Por trás das notas

Dez anos sem Roberto Valério

No próximo mês de julho completa dez anos da morte do surfista e empresário carioca Roberto Valério. Um dos maiores surfistas brasileiros de todos os tempos, um empresário modelo e uma personalidade forte e marcante, Valério faz muita falta num mercado carente de líderes e de empresários/surfistas autênticos.

 

Um dos primeiros surfistas brasileiros a ter sucesso no circuito mundial, Roberto sempre foi muito carismático, fosse por seu surfe agressivo com um estilo brusco ou pela equipe de competição que ele montou, com surfistas do calibre de Victor Ribas e Peterson Rosa, que até hoje estão na elite do surfe mundial.

 

Conheci Roberto na porta do colégio, ainda no começo dos anos 70, onde ele ia paquerar as meninas e encontrar os amigos para pegar onda. Na época, seu cabelo grande e loiro, quase branco, chamava a atenção.

 

Conheceu o Hawaii ainda moleque e desenvolveu uma relação tão íntima com Sunset Beach, que me arrisco a dizer que ele foi o melhor surfista brasileiro nesta onda, considerada uma das três melhores e mais difíceis do mundo. No Brasil era fanático pelas ondas da Macumba, onde às vezes caía sozinho bem cedo antes de ir trabalhar.

 

Sempre muito competitivo, Roberto teve algumas decepções com o surfe profissional,

talvez ele fosse muito bom surfista num tempo que as empresas do surfe ainda estavam engatinhando.

 

Mesmo assim, quando ele montou sua empresa, deu apoio total à sua equipe e investiu pesado na formação de vários novos talentos, levando seus concorrentes a montarem equipes também e fomentando cada vez mais o crescimento do esporte.

 

Quando faleceu, Roberto tinha acabado de realizar um dos maiores eventos de surfe no Brasil, o Mundial Amador de 1994, na praia da Barra da Tijuca. Seu maior sonho era ver o Brasil campeão mundial, o que só aconteceu em 2000, em Maracaípe.

 

Hoje o circuito brasileiro leva o seu nome e há uma placa em sua homenagem na Prainha. Valeu Russo!

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

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