
A temporada havaiana está esquentando aos poucos. Já tem um palanque montado na praia de Sunset, onde acontece o Xcel Pro, tenho visto rodando pelas ruas vários carros com pranchas em cima, assim como caras novas circulando pelo North Shore.
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O surf também está rolando solto. Nos últimos dias de outubro, tivemos mais um swell com ângulo bem de Norte, e que veio acompanhado de um forte vento Nordeste, o que não proporcionaria condições muito boas para o North Shore de Oahu.
Foi quando que me deu o estalo de ir para a ilha de Maui e tentar surfar Honolua Bay, uma das ondas que sempre tive um grande fascínio.
Comentei a idéia com Danilo Couto, que já morou em Maui e teria uma boa noção se Honolua estaria ou não quebrando.
Como a reação foi positiva, aos poucos a idéia foi se concretizando e rapidamente agilizamos as passagens.
Assim, no domingo de 29 de outubro à tarde aterrissávamos em Maui junto de outro surfista baiano – Marcio Freire.
No aeroporto éramos esperados pelo big rider Yuri Soledade e seu novo pupilo ? Yan Gentil, 10 anos. Ele atualmente é campeão havaiano da categoria mini groms.
Como não teríamos muito tempo para chegar até Honolua antes do pôr do sol, resolvemos dormir cedo, pois a tendência era a de o mar subir um pouco mais durante a noite.
Acordamos às 4:30 da manhã de segunda feira e ainda era noite quando partimos em direção ao lado Oeste da ilha. Cerca de uma hora depois estávamos no cliff olhando as ondas. Alguns momentos depois, já na água surfando aquela direita tão cobiçada.
As ondas estavam extremamente longas devido à direção do swell. Porém, sem muitos tubos.
As maiores ondas quebravam em “Subs”, bancada localizada mais no outside da baía, com séries de até 8 pés sólidos.
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De longe dava pra ver uma dupla de tow-in dividir o line up com meia dúzia de surfistas, algo em desacordo com as leis, porque quando há surfistas na remada, jet-skis teoricamente não podem se aproximar do pico.
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Mas, parece que essas regras não funciona para os locais. Mark Anderson, o melhor surfista de Honolua Bay, simplesmente ignorou as leis e passou praticamente o dia inteiro surfando uma onda atrás da outra.
Enquanto isso, surfamos em frente ao “Cave ” e no “Point”, onde as ondas estavam um pouco menores, 4 a 6 pés e uma perfeição incrível.
O esquadrão ?backside attack? da Bahia literalmente dominava as ondas. Além de Yuri, Marcio e Danilo, outros brasileiros residentes em Maui faziam a festa.
Destaque para Yan Gentil, que apesar do tamanho e da pouca idade entrou no mar e surfou algumas ondas boas. Também estavam na água Alfredo Villas Boas, Zuza, Chico, Kevin Kennedy, Patrick, Paulinho e a garota Emely.
Além desta turma de Maui, outro grupo de free surfers brasileiros vindo de Oahu ajudava a colorir o outside de verde e amarelo: Marcos Portugal, Alemão, Rui, Carlinhos e Lídio, que vieram atraídos não só pelas ondas, mas também atrás da grande festa de haloween, uma das mais tradicionais de Maui, e que acontece em Lahaina.
Depois de várias horas de surf, fomos conferir de perto o pico lá de fora. E ao ver a primeira série entrando, Danilo Couto ficou instigado para surfar novamente.
Ele saiu pulando pelas pedras com sua 7’0″, enquanto Marcio Freire, um pouco mais conservador, deu a volta e entrou remando pelo canal. Depois de alguns minutos, Yuri não resistiu e entrou também na água para dar a última caída, talvez a melhor do dia.
Além de ter ondas com mais tamanho, exatamente naquela hora a dupla de tow-in foi embora e o outside ficou praticamente na mão deles e de alguns outros locais.
Durante esta sessão, Danilo surfou uma das ondas mais longas de sua vida, indo do outside de Subs, passando pela bancada de Coconuts, pelo Point quase emendando até o Cave.
Depois desse fim de tarde épico, retornamos à casa de Yuri Soledade, onde estivemos muito bem hospedados e, após um belo jantar, preparado por sua esposa Maria Soledade.
Acordamos bem cedo no dia seguinte e, ao conferir as bóias, partimos novamente pra Honolua sabendo que seria mais um dia intenso de surf, pois as bóias tinham aumentado um pouco mais.
No caminho, conferimos um pico chamado “Rainbows”, uma direita tubular que eu já tinha visto no filme Wave Warriors 2. Porém, naquela manhã não estava tão consistente.
Então, nosso destino acabou sendo mais uma vez a baía de Honolua, onde surfamos boas ondas durante toda a manhã em condições bem parecidas com o dia anterior, talvez um pouco mais constante, mas um pouco mais crowd.
O ângulo de entrada do swell naquela manhã parecia que tinha virado um pouco mais para Nordeste. Por isso as ondas quebravam quase que paralelamente às pedras, um fato bem peculiar e que proporcionou nova roubada de cena do local Mark Anderson,
desta vez surfando na remada.
Ele conseguiu pegar talvez a onda mais longa da história de Honolua Bay, pois ficou em pé no outside de Subs e passou por todas as bancadas, Subs, Coconuts, Point e Cave, finalizando a onda no fim da baía no “Keiki Bowl”, fato que marcou o dia.
Mas como diz o velho ditado, tudo que é bom dura pouco e, por volta de 14 horas já estávamos embarcando de volta para Oahu com boas lembranças. Ou melhor, com boas ondas ?under the belt?, como diriam os gringos.