquele tempo’ (o tempo não espera ninguém, dizia Mick Jagger, o malandro que alavancou a carreira de ex-anônima) não tínhamos, ou por falta de dinheiro, ou falta de interesse dos pais.
Recordo-me bem da vez que o Rick resolveu levar o moleque pra surfar em Grumari, mar grosso, terral forte, placas de blindex maciças caíam por todo lado – rendeu até uma capa do Burle pra Hardcore.
Eu tinha uma curiosidade enorme em descobrir alguma coisa no garoto que lembrasse a magia que eu via nos pés do pai – pés e cintura, Valdir trazia um jeito muito havaiano de encarar as ondas, influência de Dane Kealoha, Larry Bertleman e Mark Liddel, junto de uma ginga pré Tinguinha, toda nossa, samba-bossa, teleco-teco, balaco-baco, ziriguindum…
Mateus tinha 15 anos apenas e toda vez que o encontrava fazia questão de dizer, para ele e pro irmão mais novo, Jerônimo, feito um tio pentelho: – Teu pai foi o cara que mais entubou aqui no reino de Cabrália. Depois, dever cumprido, sorria, dava dois tapinhas nas costas dos guris e sartava.

Agora mesmo, no início de agosto, encontrei a Gica, Matriarca do Clã Vargas/surfe, que prontamente me deu a surpreendente notícia que Mateus estava morando na terra de Oz e fizera uma final em campeonato Pro/Am, logo ali, no coração do surfe australiano, Queensland, terra de Parko, Deano, Mick’O, Occy (local convertido), Billabong, Kirra, Burleigh e MP.
Meia dúzia de imeios depois, já tinha estabelecido contato com o Sr (ou seria Sra?) Dane Jordan, Operations Manager (???) do Surfing Queensland, associação local, que gentilmente respondeu meu questionário de 273 perguntas.
Diga lá, meu caro(a) Dane!
“Sim, nós já sabíamos que Matt (Como Mateus é carinhosamente conhecido pelos seus amiguinhos cangurus) é filho do Valdir Vargas. Assim que vimos ele surfando ficou claro que ele tinha herdado grande talento. A primeirra vez que vi Matt surfando foi no FCS Gold Coast Regional Junior Titles, onde ele chegou nas quartas-de-final. Confesso que me parecia apenas mais um surfista tentando um lugar ao sol no meio de tanto talento que temos aqui…
…Na vez seguinte, no Surfing Queensland Classic, competição aberta, ele já era um surfista completamente diferente, conseguindo a terceira colocação, aniquilando pelo caminho surfistas do WQS e juniores do topo da nossa lista.
Em apenas dois meses, Matt conseguiu desenvolver um estilo e um jeito de atacar as ondas do Gold Coast como se tivesse nascido e crescido aqui. Ele tem um estilo muito fluido e não tem medo de tentar grandes aéreos quando as ondas pedem, mesmo em baterias! Durante o evento os locutores constantemente lembravam ao público que Valdir tinha sido um dos grandes surfistas brasileiros que eles tiveram a oportunidade de assistir e que aquele era seu filho.”

Fiquei tão exultante com a resposta do(a) sujeito(a) que resolvi acrescentar mais duas perguntas, dessa vez ao próprio Mateus. Queria saber, antes de mais nada, se o amigo usava, como tantos outros ‘aussies’ as pranchas DHD do Darren Handley, o Henneck australiano.
“Tenho surfado com as pranchas DHD, meu surfe se adaptou perfeitamente à elas.” Muito bem. E quanto a morar no centro do surfe mundial?
“É a coisa mais perto da grandeza até agora. É o campo de provas da vanguarda do surfe atual e eu estou bem aqui no meio de onde as coisas acontecem.”
Com a oportunidade de surfar uma variedade enorme de praias, ‘beach-breaks’,’ point-breaks’ (tão raros no Brasil), fica mais fácil trabalhar sua evolução em ondas tão manobráveis, ainda por cima vendo o surfe ‘power’ do Occy e Luke num dia, para no outro aprender tudo sobre o surfe moderno e malabarista de Mick, Deano e Parko. “Aprendo muito com eles.”
Os pais de Mateus encontraram com ele no Hawaii, ainda no começo do ano, em seguida uma temporada na Indonésia… Talvez seja a hora de tentar entender por que uma geração de pais como esses pode ser a mais importante, num futuro próximo, da nossa curta história.
Segundo sei, a mãe quando contrariada proíbe tudo, TV, mesada, shopping; mas, se tiver onda, surfe é liberado. Passados bem uns 12 anos da indicação do Valdir para melhor surfista de backside do Stubbies, o filho dele vai desenhando e escrevendo novas linhas da história do surfe brasileiro mundo afora.
E para não fugir de mais um clichê, família que entuba unida…