Transamérica/Detonação mantém tradição do circuito paraibano

Janeiro de 2002 – Jano Belo vence vence o I Transamérica de Surf, realizado no Mar do Macaco, Intermares, Cabedelo. Foi a última vitória do atleta como amador.

É neste badalado point do surf paraibano que ele eventualmente treina, hoje na condição de mais novo integrante paraibano do SuperSurf, divisão de elite do surf profissional brasileiro.

Março de 2003 – a segunda versão do Transamérica Surf é vencida por outro atleta de Baía da Traição. Se na versão anterior do evento, Tininha de Souza, por inexperiência, ficou de fora da final, naquele início de temporada só deu ela, que ao término do ano passado brilharia nas etapas finais do Circuito Petrobrás de Surf Feminino.

Atual campeã paraibana e descendente de índios potiguara, Tininha, 13 anos, faz da prancha sua flecha, e mesmo estudando com afinco para se tornar professora de artes, já declarou que vai tentar alcançar um alvo importante: o título de melhor surfista do Brasil. Esse futuro se desenha e depende de algo decisivo: um correto patrocínio.

Entre os muitos atletas que se destacam como campeão em alguma das divisões do Transamérica/Detonação de Surf, com certeza um deles, ou mais, repetirá a tradição de ao final do ano ser um atleta de destaque no cenário nacional.

Uma das formas de alcançar esse destaque é participar do Circuito Brasileiro de Surf Amador, e sem dúvida esse será um dos assuntos em evidência nas areias do Mar dos Macacos, onde nos próximos dias 20 e 21 rola o Transamérica/Detonação de Surf.

 

Todos têm o sonho de integrar a equipe estadual no Brasileiro Amador, que está confirmado para começar no final de abril em um estado nordestino. A equipe da Paraíba deve marcar presença, e para isto a Federação Paraibana de Surf (FPBSURF) está contatando a Confederação Brasileira, visando confirmar o estado sede e assim buscar os apoios necessários para transporte e hospedagem.

Para quatro surfistas, a competição deste final de semana garantirá mais do que mil pontos no ranking final do circuito estadual amador. Os campeões Open, Júnior, Mirim e Feminino receberão pranchas da marca Inject, além de troféus e artigos da marca ?Detonação?.

 

Alexandre Palitot, presidente da PBSurf, afirma: ?Nós divulgamos que em 2004 faríamos o maior circuito paraibano de todos os tempos, e para isto contamos com apoios significativos, a exemplo dos blocos de prancha Teccel, que também fazem parte da premiação?. 

 

Foi com um bloco dessa marca, ganho em uma etapa do estadual, que Tininha de Souza conseguiu fazer sua primeira prancha. Agora, dois anos depois, a maior destaque parabaiana de 2003 concorre a uma prancha na disputa do categoria Feminino.

MAIORIDADE – O ano de 2004 marca vinte e um anos de existência do primeiro circuito paraibano de surf.  

 

O mais bem sucedido dos fabricantes brasileiros de pranchas no exterior é o paulista  Paulo ?Xanadu?. Certamente, não foi por ser amigo dele que, há 21 anos atrás, seu conterrâneo e colega de início de carreira Anderson Ginane, o ?Paulista?, então morando na Paraíba, recebeu uma demonstração de prestígio na etapa que abriu, em Baía da Traição, o primeiro circuito paraibano de surf.

 

Na ocasião, o vencedor do evento pôde encomendar, a preço de custo, uma prancha com Ginane.

 

?Eu tenho a carta até hoje?, recorda Marcos Vinícius, o ?Marquinho JK?, campeão da prova que abriu aquela pioneira temporada.

 

Marquinhos, que ainda surfa e recentemente encomendou uma prancha, lembra que o vice-campeão daquele circuito, Anderson Santos, recebeu uma prancha de prêmio ofertada ao evento pelo natalense Wendell Cortez, que na época fazia as pranchas da marca ?Terral?.

Naquele ano de 1983, os eventos tinham uma única disputa envolvendo atletas de todas as idades. Porém, na histórica primeira temporada, em uma única prova, na praia pessoense do Bessa, houve a inclusão inédita da divisão júnior. 

 

Com o vice-campeonato júnior, o paraibano Fábio Gouveia, então com 14 anos, fazia sua estréia em circuitos, o que se tornaria uma rotina vencedora em sua carreira de surfista. Fabinho é reconhecido como maior nome do surf do Brasil, e em breve será lançado um filme sobre a sua carreira.

Quando mais uma etapa do Paraibano de Surf estiver se encerrando neste domingo, em Intermares, talvez Adriano Henriques, primeiro presidente da entidade e há anos radicado nos Estados Unidos, consiga de imediato saber, ?surfando? na internet, os resultados do evento, algo que há duas décadas seria impossível. Não só pela então inexistência da rede mundial de computadores, como também pela falta de surfistas com idades máximas ou mínimas, como as exigidas nas atuais categorias Infantil (até 12 anos) e Master (mínimo de 35).

Alguns dos surfistas daquela primeira etapa estarão presentes em Cabedelo. Um deles é Raul Coelho, 41 anos, forte candidato ao título da Master, que também conta com o favoritismo de Brayner Brito, 36, único a exibir no currículo o título de campeão invicto na importante divisão Open de um circuito, o de 1987. Quatro anos antes, Brayner havia sido um dos finalistas daquela etapa com a inédita divisão júnior.

  
Para Raul Henriques Filho, que no surf ganhou e incorporou ao nome o apelido Coelho, além do gosto pela competiçãor, o interesse dele no evento tem outros motivos, pois as quatro pranchas que integram a premiação levam sua assinatura.

 

Seu filho Raulzinho é um dos mais jovens participantes do evento, e na divisão feminina, uma das competidoras é sua namorada Janaína Cléa, dona de três títulos estaduais e que busca superar o favoritismo de nomes como a potiguar e atual campeã brasileira amadora Krisna de Souza e a paraibana Tininha de Souza, atleta que também busca em Cabedelo o que ?Marquinhos JK? obteve de forma inédita há vinte e um anos: o troféu de primeiro lugar.

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