SupClub

Diário do Mundial da ISA

Por Américo Pinheiro

No último dia de competição já fazia calor logo cedo. Acredito que hoje foi o dia mais quente de todos – e prometia esquentar ainda mais com as provas finais de revezamento por equipes, SUP e paddleboard races técnicas.

A primeira prova a entrar na água foi a de revezamento por equipes e o Brasil ficou com a oitava colocação. O nível das equipes estava muito forte e mostrou o quanto é importante fomentar e trabalhar talentos nacionais em várias modalidades e tipos de prova. Essa colocação foi ruim para nossa equipe, pois precisávamos ultrapasar a África do Sul, o México e a Nova Zelândia, para chegarmos à quarta colocação, que nos daria a medalha de cobre e um lugar no pódio pela quarta colocação.

Procuramos nos livrar da tensão e nervosismo nos concentramos para a disputa seguinte, o paddleboard feminino. A Sinara Britto foi bem e terminou na sétima colocação. É importante observar que o paddleboard feminino praticamente não existe no Brasil e esta é uma das únicas chances que a Sinara tem de competir com outras mulheres. O que me chamou a atentção é que ela remou muito bem, de igula para igual com as melhores do mundo e evoluiu durante a competição, mostrando que está em uma crescente.

No paddleboard masculino, prova seguinte, nós não tivemos representantes pois o Claudio e o Patrick não conseguiram a classificação para a final.

Em seguida foi a vez das mulheres do SUP race e a Lena Guimarães foi nossa representante. Ela não teve uma boa largada, mas fez uma prova de recuperação muito boa, terminando na quinta colocação, a um passo de uma medalha para o Brasil. A Lena foi apontada como uma das revelações da categoria, o que achei muito merecido por conta de sua garra durante as provas em que participou.

A dupla Vinnicius Martins e Arthur Santacreu eram o Brasil na SUP race masculino. O Arthur teve uma falta de sorte incrível. Bem na hora da largada, um cachorro avançou a sua frente e ele teve que “driblar” o cão, se atrapalhando todo. Não fosse essa uma competição tão importante em sua vida, a cena seria engraçada. Com isso, ele perdeu muito tempo, mas, conseguiu a décima colocação, fazendo um sprint espetacular na reta final, onde ultrapassou três adversários.

O Vinnicius, na minha opinião, fez a prova mais técnica de sua vida. Ele teve uma largada excelente, remando lado a lado com os primeiros colocados. Fez boias exelentes, chegando a ficar a quarta colocação, perdeu algumas posições, depois recuperou outras e teve uma leitura de ondas impressionante, sabendo aproveitá-las muito bem a seu favor. No final, assim como a Lena, ele terminou na quinta colocação, uma atrás da medalha de cobre, na prova vencida por Connor Baxter, que fez dobradinha com o Mo Freitas, na segunda colocação (ambos representando o Havaí). O Vinni chegou na mesma onda que o terceiro (Titouan Puyo, FRA) e o quarto colocado (Casper Steinfath, DIN), mas na corrida e acabou ficando com a quinta colocação. 

Ao final, o Brasil ficou com a quinta colocação, o que é seu segundo melhor resultado na história dos mundiais da ISA, ficando atrás de nações com muita tradição nos esportes a remo e paddleboard, o que mostra que o Brasil mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos para chegar aqui tem bons atletas e muito potencial. Acho que de uma maneira geral estamos fazendo um bom trabalho no fomento do esporte em nosso país, previsamos de mais investimento sim, mas acredito que estamos na direção certa. 

Não posso deixar de parabenizar a equipe dos EUA, medalhista de ouro e que conseguiu quebrar a hegemonia australiana nos mundiais da ISA. Durante a cerimônia de premiação todos festejaram muito e o clima foi de muita confraternização entre todos os atletas de todos os países. 

Quero dar um grande parabéns para toda a equipe brasileira, em especial à Nicole Pacelli, medalha de prata no SUP wave. Vim para cá como técnico e estou muito orgulhoso dessa equipe, por sua entrega, dedicação e espírito de equipe. O meu muito obrigado a todos vocês que nos acompanharam, torceram e mandaram energias positivas para todos nós. 

Confesso que tomei gosto pelo trabalho de técnico! Não pretendo me aposentar como atleta e estou, inclusive me preparando para participar da Molokai2Oahu, mas, gostei da experiência! Se o Brasil precisar de mim novamente, esparei à disposição.

Muito obrigado a todos!

Américo conta com os apoios de SIC Maui Brasil, Kialoa Brasil, DVitaminas, WindHunter e Star Point.

RESULTADO FINAL POR NAÇÕES 

2853x2003

ISA WSUPPC 2015

 RESULTADOS DAS PROVAS DE DOMINGO

2075x2791

ISA WSUPPC 2015 
2141x1653

ISA WSUPPC 2015 
2108x1049

ISA WSUPPC 2015
2166x1499

ISA WSUPPC 2015

MATÉRIAS RELACIONADAS

 

 

 

 

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.