Depois de uma longa e fria temporada irlandesa, trocamos as chuvas e ventos da ilha esmeralda pelo sol quente e paisagem desértica do Marrocos.
Chegando aqui, sol, praia e altas ondas. Netuno está do nosso lado, e de entrada serviu-nos um banquete dos deuses: Anchor Point quebrando perfeito de 1,5 a 2 metros, com certeza a onda mais longa que já surfei em toda minha vida.
O surf no Marrocos começou há muitos anos, quando surfistas europeus, em busca de praias mais quentes e águas não tão geladas, atravessaram o Estreito de Gibraltar à bordo de suas características Kombis.
Muitos surfistas, na maioria americanos e australianos, compravam Kombis e depois de se divertirem por alguns meses nas ondas marroquinas, as vendiam nos locais de origem. “Naquela época alugar carro não era como nos dias de hoje. Eles compravam e depois revendiam mais barato, era tipo um aluguel”, conta o local Abdul, de 29 anos.
Seguimos surfando boas paredes das ondas marroquinas por duas semanas. Foram três bons swells de até 3 metros e períodos variando entre 13 e 16 segundos. Novembro é o mês em que surfistas de todas as partes do mundo começam a chegar ao Marrocos em busca das direitas perfeitas, que facilmente podem chegar aos 3 metros e proporcionar ao surfista uma uma experiência de surfar por centenas de metros e voltar remando no canal, assistindo às séries passarem.
A costa marroquina é cheia de ondas perfeitas, porém não é muito seguro viajar pelo país, o que força a maioria dos surfistas a ficar na região de Taghazout, onde há uma grande diversidade de tipos de ondas para todos os gostos e níveis, pois fica mais abrigada das grandes ondulações.
“Boilers é nosso termômetro”, diz Dan, proprietário do Maroccan Surf Adventures, pois o pico é um divisor de águas localizado bem na curva do mapa, virado pra Noroeste, recebendo maior influência das grandes ondulações vindas do Atlântico Norte, que varrem toda a costa europeia até atingirem o continente africano.
“Se Boilers estiver storm, nem vale a pena checar nada mais ao Norte. O caminho são os picos do Sul”, explica Mohammed, cozinheiro do surf camp.
Os principais picos da região são Banana’s Point, uma onda bem fácil sobre banco de areia que nunca fica flat; Anchor Point, provavelmente a onda mais famosa do Marrocos (merecidamente) – longa, bem manobrável e com seções tubulares; Mysteries, um bom banco de areia bem ao lado de Anchor – para aqueles que não se sentem bem surfando em fundo de pedra; Killers, também muito próxima de Anchor, porém a remada para o pico é longa e com uma certa correnteza; e pra finalizar, Boilers, que é assim chamada devido a uma caldeira gigante de um navio ter atracado bem ao lado das ondas, servindo de referencial para entrada e saída do pico, que é um pouco chata devido às pedras no caminho.
Para o surf, uma boa roupa de borracha de 3 / 2 milímetros é o suficiente, pois, apesar do sol, as águas marroquinas são frias o ano todo. Botinhas ficam à gosto – não é necessário, porém é confortável saber que se pode pisar nas muitas pedras do fundo que estão presentes na maioria dos picos.
A moeda local é o Dirham e a pechincha é cultural no país, nunca compre nada pelo primeiro preço pedido. Existem muitos apartamentos e hotéis pela região, porém, aos que têm o surf como o grande objetivo, vale conferir o surf camp Moroccan Surf Adventures (Morocsurf.com) , pois além de contar com toda a infra-estrutura do local, guias são disponibilizados para colocar você e sua galera nas ondas, não importando o quão longe elas podem estar quebrando.

































