
Quando fazemos uma viagem dessas, temos que levar todas as variáveis em consideração.
Leva tempo e custa dinheiro, além de você estar do outro lado do mundo e existem as possibilidades de fazer da viagem 100% sucesso, ou um fracasso total, com perrengues absolutos.
Saímos do Brasil eu, representando o bodyboard, e meus amigos “do surf” Rodrigo Schmidt, o shaper Claudio Hennek, Marcio Trindade e Michel Pinto.
Íamos direto para a Sumatra, mas o Tsunami do

final de 2004 e outro menor no início de 2005, somados a instabilidade das placas tectônicas, com constantes terremotos na região nos fizeram transferir as passagens pra Bali, onde eu já tinha ficado dois meses em 2000.
Aliás, no ano 2000, fiquei em Bali mas fui também em Lombok – Desert Point, Sumbawa – Yoyo’s e Scar Reef e Java – G-Land.
Apenas três dias em Bali e o encontro com Alex Macabu, manager de um dos surfcamps de Asu e com Enrique Pena, dono do outro surfcamp, foram suficientes pra entrarmos na pilha e arriscarmos toda a viagem rumo a Sumatra.
Ainda não tínhamos notícias da onda e de como a ilha tinha sido afetada. Michel entrou em contato por email com alguns capitães de barco que faziam o Norte da ilha de Sumatra, pra saber a situação.
Cada um dizia uma coisa: uns diziam que piorou, outros que melhorou. Sabíamos que o Kelly Slater e uma equipe de surf estavam pela Sumatra com uma lancha que tinha até helicóptero no teto, fazendo um filme de surf, o que parecia ser um bom indício.
Faltava chegar na ilha e ver com os próprios olhos, o que não seria fácil. Como não haviam notícias, teríamos que levar muitas coisas: mosquiteiros – por causa da malária, comida, água e material de limpeza.
Pelas condições gerais, não dava para viajar da melhor forma, que era voando até Nias direto de Medan e pegar uma lancha pra Asu. Em Bali, novos integrantes juntaram-se a trip, Alex Macabu e Patricia Cabrini, Maya Gabeira e o Dr Claudio Maas.
Fomos todos pra Medan, e no dia seguinte outro avião pra Sibolga – cidade portuária, no litoral Norte da Sumatra, aonde encontramos Enrique Pena que estava arrumando o barco.
Pra viabilizar a viagem, tiveram que juntar os dois camps de Asu pra fazer a “big operacy” – transporte de tudo que era necessário – valer a pena. Ninguém estava na nossa loucura de ir pros lados do Tsunami naquela época.
A comida foi por terra, assim como as bagagens e as pranchas. Ao chegarmos em Sibolga, um terremoto de 6.9 sacudiu exatamente a região em que estávamos. A sorte foi que estávamos no carro e nada aconteceu.
Confira os vídeos da trip nos links abaixo:
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A saída de Sibolga rumo a Asu foi um drama. O barco estava com problemas e isso não estava nos planos.
Chegamos em Sibolga e só conseguimos partir três dias depois. Nada para fazer e víamos pela internet fotos de Padang Padang clássico, com os havaianos.
Aflitos, achamos que estávamos loucos perdendo Padang, Desert e G-Land. A loucura quase dominou a trip. Mas a expectativa de pegar Nias clássico era maior que qualquer dúvida.
Depois de muita espera pelo conserto do barco

em Sibolga e navegarmos de nove da noite até duas da tarde do dia seguinte, chegamos em Lagundri, bombando 8 pés, clássico.
Nias de sonho! Depois de cairmos o dia todo, continuamos a navegação pra Asu, onde chegamos ao amanhecer. O mar estava clássico, mas a galera estava com receio da nova bancada.
Quem já tinha ido olhava pasmo para as modificações da ilha que subiu uns dois metros do nível do mar, expondo uma enorme bancada que antes ficava embaixo da água.
Fomos acostumando com a onda e o final de tarde foi épico, com o mar subindo.
No dia seguinte, mar gigante, entre 10 e 12 pés plus. Como o barco voltaria pra Nias para reparos, decidimos pegar uma carona até Lagundri que prometia oito pés clássicos e previsão de aturar bem o swell nos dias seguintes.
O mar prometia subir ainda mais e Asu estava cabuloso. Fomos pra Lagundri e pegamos clássico de 6 a 8 pés por três dias enquanto o barco consertava em Telukdalam.
Fomos para terra firme e dormimos na casa de uns moradores que nos recepcionaram maravilhosamente bem, apesar das precárias condições. Lagundri estava 90% destruída por um dos tsunamis que passaram pela região poucos meses antes.
Isso sem falar que a terra ainda tremia, mas ficávamos tanto tempo dentro do mar que nada importava muito. Bastava um chão pra dormir, algumas frutas, água e aquele macarrão pra depois da caída.
Com o barco pronto, voltamos pra Asu e nas duas semanas seguintes as ondas bombaram todos os dias com vento terral e 6 a 8 pés perfeitos, impressionando pela quantidade e qualidade das ondas. Um lugar sensacional.
Confira os vídeos da trip nos links abaixo: